Gabriel Dudziak - 16/09/2009
Se não podem ser considerados primorosos, os últimos anos do futebol costarriquenho têm sido pelo menos bastante positivos. Em 2006 o selecionado disputou sua terceira Copa do Mundo, a segunda consecutiva, e neste ano ainda tem chances de chegar à repescagem e, quem sabe, se qualificar para o seu quarto Mundial. No sub-20, o desempenho dos Ticos também é promissor. Campeã do Campeonato Sub-20 da Concacaf, realizado em maio de 2009 em Trinidad e Tobago, a atual geração de atletas da Costa Rica tem boas chances de, no futuro, contribuir ainda mais para esse desenvolvimento do futebol local.
>>> Ausência do México no Mundial repercute por todos os lados
>>> Confira a apresentação da seleção brasileira sub-20
O título no continente, o primeiro desde 1988, garantiu a sétima participação da Costa Rica em Mundiais Sub-20 e a expectativa de pelo menos igualar a campanha realizada em 2001, na Argentina. Naquele ano, os costarriquenhos surpreenderam e garantiram a primeira colocação de forma invicta, com três vitórias em três jogos, em um grupo que tinha também Equador, Etiópia e Holanda. Nas oitavas de final, no entanto, os Ticos não foram páreos para a força da República Tcheca, que venceu o confronto por 2 a 1. Exceção feita à campanha em solo argentino, nas outras cinco vezes em que participou da competição, a Costa Rica acabou ficando na primeira fase.
No Egito, os Ticos chegam com um retrospecto muito bom em virtude da campanha invejável no Concacaf Sub-20, que culminou com a taça obtida de forma invicta e com apenas um gol sofrido. No entanto, a concorrência de adversários como República Checa, Austrália e Brasil deve minar as chances de qualificação da Costa Rica no grupo E. Ainda assim, a qualidade de alguns talentos individuais, o bom ataque e principalmente a defesa quase intransponível dão margem para que os costarriquenhos sonhem com uma segunda vaga neste grupo.
A melhor equipe da América do Norte e Central
"No início do Concacaf nós não estávamos pensando em sermos campeões, estávamos apenas nos concentrando em garantir uma vaga no Mundial. Mas, conforme fomos avançando, começamos a jogar cada vez melhor e deu no que deu". A frase do treinador costarriquenho Ronald Gonzalez, no cargo desde 2007, mostra de forma bastante acurada como o triunfo no torneio continental foi inesperado.
No início da disputa, México e Estados Unidos eram os grandes favoritos à conquista. A decepção da El Tri, que caiu ainda na primeira fase, abriu espaço para os costarriquenhos, que garantiram a primeira posição no Grupo 2 depois de duas vitórias e um empate. Nas oitavas de final a equipe de Gonzalez manteve a consistência defensiva, segurando um empate por 0 a 0 com Honduras e eventualmente vencendo nos pênaltis. Já na decisão os adversários foram os Estados Unidos. As apostas novamente eram contrárias a um triunfo dos Ticos, mas o gol de Estrada, ainda na primeira etapa, e os dois tentos de Josué Martínez no segundo tempo garantiram a surpresa Costa Rica como campeã invicta da competição.
Depois da classificação para o Mundial e do título, a federação local passou a investir na preparação para o torneio do Egito. Assim, em julho deste ano, a equipe foi uma das seis a participar do Hexagonal Preparatório para o Mundial, disputado na Venezuela e que reuniu, além dos Ticos, as seleções de Brasil, Venezuela A, Venezuela B, Trinidad e Tobago e Paraguai. A exemplo do classificatório continental, a defesa bem postada e o rápido e efetivo ataque deram o tom na campanha costarriquenha. Com três vitórias, duas por goleada, um empate, contra o Brasil, e uma derrota para a Venezuela A, a seleção sub-20 teve novo bom desempenho, ficando com o vice-campeonato do torneio faturado pelo Brasil.
E a seriedade da preparação costarriquenha vem sendo extendida também para o extra-campo. Na última semana, os 21 convocados receberam uma série de palestras sobre aspectos da cultura egípcia, como costumes, geografia, densidade demográfica, língua e outros temas, tudo para facilitar a ambientação dos atletas. Além disso, a delegação já está na Espanha, onde fará mais alguns treinamentos e realizará quatro amistosos, dos quais dois já estão definidos: dia 15 contra o Uzbequistão e dia 17 contra o Albacete.
Defender para atacar
Setor defensivo forte e ataque rápido. Esta deverá ser a filosofia de jogo da Costa Rica durante o Mundial. Com jogadores versáteis em um esquema 4-4-2 padrão, Gonzalez planeja apostar nos contra-ataques para surpreender os poderosos adversários do Grupo E. De acordo com o treinador, o time costarriquenho terá como princípios estratégicos a máxima "ordem, bloqueio e velocidade", ou seja, a ideia é ter uma equipe bem montada na defesa e com qualidade para sair rapidamente rumo ao gol adversário. Foi dessa forma que os Ticos tiveram o melhor ataque do Hexagonal preparatório, ao mesmo tempo em que montaram uma das melhores defesas.
No setor defensivo a Costa Rica deverá alinhar, além do goleiro Álvarez, com Blanco pelo lado direito, Mena e o capitão Derrick Johson no miolo de zaga, e Pedro Leal no outro flanco. No meio, a proteção aos zagueiros será feita por dois volantes de contenção propriamente ditos, com Daniel Varela mais preocupado com a cobertura e o versáti e habilidoso David Guzmán, que marca e ainda chega ao gol adversário constantemente, um pouco mais voltado a fazer a bola rodar e chegar aos jogadores de ataque.
Pelos lados, os costarriquenhos jogam com dois homens bem mais preocupados em subir ao ataque do que em compor a linha de meio de campo, sendo que essas duas posições deverão ser ocupadas por jogadores que normalmente atuam como homens de frente. Dessa forma, os Ticos podem alinhar nessas posições com Madrigal e Ureña, dois atacantes propriamente ditos, com Allen Guevara, um meia ofensivo de fato, ou ainda com os laterais Blanco e Leal atuando na linha mais à frente.
No ataque, Gonzalez terá diversas opções para formar a dupla titular. Além dos já citados Madrigal e Ureña, o treinador costarriquenho também conta no seu elenco com Alejandro Castro, que vem tendo bons desempenhos nos últimos jogos, e a maior esperança de gols da seleção, o avante Josué Martínez, artilheiro do Concacaf com 3 gols e presente nas seleções de base desde o Mundial Sub-17 de 2007.
Um ponto positivo para o objetivo de Costa Rica no torneio é o entrosamento. Além de os 21 selecionados já terem passado um bom tempo jogando juntos entre Concacaf, Hexagonal e período de treinamentos, a base dos Ticos é composta em sua maioria por atletas do Deportivo Saprissa. São nove jgadores do clube costarriquenho. Assim Gonzalez terá no Egito uma equipe bastante entrosada e preparada do ponto de vista tático. Nos últimos dias da preparação, por exemplo, os garotos tiveram incessantes treinamentos de bola parada e jogadas ensaiadas, tudo para compensar a falta de talento, com efetividade e pragmatismo.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Josué Martínez O artilheiro do Concacaf Sub-20 deste ano chega ao Egito como a maior esperança de gols da Costa Rica. Seu estilo de jogo rápido e poder de finalização já o configuram como o nome a ser temido pelas defesas adversárias desde o Mundial Sub-17 de 2007, quando foi um dos principais nomes da boa campanha costarriquenha. Se os Ticos têm alguma chance de classificação contra Brasil, República Checa e Austrália, essa oportunidade certamente passa pelos pés e gols do atacante do Deportivo Saprissa.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Marco Ureña Mesmo acumulando bons desempenhos na seleção de base desde o Mundial Sub-17 de dois anos atrás, Marco Ureña ainda não mostrou em nível profissional o futebol vistoso da base. Apesar das oportunidades no time principal do Alajuelense e na própria seleção sub-20 nestes amistosos preparatórios, Ureña tem tido pouco êxito tanto na posição de centroavante, quanto pelos lados do campo. Ainda assim a trajetória com a camisa dos Ticos lhe dá crédito para chegar ao Egito e surpreender.
- O PROFETA...
Derrick Johnson O 1,94 m de altura e os 86 kg de poder defensivo que colocam medo nos atacantes adversários, impõem respeito entre os colegas de equipe. Capitão do time, caberá ao bom zagueiro Derrick Johnson, do Brujas F.C, a tarefa de liderar e zelar, a exemplo da campanha vitoriosa no torneio continental deste ano, pela disciplina tática e equilíbrio psicológico dentro de campo ao mesmo tempo em que garante a consistência defensiva tão elogiada nos últimos campeonatos.
- O FARAÓ...
David Guzmán Ao lado de Ureña e Martínez, o volante Guzmán é um dos jogadores mais habilidosos desta seleção costarriquenha. Seu poder de marcação aliado à habilidade de chegar com perigo à meta adversária e qualidade no passe lhe rendem elogios desde o Mundial Sub-17 de dois anos atrás. Com o esquema idealizado por Gonzalez para a disputa no Egito, o volante do Saprissa passa a ser um dos principais jogadores da equipe, uma vez que terá que garantir proteção ao setor defensivo, ao mesmo tempo em que possibilita chegadas em velocidade ao ataque.
Elenco
GOLEIROS
Esteban Alvarado (Saprissa) - 28/04/1989
Minor Álvarez (Saprissa) - 14/11/1989
Danny Carvajal (Brujas F.C) - 08/01/1989
DEFENSORES
José Mena (Saprissa) - 02/02/1989
Derrick Johnson (Brujas F.C.) - 28/07/1989
Roy Smith (Brujas F.C.) - 19/04/1990
Bryan Oviedo (Saprissa) - 18/02/1990
Ricardo Blanco (Saprissa) - 12/05/1989
Kenner Gutiérrez (Alajuelense) - 09/06/1989
Pedro Leal (Puntarenas F.C.)- 31/01/1989
Cristian Gamboa (Liberia Mía) - 24/10/1989
MEIO-CAMPISTAS
David Guzmán (Saprissa) - 18/02/1990
Allen Guevara (Liberia Mía) - 16/04/1989
Carlos Hernández (Herediano) - 29/08/1989
Esteban Luna (Saprissa) - 05/01/1990
Daniel Varela (Brujas F.C.) - 30/04/1990
Diego Estrada (Alajuelense) - 25/05/1989
ATACANTES
Diego Madrigal (Universidad de Costa Rica) - 19/03/1989
Josué Martínez (Saprissa) - 25/03/1990
Alejandro Castro (Saprissa) - 11/09/1990
Marco Ureña (Alajuelense) - 05/03/1990
Todos direitos reservados olheiros.net | Copyright reserved 2008
Triares