Pedro Venancio - 17/09/2009
Depois do surpreendente vice-campeonato no Mundial Sub-20 de 2007, no Canadá, a República Tcheca chega ao Egito cercada de expectativas e com um grande desafio pela frente: eles querem provar ao mundo que o sucesso daquela equipe não se deve apenas ao acaso e consolidar, através de resultados, um trabalho aparentemente consistente de formação de jogadores.
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As dúvidas em relação à base tcheca se devem basicamente a dois fatores. O primeiro deles é o saldo decepcionante da geração comandada por Martin Fenin nos profissionais, exceção feita ao próprio Fenin. Além disso, o retrospecto anterior em Mundiais Sub-20 também deixa a desejar, tanto nos resultados dentro de campo quanto na revelação de valores para a seleção adulta.
Em suas outras duas participações, o máximo que conseguiram foi a eliminação nas quartas de final em 2001, na Argentina. A antiga Tchecoslováquia só disputou duas edições, tendo ficado entre os oito melhores em 1983, no México. Entre os garotos revelados pelo país na competição, o destaque absoluto é Petr Cech, titular em 2001, junto com o meia Jan Polak, do Anderlecht-BEL.
Nos Mundiais anteriores à “Revolução de veludo”, destacam-se o zagueiro Jiri Novotny, em 1989, e os meias Karel Kula e Lubos Kubik, em 1983. Jogadores como Pavel Nedved, Karel Poborsky e Patrik Berger, que surpreenderam na Euro 1996, surgiram justamente no período em que o país se dividia e foram, de certa forma, vítimas desse período de transição.
A maioria esmagadora dos jogadores que representaram o país em Mundiais Sub-20, no entanto, seguiu carreira em clubes locais sem muito brilho e dão respaldo àqueles que afirmam que os treinadores da base do país privilegiam o físico, deixando o talento em segundo plano ao avaliar um jogador. A crítica, justiça seja feita, é recorrente no mundo inteiro e poderia caber no contexto de várias seleções que vão ao Egito.
Na base do diálogo
Os tchecos conseguiram a vaga para o Mundial ao se classificarem, aos trancos e barrancos, para as semifinais do Campeonato Europeu Sub-19 de 2008. Anfitriões, eles venceram por 2 a 0 a Inglaterra na estreia, empataram sem gols com os gregos e perderam por 4 a 3 para os italianos, terminando em segundo na fase de grupos. Na briga por um lugar na final contra os alemães, derrota por 2 a 1 com um gol marcado por Richard Sukuta-Pasu no último minuto da prorrogação.
Depois disso, muitos jogadores desse grupo se encontraram em convocações das seleções sub-19 ou sub-21, mas o time atuou apenas duas vezes em 2009, contra Egito e Coreia do Sul. A falta de uma preparação adequada não chega a preocupar o técnico Jakub Dovalil, de apenas 35 anos, que aposta no diálogo e no tempo de convivência que possui com o grupo para que sua filosofia seja aceita
Dovalil, que foi auxiliar-técnico de Miroslav Sukup no Mundial Sub-20 de 2007, comandou a equipe nos dois últimos Europeus Sub-19. Funcionário da federação tcheca desde 2002, começou como técnico na seleção sub-16, sendo promovido para a equipe sub-17 dois anos depois e participando ativamente do processo de formação de todo o grupo atual.
Sua receita para construir uma equipe de sucesso concentra-se em três pontos: força defensiva, boa organização e bom preparo físico. Assim como seu antecessor, hoje à frente da seleção egípcia sub-20, Dovalil apostou em jogadores altos para compor o elenco, que terá desfalques importantes, como Miroslav Stepanek, Jan Hable e Libor Kozak. O desfalque mais sentido, com certeza, é Tomas Necid, artilheiro do Europeu Sub-19 de 2008 com quatro gols, que já atua com frequência na seleção profissional e se destaca pelo CSKA.
Velocidade e força
A formação adotada pelos Dovalil no Europeu Sub-19 foi o 4-2-3-1, com dois wingers abertos pelas pontas e apenas um atacante. O esquema deverá ser mantido, com o já experiente Tomas Pekhart como centroavante no lugar do supracitado Necid, e, em linhas gerais, é provável que poucas alterações sejam feitas.
O goleiro Tomas Vaclík, apesar de ter falhado contra a Alemanha no Europeu Sub-19, exibe bons reflexos, precisão nas saídas de gol e é apontado no país como uma possível sombra de Petr Cech dentro de alguns anos, assim como seu reserva Jan Sebek, nascido em 1991 e que já atua no Chelsea.
A defesa é comandada por Ondrej Mazuch, titular do Anderlecht, e conta com os competentes laterais Radim Rezník e Jakub Heidenreich, que já possuem boa bagagem profissional em seus clubes. Os quatro zagueiros praticamente não saem para o jogo e têm como função bloquear as jogadas dos adversários, além de dar um pouco mais de liberdade aos wingers.
No meio-de-campo, Tomaz Fabian é o provável substituto de Jan Hable e fará companhia a Lukas Vacha. Na segunda linha, Lukas Marecek compõe o lado direito com muita inteligência tática e Martin Zeman, winger esquerdo, demonstra muita eficiência nos cruzamentos e cobranças de falta.
O maestro da equipe é Jan Moravek, meia do Schalke 04 que tem como principais características a qualidade no passe e a aproximação ao ataque. Há uma expectativa criada em relação ao aproveitamento de Antonin Fantis, de apenas 17 anos, que atualmente disputa com o centroavante Vaclav Kadlec o título de teenager mais badalado do futebol local.
Kadlec, apontado como o maior talento a surgir no país nos últimos dez anos, foi preterido da convocação e está na lista reserva. O atacante solitário da equipe provavelmente será o experiente e goleador Tomas Pekhart. Outra boa opção é Jan Chramosta, do Mlada Boleslav, que marcou cinco gols em seus primeiros seis jogos como profissional.
Curtas
ELE PROMETE IR À CAÇA...
Tomas Pekhart. Único remanescente do Mundial de 2007, no Canadá, Pekhart se beneficia da ausência de Necid e tem, no Egito, a oportunidade de voltar a mostrar serviço. O centroavante, que já foi comparado a Jan Koller, pertence ao Tottenham desde 2006 e está emprestado ao Slavia Praga desde o início do ano. Seu histórico na seleção sub-21 impressiona: em sete jogos, ele foi às redes seis vezes.
NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Petr Wojnar. O winger esquerdo, que já foi titular na posição, perdeu o lugar para Martin Zeman e, se mantiver o nível apresentado nos últimos meses, dificilmente irá recuperá-lo. O Mundial Sub-20 é uma boa chance de reviravolta, mas, caso não a aproveite, Wojnar terá sérios problemas para recuperar o prestígio com Jakub Dovalil e, em um médio prazo, voltar a defender a seleção sub-21.
O PROFETA...
Ondrej Mazuch. Profissional desde 2006, Mazuch pertence à Fiorentina, mas está emprestado ao Anderlecht-BEL e é titular da equipe, embora tenha sido muito criticado nas duas fatídicas partidas contra o Lyon na fase preliminar da Liga dos Campeões. É o jogador com mais partidas pela seleção sub-21, dentre os que estão no elenco, e terá a função de comandar a defesa durante todo o Mundial.
O FARAÓ....jpg)
Jan Moravek. O meia se transferiu recentemente do Bohemians 1905 para o Schalke 04 e é o principal articulador de jogadas da equipe. Veloz e criativo, Moravek se destaca por puxar contra-ataques e municiar os companheiros com belas assistências. Com os supracitados desfalques da equipe, ele assume o papel de referência no elenco e conta com a confiança dos companheiros para conduzir o time ao topo.
Elenco
GOLEIROS
Jakub Jakubov (Dukla Praga) – 01/02/1989
Jan Sebek (Chelsea) – 31/01/1991
Tomas Vaclík (Vitkovice) – 29/03/1989
DEFENSORES
Ondrej Celustka (Slavia Praga) - 18/06/1989
Pavel Dreksa (Olomouc) – 17/09/1989
Jakub Heidenreich (Bohemians Praga) – 17/04/1989
Jan Hosek (Slavia Praha) – 01/04/1989
Jan Lecjaks (Viktoria Plzen) – 08/08/1990
Ondrej Mazuch (Anderlecht-BEL) – 15/03/1989
Radim Rezník (Banik Ostrava) - 20/01/1989
MEIO-CAMPISTAS
Tomaz Fabian (Mlada Boleslav) – 10/09/1989
Antonin Fantis (Pribram) – 15/04/1992
Lukas Marecek (Brno) – 17/04/1990
Jan Moravek (Schalke 04-ALE) – 01/11/1989
LukasVacha (Liberec) -13/05/1989
Petr Wojnar (Banik Ostrava) – 12/01/1989
Martin Zeman (Sparta Praga) – 28/03/1989
ATACANTES
Jan Chramosta (Mlada Boleslav) – 12/10/1990
Tomas Pekhart (Slavia Praga) 26/05/1989
Michael Rabusic (Brno) -17/09/1989
Jan Vošahlík (Jablonec) – 08/03/1989
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