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Mundial Sub-20'09: Austrália

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Lincoln Chaves - 17/09/2009

Repetir a campanha de 1991 e 1993, quando alcançou as semifinais, é o objetivo da Austrália nesta edição do Mundial Sub-20. Não parece ser uma meta das mais fáceis, em um grupo que tem ainda o favorito Brasil e a concorrência de tchecos e costarriquenhos numa eventual briga pelo segundo lugar. Com um elenco inexperiente até para a faixa de idade da competição - a maioria dos atletas ainda estreia em nível profissional - e considerando também que, nas Eliminatórias asiáticas, restou aos aussies a última vaga, avançar às oitavas de final, ainda que como um dos melhores terceiros colocados, soa como uma possibilidade mais palpável.

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Embora o futebol não seja um dos esportes mais populares no país, a Austrália começou a se destacar nos gramados a partir da última década, com uma equipe que reunia nomes como Mark Bosnich, Paul Okon, Željko Kalac, Kevin Muscat e Tony Popovic e que brilhou no Mundial Sub-20 de 2001. Eles abriram caminho para a afirmação de uma das gerações mais promissoras que já surgiu no cenário local e que revelaria, mais adiante, Tony Vidmar, Harry Kewell e Mark Viduka, para ficar entre os que se tornaram mais conhecidos.

Na ocasião, os aussies superaram, na fase de grupos, a forte União Soviética, parando apenas nas semifinais, em uma partida equilibradíssima contra os anfitriões portugueses, comandados por Figo, Rui Costa e Emílio Peixe e que conquistariam o título naquele ano. Já em 1993, em casa, o time, que apresentava como principal figura o meio-campista Paul Agostino, voltou a surpreender, com destaque para a vitória por 2 a 0 frente o Uruguai de Fabián O'Neill e Fernando Correa, perdendo somente para o Brasil, de Adriano Gerlin, Yan, Dida e Bruno Carvalho, novamente a um passo da decisão.

Aprovado sem louvor

Em Eliminatórias mais fracas como são as da Ásia, a seleção que conquista o campeonato ganha certo prestígio, ainda que isso não represente quase nada. Quando a equipe fica com a última vaga, após uma campanha sem atuações exuberantes e com direito a uma goleada por 3 a 0 sofrida na última partida, contra os Emirados Árabes,o máximo que se pode dizer é que, se o Asiático Sub-19 fosse uma prova, os australianos teriam passando raspando, “na média” para não repetir de ano. De lá para cá, os Young Socceroos começaram a “estudar” forte, embora, como quem ainda está “readaptando” com os livros, tenham decepcionando no primeiro amistoso do ano. Perderam por 3 a 1 para o Egito.

A preparação dos aussies começou efetivamente em julho, na Copa Cidade de Rosário, na Argentina. A equipe se saiu bem, empatando com o Uruguai em 0 a 0 e superando os Estados Unidos por 3 a 1. Em seguida, em um torneio envolvendo equipes do sudeste asiático para garotos de até 19 anos, o resultado final, se não foi de todo ruim, foi bem abaixo do esperado, com os australianos empatando com Tailândia, Singapura e Camboja três de seus quatro jogos na primeira fase, e vencendo apenas o Vietnã. Na decisão da competição, mais decepção com a derrota nos pênaltis para os tailandeses. Alerta para os cangurus, que atuaram sem alguns dos atletas que estarão na África.

No comando do time está o holandês Jan Versleijen, especializado em categorias de base e com passagens pelas fileiras de clubes de Holanda, Japão e Emirados Árabes. Tem experiência também em seleções, após ter dirigido as equipes sub-17 e sub-23 da Oranje. Aos 54 anos, dá continuidade a um trabalho iniciado em 2005, quando Guus Hiddink assumiu a seleção principal dos Socceroos, e que prevê a massificação do futebol nas camadas jovens australianas para, com apoio de profissionais holandeses, tornar os aussies destaques do esporte até a Copa do Mundo de 2018, que pode acontecer no país.

Expectativa na frente

Durante a preparação, Versleijen escalou o timeno 3-5-2, embora demonstre sinais de que valorizará um esquema com quatro homens na defesa, devido à convocação de laterais de ofício, como Daniel Mullen, Matthew Jurman e Chris Herd. Peter Cvetanovski, zagueiro do Borussia Moenchglabach, era o comandante da defesa, mas ficou de fora da lista final. Com isso, a responsabilidade de liderar o miolo de zaga recai sobre Ryan McGowan.

O meio é o setor que gera maior expectativa, com destaque para James Holland, que apesar de não ter sido chamado para as últimas apresentações devido à sua presença com a seleção principal, desponta como o maestro da equipe. Mesmo um estilo de jogo mais defensivo, serão de seus pés que sairão as principais jogadas da equipe. Outra peça importante na armação é o “estrangeiro” Aaron Mooy, meia do Bolton, que pode usar a experiência conquistada no Velho Continente para colaborar em campo.

Entre os “locais”, as apostas são Mitch Nichols, o talismã da equipe, também apto a jogar no ataque; e o prodígio Ben Kantarovski, de apenas 17 anos, mas pretendido pelos gigantes Bayern de Munique e Arsenal. A despeito das enormes expectativas que o permeiam, Kantarovski não deve ser titular inicialmente, ainda que os recursos que possui na armação e marcação possam colocá-lo ao lado de Holland na meia cancha.

O ataque também tem a confiança do torcedor. Chris Payne foi preterido na lista decisiva, o que faz da revelação Kofi Danning titular absoluto na frente. Badalado desde cedo, foi alvo de uma incessante luta da federação local para que fosse liberado pela Fifa para atuar no Mundial — Danning é natural de Gana, e só poderia jogar pela seleção australiana cinco anos após completar 18 anos, conforme as novas regras da entidade. No entanto, durante a preparação, o atacante pouco atuou como titular, sendo preterido por Nathan Elasi, que deverá ser o parceiro do prodígio afro-australiano, se a opção tática for a de manter Nichols no meio-campo. Caso contrário, Nichols que deverá ser o escolhido como parceiro de Danning.

A equipe conta com opções razoáveis, mas poucas de qualidade, casos de Holland e Kofi Danning. A presença de nomes que estão no futebol europeu poderia ser maior, como vinha ocorrendo em convocações anteriores à lista definitiva. De qualquer maneira, o fato de a maioria dos titulares terem sido liberados deve facilitar o entrosamento entre os atletas, ainda que os “estrangeiros” deixem a desejar no ritmo de jogo.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Mitch Nichols. Polivalente, o atacante do Brisbane Roar possui um faro de gol apurado. Foi o herói da classificação dos Young Socceroos, na bacia das almas, para o Mundial Sub-20, com uma pintura marcada contra a Coreia do Norte. Principal artilheiro do elenco que vai ao Egito, com 11 gols em 22 partidas na categoria, já foi convocado, inclusive, por Pin Veerbeck para a seleção principal, na qual se acredita que terá um longo futuro.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Chris Herd. O fato de ter se transferido com 16 anos para o Aston Villa, da Inglaterra, poderia credenciá-lo ao posto de futura estrela do futebol australiano. No entanto, empréstimos sem brilho a Wycombe Wanderers e Port Vale fizeram com que seu potencial fosse colocado em dúvida. Nesta temporada, chegou a jogar pelo time principal do Villa na Copa da Paz, e foi mais lembrado por perder um dos pênaltis na final contra a Juventus do que por seu futebol em si. Mesmo sem ter recebido convocações anteriores, foi surpreendentemente chamado por Versleijen.
 
- O PROFETA...
Jason Holland. Presença constante nas convocações dos Socceroos, será a voz da experiência da equipe. Meio-campista dedicado à organização e a distribuição de bola, assumirá o papel de reger Nichols e Danning no ataque. Ganhou espaço rapidamente no elenco do Newcastle Jets campeão australiano em 2008 e, em janeiro deste ano, foi contratado por quatro temporadas pelo AZ Alkmaar, da Holanda.

- O FARAÓ...
Kofi Danning. Se Holland é a referência cerebral da equipe, Danning é certamente o diferencial técnico. O meia-atacante foi motivo de um grande esforço por parte da federação local para que pudesse jogar a competição no Egito. Nascido em Gana, o atacante veio para a Austrália com apenas sete anos. Passou, inclusive, pelo AIS e foi cotado como a pérola do futebol nacional. No entanto, as regras da FIFA impediriam a sua convocação, mas os australianos conseguiram convencer a entidade do contrário. Resta agora a Danning mostrar o porquê de tanta luta pelo seu futebol.

Elenco

GOLEIROS
Andrew Redmayne (Central Cast Mariners) – 13/01/1989
Dean Bouzanis (Liverpool-ING) – 02/10/1990
Alex Cisak (Leicester City-ING) – 19/05/1989

DEFENSORES
Daniel Mullen (Adelaide United) – 26/10/1989
Luke DeVere (Brisbane Roar) – 05/11/1989
Ryan McGowan (Hearts-ESC) – 15/08/1989
Matthew Jurman (Sydney FC) – 08/12/1989
Rhyan Grant (Sydney FC) – 26/02/1991
Sam Gallagher (Sydney FC) – 05/05/1991

MEIO-CAMPISTAS
James Holland (AZ Alkmaar-HOL) – 15/05/1989
Tahj Minnieon (Gold Coast United) – 13/02/1989
Aaron Mooy (Bolton Wanderers-ING) – 15/09/1990
Mitch Nichols (Brisbane Roar) – 01/05/1989
Thomas Oar (Brisbane Roar) – 10/12/1991
Chris Herd (Aston Villa-ING) – 04/04/1989
Sam Munro (Sydney FC) – 23/11/1990
Ben Kantarovski (Newcastle Jets) – 20/01/1992

ATACANTES
Jason Hoffman (Newcastle Jets) – 28/01/1989
Nathan Elasi (Melbourne Victory) – 18/11/1989
Kofi Danning (Sydney FC) – 02/03/1991
Sean Rooney (Newcastle Jets) – 01/03/1989



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