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Mundial Sub-20'09: Hungria

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Leandro Stein - 18/09/2009

A atual geração da equipe húngara tem uma missão difícil: livrar sua seleção nacional de um estigma. Desde o time vice-campeão mundial em 1954, que contava com Puskas, Kocsis, Czibor, dentre outros craques, a Hungria foi praticamente relegada ao ostracismo. Após o milagre de Berna e os dois ouros conquistados sob o falso amadorismo do futebol olímpico, nunca mais houve um resultado expressivo.

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55 anos depois, os jogadores selecionados para a disputa do Mundial Sub-20 parecem, ao menos, ter a capacidade para inserir os húngaros novamente no mapa do futebol. Com bons resultados em torneios anteriores e nomes já badalados no cenário europeu, o elenco tem tudo para fazer uma boa campanha.

Além disso, o grupo que vai ao Egito tenta quebrar um tabu nada agradável. Com quatro participações em Mundiais sub-20, os húngaros nunca passaram da fase de grupos do torneio. Foram apenas três vitórias em 12 jogos e a média negativa de 3,5 gols sofridos por partida.

As duas primeiras vezes que o país esteve presente no campeonato foram justamente em suas duas edições iniciais. Em 1977, na Tunísia, o único êxito veio na partida contra o Marrocos, vencida por 2 a 0. Dois anos mais tarde, no Japão, de novo só uma vitória, dessa vez contra a fraca Guiné.

Em 1985, no Japão, os magiares chegavam embalados. Atuais campeões do Campeonato Europeu Sub-19, vinham com a perspectiva de uma boa campanha. Contudo, foi fora de campo que a equipe perdeu a classificação. Após resultados idênticos aos da Colômbia, o segundo colocado do grupo seria decidido por sorteio. Na (falta de) sorte, os húngaros tiveram sua eliminação selada. O camisa nove do time era o avante Kálmán Kovacs, que já havia estreado pela seleção principal aos 17 anos e que, no ano seguinte, disputou a Copa do México.

Na sua última participação no Mundial sub-20, um desastre. Na Malásia, em 1997, três jogos, três derrotas, seis gols sofridos e apenas um marcado. Canadá, Austrália e a campeã Argentina foram os algozes.

Para o Mundial do Egito, os sinais são de que a seleção magiar pode passar pelo menos de fase. Sorteada em um grupo relativamente tranquilo, que conta com Honduras, Emirados Árabes e África do Sul, os húngaros têm grandes chances de se classificar em primeiro lugar e enfrentar um adversário menos badalado nas oitavas de final. Desafio mesmo para o time de Krisztián Németh, caso não aconteçam surpresas, só nas quartas.

Sensação nos Europeus

A confirmação da presença do time no Egito veio com uma ótima campanha no Campeonato Europeu Sub-19 de 2008. Nas fases classificatórias, cinco vitórias e um empate, com 16 gols marcados e apenas cinco sofridos. Dentre os eliminados pelos magiares, a seleção portuguesa.

Na última etapa do torneio, disputada na República Tcheca, os húngaros foram sorteados no Grupo A, que ainda contava com Alemanha, Espanha e Bulgária. Apesar da derrota para os alemães, o time se classificou com seis pontos. A desclassificação veio nas semifinais, diante dos italianos. Apesar de superior em grande parte da partida, o ataque magiar não conseguiu passar pelo goleiro Fiorillo e perdeu pelo placar mínimo.

Entretanto, engana-se quem pensa que o trabalho de formação dessa geração vem apenas do torneio sub-19. Desde o Campeonato sub-17 de 2006, a mesma base é mantida. Na ocasião, a equipe foi um dos destaques da disputa, deixando pelo caminho as seleções de Suécia, Portugal, Escócia e Ucrânia. Os húngaros chegaram à fase final, mas não passaram do terceiro lugar de seu grupo.

O fim da preparação do elenco foi iniciado nos últimos dias do mês de agosto, quando um grupo de 25 jogadores foi chamado para ser moldado e fechado para a disputa do Mundial. Dentre as propostas da concentração, estavam a realização de três amistosos. No primeiro jogo, vitória por 3 a 0 sobre o Pápa, adversário vindo da primeira divisão húngara. O MTK Budapeste, uma das equipes mais tradicionais do futebol local, foi o rival na disputa seguinte. O final da partida acabou sacramentando o empate por 2 a 2. E no último amistoso preparatório, mais um empate, dessa vez contra a equipe da Inglaterra sub-23.

Se os resultados não foram animadores, o técnico Sándor Egervári tem ao menos a desculpa de ser novo no cargo. O treinador, que já venceu três vezes o Campeonato Húngaro, chegou ao comando da equipe apenas na metade do mês de agosto. Seu antecessor, o holandês Wilco van Buuren, não teve bons resultados com o time. Durante a disputa do torneio Alpes-Adriático, que reúne seleções do sudeste europeu, a equipe não foi bem, o que culminou em sua demissão.

Van Buuren, inclusive, também não estava há tanto tempo no cargo. Ele assumiu após o contrato de Tibor Sisa, que dirigiu a campanha no Europeu Sub-19, não ter sido renovado pela federação húngara. Com duas mudanças em menos de um ano, é de se desconfiar que ainda falte uma centralização no comando da equipe.

Em função do artilheiro

Egervári optou por manter o principal esquema tático dos outros dois treinadores. O 4-2-3-1 deixa Krisztián Németh isolado no ataque e dá liberdade para que o armador Vladimir Koman aproveite os espaços deixados pelo avante. Entretanto, o treinador também tem testado uma alteração com o 4-4-2. Nela, Németh passa a ser um atacante de movimentação que tem como referência o centroavante Márkó Futács. O homem de área, além de dar força à jogada aérea, funcionaria como um pivô para fazer tabelas e prender os zagueiros nos avanços de seus companheiros.

O ponto positivo dessas variações táticas é que, pelo longo tempo em que a base do time já está formada, não há muitos problemas com a falta de entrosamento. Por jogarem juntos há mais de três anos, grande parte dos jogadores já conhece as formas de movimentação de seus companheiros, o que facilita bastante a adaptação. Mas mesmo com a convivência, alguns problemas ainda permanecem. A grande falha da equipe é a comunicação entre zagueiros e volantes. No Europeu Sub-19, por diversas vezes, a defesa abria espaços que não eram cobertos pelos meio-campistas defensivos. No final, sobrava para o goleiro Péter Gulácsi se virar diante dos atacantes adversários.

Gulácsi, aliás, é um dos pilares da equipe e apontado como um dos goleiros mais promissores de sua geração. Durante o torneio classificatório, compensou a falha de seus defensores e foi primordial para o avanço do time até as semifinais.Tem contrato com o Liverpool, mas atualmente está emprestado para ganhar experiência na terceira divisão inglesa.

O jogador mais badalado da defesa é o zagueiro do Honved, András Debreceni, que participou das campanhas do sub-17 e do sub-19.  Na meia-cancha, o cérebro do time é Vladimir Koman, que arma a maioria das jogadas da equipe. De seus pés, saíram nada menos que seis gols no torneio classificatório para o Mundial. Também vale mencionar Roland Varga, meia-atacante que veste a camisa do Brescia, da Itália.

E mesmo com tantos homens de qualidade, a Hungria tem um nome imprescindível no ataque e do qual depende a forma de jogo dos outros atletas: Németh. Jogador de muitíssima qualidade que se movimenta bem e marca gols com facilidade. Somando as suas participações nos Europeus Sub-17 e Sub-19, foram impressionantes 17 gols em 19 jogos. É o único jogador que não participará da preparação, já que seu clube só o liberou para a viagem ao Egito.

Dentre seus companheiros de posição, Márkó Futács, do Werder Bremen, vem ganhando espaço e pode chamar atenção. András Simon, atleta do Córdoba e que, assim como Németh, pertence ao Liverpool, é outro que pode interessar, caso jogue com regularidade.

O único desfalque sentido pelo time foi a não liberação do zagueiro Tamás Kádár. O defensor não conseguiu que seu clube, o Newcastle, permitisse sua ida ao campeonato. Outro fato relevante é que Egervári optou por não convocar nove dos jogadores presentes na campanha de classificação ao Mundial sub-20, a maioria por achar que não estava atuando em uma liga de alto nível. Para o treinador, mais que a continuidade, o ritmo de jogo é fundamental para um grande desempenho da equipe.

Curtas

ELE PROMETE IR À CAÇA...
Márkó Futács. O centroavante de 1,96 m tem entrado cada vez mais nos planos do técnico Sándor Egervári para compor o ataque ao lado de Németh. Forte e com grande presença no jogo aéreo, deverá ser o ponto de referência na grande área adversária. Começou a se destacar ainda pelos juvenis do Ferencváros e logo saiu para o Nancy. Neste ano, chegou ao Werder Bremen, onde estreou justamente na final da Supercopa da Alemanha, entrando no decorrer da partida.

NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Ádám Dudás. O ponta-direita conquistou grande projeção ao integrar a seleção europeia sub-17 em um amistoso, após boa participação na fase de elite do torneio continental da categoria, em 2006. No ano seguinte foi emprestado ao Spartak de Moscou, mas pouco jogou. E em 2008, uma lesão séria o tirou do Europeu Sub-19. Após tantos problemas, apenas recentemente tem voltado a atuar com maior regularidade. O Mundial deverá ser a sua chance para deixar de ser apenas uma promessa.

O PROFETA
Vladimir Koman. É o homem de criatividade do meio-campo, que faz grande parte das ligações ao ataque. Além disso, é o capitão da seleção e o termômetro do time. Prodígio, fez sua estreia por uma equipe principal aos 15 anos. Em 2006, chegou à Sampdoria e atuou pelas categorias inferiores dos blucerchiati. Após passar uma temporada por empréstimo no Avellino, foi novamente emprestado ao Bari, onde deverá ser a grande aposta na reestreia do clube na Serie A.

O FARAÓ
Krisztián Németh. Mortal nas finalizações, o atacante também tem um ótimo senso de colocação, o que o faz um artilheiro nato. Ainda por cima, costuma servir os companheiros com assistências. No MTK de Budapeste, tinha média de quase um gol a cada dois jogos com apenas 18 anos. Logo chamou atenção e foi para o Liverpool. Na Inglaterra, foi eleito o melhor jogador da Premier Reserves League. Na atual temporada, foi emprestado ao AEK Atenas e já tem se destacado.

Elenco

GOLEIROS
Peter Gulácsi (Liverpool-ING) – 06/05/1990
Balázs Megyeri (Ferencváros) – 31/03/1990
Ádám Kovácsik (Reggina-ITA) – 04/04/1991

DEFENSORES
András Debreceni (Honvéd) – 21/04/1989
Zsolt Korcsmár (Újpest) – 09/01/1989
Adrián Szekeres (MTK) – 21/04/1989
János Szábo (Paks) – 11/07/1989
Ádám Présinger (Videoton) – 26/01/1989
Bencze Zámbó (Gyõri ETO) – 17/08/1989

MEIOCAMPISTAS
Vladimir Koman (Bari-ITA) – 16/03/1989
Ádám Dudás (Gyõri ETO) – 12/02/1989
Bence Tóth (Ferencváros) – 27/07/1989
Peter Takács (Diósgyõr) – 25/01/1990
Ádám Simon (Szombathelyi Haladás) – 30/03/1990
Roland Varga (Brescia) – 23/01/1990
Máté Kiss (Gyõri ETO) – 30/04/1991

ATACANTES
Krisztián Németh (AEK Atenas-GRE) – 05/01/1989
András Simon (Córdoba-ESP) – 30/03/1990
András Gosztonyi (MTK) – 07/11/1990
Ádám Balajti (Diósgyõr) – 07/03/1991
Márkó Futács (Werder Bremen-ALE) – 22/02/1989



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