Dassler Marques - 19/09/2009
A poucos meses da Copa do Mundo, que será o maior momento esportivo da história na África do Sul, os preparativos finais, seja de infra-estrutura, ou seja na equipe do brasileiro Joel Santana, dominam o noticiário. Antes desse evento megalomaníaco, no entanto, os 21 jovens jogadores que compõem os Amajita, o time sub-20 do país, estarão no Egito atrás de uma participação que sirva de inspiração a seu povo e ao time mais velho.
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No próximo dia 27, a África do Sul enfrenta os Emirados Árabes Unidos em confronto que, apesar de ser uma estreia, pode direcionar os classificados no Grupo F, em que ainda há Hungria e Honduras na disputa por duas vagas. Se ocorrer, a classificação em território egípcio será uma façanha inédita para os Amajita.
Quarto colocado no Africano Sub-20, disputado no início do ano, o time sul-africano chega apenas pela segunda vez em sua história a um Mundial da categoria. Na década passada, logo após o fim do Apartheid, o país conseguiu classificação para a Copa de 98 e também para o Sub-20 de 1997. Assim como na França, no entanto, o desempenho no torneio júnior foi decepcionante: duas derrotas e um empate.
A euforia que veio com os resultados iniciais do fim do Apartheid, no entanto, não foi adiante. O surgimento de jogadores talentosos na África do Sul ainda é deficiente, o que inclusive gerou críticas sérias de Carlos Alberto Parreira, ex-técnico do time adulto, e que se propôs a realizar algumas mudanças na formação e organização na base do país. Apenas o sorteio generoso é que dá esperança para o time do treinador Serame Letsoaka, que mescla algum talento com problemas defensivos.
Preparação instável
Apesar de a quarta colocação não indicar um resultado exatamente formidável, o time sul-africano deixou boa impressão no torneio continental da categoria, disputado em janeiro. A boa equipe marfinense foi batida na estreia, enquanto a sequência trouxe uma vitória inédita em competições sub-20 sobre a Nigéria.
Depois, uma derrota em jogo sem importância precedeu uma semifinal histórica: 4 a 3 diante da eventual campeã Gana, em partida com várias alternativas. Na disputa pelo bronze, os nigerianos tiveram o gostinho da revanche e ratificaram o terceiro lugar com uma vitória de virada por 2 a 1.
Em relação ao Africano Sub-20, as principais modificações no elenco dos Amajita foi entre os reservas, já que praticamente todos os titulares foram mantidos – no total, são 11 remanescentes do torneio disputado em Ruanda.
A preparação do time também foi problemática nos últimos meses, em que os Amajita colecionaram algumas derrotas inesperadas. Apesar disso, o treinador Serame Letsoaka apontou as virtudes e viu os resultados de forma positiva. No entanto, só pôde trabalhar com o elenco completo para o Mundial por pouco mais de 10 dias, em que ainda precisará realizar uma viagem ao Egito.
O elenco sul-africano só ficou definitivamente completo nesta semana e realiza os ajustes finais de preparação para o Mundial em Bloenfontein, uma das sedes da última Copa das Confederações. O time tem enfrentado equipes locais, como o Tigers FC, que venceu por 2 a 1 na última quinta-feira, 17. Antes, o treinador precisou lidar com desfalques de jogadores envolvidos em outras competições por seus clubes, o que só foi resolvido com a federação local fazendo ajustes de calendário para a liberação dos garotos.
Serame Letsoaka, aliás, é considerado um dos grandes mentores da equipe. Com largo histórico em categorias de base, ele passou por outras seleções menores e deve assumir um cargo diretivo na Federação Sul-Africana logo após o Mundial no Egito.
Apesar dos problemas, o treinador tem mostrado um discurso confiante a respeito de seus jogadores, ficando feliz com o fato de ser considerado azarão. “Somos um bom time e não duvido disso. É sempre bom quando você não é favorito, pois pode surpreender as pessoas. Em nosso time, temos jogadores empolgantes, que mostrarão do que são capazes ao resto do mundo”, declarou.
As armas africanas
O time sul-africano é classificado como talentoso ofensivamente e moldado para os contra-ataques. De fato, os principais valores do time estão na frente, o que faz da defesa uma verdadeira peneira. No Africano Sub-20, foram nove gols sofridos em cinco partidas, o que torna vital a necessidade de uma postura defensiva mais organizada para o Egito.
Se conseguir equilibrar seu time, o técncio Serame Letsoaka pode conseguir o feito inédito de colocar um time sub-20 da África do Sul entre os 16 melhores do planeta. Afinal, o centroavante Kermi Erasmus é um dos mais promissores do futebol holandês e atua com suportes valiosos.
É o caso de Thulani Serero, do Ajax Cape Town, e de Mandla Masango, destaque da última temporada no país defendendo o Kaizer Chiefs. Já na Holanda, onde atua nas categorias de base do Ajax, Dylon Claasen é mais um jogador de frente que cria expectativas acerca de seu potencial.
Possivelmente, a África do Sul deve atuar no ortodoxo 4-4-2 em território egípcio, normalmente com Masango ocupando a faixa direita do meio – mas é melhor ainda aguardar. Por ora, os sul-africanos são mais um franco-atirador em um grupo bastante equilibrado e sem bichos-papões. Uma ótima oportunidade para superar limites e escrever a história. A menos de um ano da Copa do Mundo em seu próprio país, não haveria momento mais oportuno.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA…
Kermit Erasmus. Conseguir a liberação de seu jogador mais badalado foi a grande vitória para os sul-africanos. Com o nome comentado há pelos menos três temporadas e comparações entusiasmadas com Wayne Rooney e Romário, o centroavante revelado pelo Supersport United, e pertencente ao Feyenoord, vem com bom desempenho emprestado ao Excelsior, em que já marcou três gols em cinco jogos. Reforço providencial em relação ao Africano Sub-20, que não disputou.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Darren Keet. O goleiro do Bidvest Wits possivelmente não será titular no Egito – o posto é de Ngobeni, do Kaizer Chiefs. Ainda assim, merece citação pelo currículo que inclui uma passagem curiosa pelo Vasco da Gama (sim, o brasileiro). O treinador Letsoaka, aliás, mudou dois dos três arqueiros do último Africano Sub-20. Keet é novidade ao lado do jovem Salie, classe /91.
- O PROFETA...
Ramahlwe Mphahlele. Capitão no Africano Sub-20, Mphahlele já é escolha regular em seu clube, o Moroka Swallows. Tentará ao máximo orientar o deficiente sistema defensivo dos Amajita.
- O FARAÓ...
Mandla Masango. Armador habilidoso e revelação do futebol sul-africano na última temporada, Masango, do Kaizer Chiefs, é quem ditará o ritmo de jogo dos Amajita, podendo atuar aberto pela faixa direita do meio-campo.
Elenco
GOLEIROS
Darren Keet (Bidvest Wits) - 05/08/1989
Thela Ngobeni (Kaizer Chiefs) – 04/02/1989
Tawfeeq Salie (Ajax Cape Town) – 21/07/1991
DEFENSORES
Sibusiso Khumalo (Moroka Swallows) – não divulgado
Sibusiso Mxoyana (Orlando Pirates) – não divulgado
Thulani Hlatshwayo (Ajax Cape Town) – 18/12/1989
Ramahlwe Mphahlele (Moroka Swallows) – 01/02/1990
Ace Bhengu (Moroka Swallows) – 19/11/1989
Andile Jali (Orlando Pirates) – 10/04/1990
Collen Zulu (Supersport United) – 01/01/1991
MEIO-CAMPISTAS
Kamohelo Mokotjo (Supersport United) – 11/03/1991
Dylon Claasen (Ajax-HOL) – 28/01/1990
Sameehg Doutie (Ajax Cape Town) – 31/05/1989
Thulani Serero (Ajax Cape Town) – 11/04/1990
Philani Khwela (Supersport United) – 22/08/1991
Mandla Masango (Kaizer Chiefs) – 18/07/1989
Gladwin Shitolo (Jomo Cosmos) – 10/08/1989
ATACANTES
Thulane Ngcepe (Moroka Swallows) – 19/01/1990
George Maluleka (Supersport United) – 07/01/1989
Kermit Erasmus (Feyenoord-HOL) – 08/07/1990
Dino Ndlovu (Platinum Stars) – 15/02/1990
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