Pedro Venancio - 21/09/2009
Objeto de discussões incessantes em resenhas esportivas, banheiros de repartição pública, filas de banco e mesas de bar, as convocações para a seleção brasileira geralmente deixam nos torcedores uma sensação de injustiça. Diz a crença popular que sempre existe alguém que poderia estar lá, mas que, por algum motivo, não foi escolhido entre os melhores do país.
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Nomes como Djalma Dias, Dirceu Lopes e, mais recentemente, Alex, foram ídolos em seus clubes, mas não realizaram o sonho de ir a uma Copa do Mundo por decisão dos treinadores da época e ajudam a alimentar essa polêmica.
Na seleção sub-20, a história não é diferente. Desde o surgimento do Mundial da categoria, em 1977, vários jogadores com potencial para representar o Brasil na competição não tiveram essa chance. E os motivos são diversos, variando entre a não liberação dos clubes, problemas disciplinares ou critérios puramente técnicos.
A diferença em relação aos injustiçados das Copas é que os garotos tiveram a carreira inteira para provar que mereciam a oportunidade. Ou, no caso dos não liberados, atestar que foram grandes desfalques para a seleção brasileira no campeonato. Para fomentar o debate nesse período de Mundial Sub-20, Olheiros fez uma lista com 10 nomes que poderiam ter, tranquilamente, defendido as cores brasileiras na base. Confira abaixo.
Reinaldo (1977)
Maior ídolo da história do Atlético Brasileiro, Reinaldo tinha 20 anos em 1977, quando foi realizado o primeiro Mundial Sub-20 na Tunísia. Mas já brilhava nos profissionais do Galo desde os 16, e não foi liberado para a competição – alguma semelhança com o que vivemos hoje?. Naquele ano, o “Rei” foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro com impressionantes 28 gols em 17 jogos, média não alcançada por nenhum outro jogador até hoje. Disputou a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, e poderia ter feito muito mais pelo futebol brasileiro, se não tivesse tido a carreira abreviada por nove cirurgias nos joelhos.
Romário (1985)
Destaque absoluto do Sul-Americano Sub-20 de 1985, o Baixinho aprontava das suas já naquela época e não jogou o Mundial da categoria por um ato de indisciplina até hoje mal esclarecido. Especula-se que o centroavante tenha jogado um balde de urina na cabeça do técnico Gilson Nunes, versão desmentida por seu Edevair, pai do atacante, que afirmou que o filho tinha um caso com a esposa do treinador. Polêmicas à parte, Nunes escalou Balalo, atacante que teve relativo sucesso no Internacional no final dos anos 80, e Romário, além de ganhar a Copa América de 1989 e o tetracampeonato mundial em 1994, seguiu acumulando cortes de seleções brasileiras no currículo.
Zinho (1987)
Promovido aos profissionais do Flamengo em 1986, Zinho assumiu a posição de titular já naquele ano e estava cotado para a disputa do Mundial Sub-20 de 1987, no Chile. Mas o técnico Gilson Nunes optou pelos vascaínos William e Bismarck, que subiam cercados de paparicos em São Januário e foram campeões cariocas naquele ano. Restou a Zinho se consagrar nos 18 anos seguintes, conquistando cinco campeonatos brasileiros, seis títulos estaduais, duas Copas do Brasil, uma Taça Libertadores da América e a Copa do Mundo de 1994 com a seleção brasileira.
Sylvinho (1993)
Versátil e habilidoso, Sylvinho alternava a lateral esquerda com a volância e era apontado como uma das maiores promessas corintianas do início da década de 90. Na seleção sub-20, porém, não tinha espaço e sua participação no Mundial de 1993, na Austrália, não foi sequer cogitada. O escolhido foi o limitado Wagner, então na Juventus. Nos anos seguintes, porém, Sylvinho construiu uma belíssima e bem planejada carreira. Atuou por quatro anos como titular do Corinthians, foi vendido ao Arsenal em 1999 e passou por Celta e Barcelona, até chegar ao Manchester City. É, até hoje, respeitadíssimo em todos os clubes que passou.
Ronaldo (1995)
Nascido em 1976, Ronaldo já tinha queimado algumas etapas antes do Mundial Sub-20 de 1995, no Catar. Depois de arrebentar no Cruzeiro em 1993 e 1994, o atacante já contava com uma Copa do Mundo no currículo, era astro do PSV-Eindhoven e, naquela temporada, disputava com o também garoto Patrick Kluivert a artilharia do Campeonato Holandês. O “fenômeno”, que ainda não tinha esse apelido na época, rechaçou gentilmente a possibilidade de ser convocado pelo técnico Jairo Leal, que acabou levando Reinaldo, Caio e Luizão.
Juninho Pernambucano (1995)
Mesmo tendo arrebentado em alguns jogos do Campeonato Brasileiro de 1994, Juninho não era considerado um dos meias mais promissores do país na época. Os holofotes recaíam sobre Claudinho, da Ponte Preta, Gláucio, do Feyenoord, e Murilo, habilidoso e inconstante meia do Internacional que simplesmente sumiu após o Mundial. Enquanto isso, Juninho seguia trabalhando no Recife até ser negociado com o Vasco e iniciar uma trajetória de muito sucesso na Colina que durou até 2001. Após conturbada transferência para o Lyon, retomou sua trajetória de sucesso, sendo campeão nacional nas sete temporadas seguintes e disputando a Copa do Mundo de 2006 pela seleção brasileira.
Felipe (1997)
O então lateral esquerdo já exibia seus dribles curtos e infalíveis pelo Vasco na época do Mundial Sub-20 de 1997, na Malásia. Mas o treinador brasileiro, Toninho Barroso, apostou em duas outras boas opções: Athirson e Fábio Aurélio, que atuava como meia no São Paulo e fazia bela dupla com Serginho pelo lado esquerdo do campo. No Brasileirão de 1997, porém, Felipe se firmou como uma das grandes revelações do país, a ponto de, no ano seguinte, ter sido o primeiro lateral esquerdo usado por Vanderlei Luxemburgo na equipe principal. Seu temperamento explosivo, no entanto, encurtou muito sua história com a amarelinha.
Diego (2003)
Campeão Brasileiro em 2002, Diego teve sua convocação para o Sul-Americano Sub-20 do ano seguinte barrada pelo então técnico santista Emerson Leão, que considerava que o torneio não acrescentaria nada à carreira do jogador. Com a estreia na seleção principal no início de 2003 e a precoce participação em jogos de Eliminatórias para a Copa do Mundo, sua participação no Mundial dos Emirados Árabes Unidos se tornou inviável. Quem lucrou com isso foi Fernandinho, do Atlético Paranaense, que, além de ganhar uma vaga no time, fez o gol do título na final contra a Espanha.
Robinho (2003)
Assim como Diego, o atacante teve sua participação no Sul-Americano Sub-20 de 2003 vetada e foi, durante todo o ano, alvo de uma disputa feroz entre Santos e CBF por seus serviços. O ano foi crucial para a carreira de Robinho, que foi vice-campeão da Taça Libertadores da América, mas caiu muito de produção durante a temporada e chegou a perder a posição de titular no Santos. Foi substituído por quatro bons nomes - Nilmar, Dagoberto, Kléber e Andrezinho – e assistiu ao Mundial pela televisão. No mês seguinte, participou, junto com Diego, do fiasco da seleção pré-olímpica no Chile.
Vágner Love (2003)
Principal jogador da seleção sub-20 que foi aos Jogos Pan-americanos, em Santo Domingo, Vágner Love já era o destaque do Palmeiras, que naquele ano disputava a Série B. Como as datas do Mundial coincidiram com o quadrangular final da Segundona, os dirigentes palmeirenses pediram a sua liberação e foram atendidos pela CBF. Seis meses depois, Vágner fez parte do grupo que conquistou a Copa América de 2004, e conseguiu o bicampeonato em 2007. Mas nunca se firmou na seleção e perdeu espaço para Luís Fabiano e Nilmar.
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