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Marcus Alves - 30/09/2009

Foram dois anos e meio agitados. A Nigéria enfrentou uma série de turbulências na organização do Mundial Sub-17. Denúncias de corrupção contra dirigentes e escândalos envolvendo a falsificação de documentos de atletas estouraram no país durante esse período. Sob pressão, o governo chegou a abdicar do direito de organizar o campeonato, mas voltou atrás em seguida. Será em meio a esse cenário conturbado que a seleção brasileira brigará para recuperar o seu prestígio na categoria. Veja quais foram as dificuldades que os nigerianos encontraram em sua caminhada.

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Atraso nas obras

Mesmo a quatro semanas de seu início, ainda pairam dúvidas sobre realização do Mundial Sub-17 na Nigéria. Nessa altura, no entanto, parece pouco provável que a Fifa anuncie uma mudança de planos. A entidade deve manter a competição no país. Mas diferentemente do que havia previsto, não fará mais uso de oito cidades-sedes. No anúncio oficial das escolhidas, preferiu deixar Warri de fora. Pesaram os problemas de infra-estrutura e de insegurança que são comuns a outros locais. Não por acaso, os Emirados Árabes ameaçaram desistir do torneio em virtude das condições encontradas em sua chegada.

Falta de apoio político

Não fosse pelo poder de persuasão, a Nigéria não teria sequer apresentado a sua candidatura a Fifa. Os dirigentes tiveram que convencer o presidente Umaru Yar'Adua a apoiar o Mundial Sub-17 no país para conseguir encaminhar a proposta. A princípio, Yar'Adua não se mostrou muito interessado em receber a competição e se assustou com os gastos que ela exigiria. Mas, no final, acabou aprovando um orçamento menor. Como consequência da redução, não faltou quem reclamasse da falta de dinheiro para o cumprimento de tarefas durante a preparação.

Corrupção

Antes mesmo de a Fifa anunciar a Nigéria como sede do Mundial Sub-17, já existia no país o temor de que, com tamanha exposição internacional, fossem escancarados ao mundo os problemas de conduta que existem em sua alta esfera. E acabou sendo isso mesmo que aconteceu após ser revelado que diversos dos contratos fechados para o campeonato foram feitos de forma irregular, sem respeitar processos de licitação. Ainda foram identificados possíveis agrados de empresas a dirigentes para que houvesse favorecimento em outras disputas.

Ameaças de protestos

Se as diferenças entre o governo nigeriano e as universidades não forem resolvidas até o início do Mundial Sub-17, os estudantes prometem interromper a competição. Para isso, planejam realizar um protesto que reunirá 700 mil pessoas nuas no país. Há mais de três meses sem aulas, eles estão inconformados com a postura das autoridades, que se negam a cumprir o acordo salarial firmado com os professores em 2001 e investem em um campeonato que não tem o respaldo da população.

Terrorismo

Os dirigentes nigerianos garantem que não há com o que se preocupar e que a segurança de todos os envolvidos no Mundial Sub-17 está assegurada, mas, na verdade, temem atos terroristas. O movimento separatista da região de Niger Delta avisou através da imprensa que ninguém estará protegido durante o torneio. Recentemente, ele atacou uma estação de petróleo mantida por uma empresa norte-americana no país. O vice-presidente da Fifa, Jack Warner, deixou, inclusive, de visitar um estádio por causa de ameaças do grupo em maio.

Os “gatos”

A confirmação de que 15 dos 36 jogadores que vinham se preparando para o Mundial Sub-17 possuíam idades adulteradas estourou como uma bomba na Nigéria. No centro de discussões que se espalharam pelo país, a federação local foi acusada de envergonhar os nigerianos com a realização de exames de idade óssea. Mesmo autoridades de outras áreas se envolveram no debate, que foi agravado com a notícia de que, após a descoberta dos “gatos”, os dirigentes criaram um time B para se precaver quanto ao surgimento de novos casos.

Arquibancadas vazias?

Se nem mesmo em Copas do Mundo os estádios ficam sempre cheios, o que dizer, então, em Mundiais Sub-17? Some-se a isso o baixo interesse do público e os nigerianos chegaram a conclusão de que precisavam se movimentar para atrair os torcedores para o campeonato. Somente o governo de Lagos investiu cerca de 400 mil reais para comprar 15 mil dos 20 mil lugares das partidas que serão disputadas na região. Os demais ingressos serão vendidos normalmente. O Brasil atuará, portanto, com arquibancadas lotadas na primeira fase.



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