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Retrospectiva do Mundial

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Maurício Vargas - 04/10/2009

Os Mundiais Sub-17 podem ser lembrados por duas formas bastante distintas: a primeira aparição de grandes nomes como Buffon e Ronaldinho Gaúcho ou o único momento de brilho de eternas promessas como Nii Lamptey. Com as progressivas dispensas do Sub-20, já recheado de profissionais, a competição que reúne os melhores juvenis do mundo vai ganhando em importância, podendo ser considerado já hoje não mais a primeira, mas talvez a última oportunidade de se acompanhar todos os destaques de cada geração lado a lado. Assim, nada melhor de esquentar as turbinas para o campeonato que se aproxima lembrando como foram as edições passados. O Olheiros te leva nessa viagem pelo tempo.

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1985

Campeão: Nigéria
Surpresa: Guiné
Decepção: Argentina
Revelação: William (meia, Brasil)
Artilheiro: Marcel Witeczek (Alemanha) - 8 gols


O primeiro Mundial Sub-17 veio oito anos após o primeiro Sub-20, tempo até demais para João Havelange, mentor dessas competições de base entre seleções. A China foi eleita sede como parte do plano de globalização e abertura do futebol para centros menores, e o campeonato, então sub-16, teve boas médias de gols e público. A Nigéria mostrou um time muito forte fisicamente e ainda assim veloz, suplantando os adversários sem muita dificuldade. O Brasil de André Cruz, Bismarck e William não teve muito brilho, mas ainda assim terminou em terceiro. Destaque para as participações de nomes como Medford e Wanchope (Costa Rica) e Etcheverry e Erwin Sanchez (Bolívia).

1987

Campeão: União Soviética
Surpresa: Costa do Marfim
Decepção: Brasil
Revelação: Phillip Osundo (meia, Nigéria)
Artilheiros: Moussa Traore (Costa do Marfim) e Youri Nikiforov (União Soviética) – 5 gols


O Mundial do Canadá não repetiu o sucesso da edição anterior e rendeu muito pouco, tanto em termos de futebol apresentado quanto de jogadores revelados. Novamente, força física e velocidade falaram mais alto e, com isso, União Soviética e Nigéria fizeram a final – um jogo muito disputado, sem grandes chances e decidido nos pênaltis. O único nome de destaque foi Philipp Osundo, autor de um golaço na final e dotado de grande habilidade. Tempos depois, descobriria-se se tratar de mais um caso de idade adulterada no futebol africano. O Brasil de Carlos Germano, Paulo Nunes e Sonny Anderson deu vexame: empatou sem gols com França e Arábia Saudita e perdeu para a Austrália por 1 a 0, caindo na primeira fase.

1989

Campeão: Arábia Saudita
Surpresa: Arábia Saudita
Decepção: Argentina e Brasil
Revelação: James Will (goleiro, Escócia)
Artilheiros: Tulipa e Gil (Portugal), Khaled Jasem (Bahrein), Fode Câmara (Guiné) e Khalid Al Romaihi (Arábia Saudita): 3 gols


1989 foi um ano bizarro nos Mundiais de base: a Arábia Saudita sediou o Sub-20 e não passou da primeira fase, mas no Sub-17 da Escócia aprontou e chegou ao título. O campeonato teve alguns participantes pouco usuais e foi recheado de resultados estranhos, como a eliminação brasileira para o Bahrein, nas quartas de final, nos pênaltis. Foi também na marca da cal que a Nigéria foi eliminada pelos sauditas e dessa forma que o título foi decidido: os donos da casa lideravam por 2 a 0 no intervalo, permitiram o empate e não contaram com a estrela do goleiro James Will, que já havia defendido pênaltis em outros jogos, mas foi vazado nas cinco cobranças. O Mundial mais alternativo da história terminou sem deixar saudade e nem grandes nomes revelados.

1991

Campeão: Gana
Surpresa: Catar
Decepção: Itália
Revelação: Nii Lamptey (meia, Gana)
Artilheiro: Adriano (Brasil), Nii Lamptey (Gana) – 4 gols


1991 foi o ano de Lamptey. O meia ganes já havia disputado o Mundial anterior e chamado a atenção, mas foi dois anos depois que estourou definitivamente e levou os Estrelas Negras, treinados por Otto Pfister, ao título. Seu repertório de passes, dribles, chutes e jogadas de efeito encantaram o mundo e até levaram Pelé a considerá-lo seu verdadeiro sucessor. O resultado? Tornou-se a maior eterna promessa do futebol mundial. Numa época em que o defensivismo era combatido e o esquema da moda tinha três zagueiros e um líbero, Gana mostrou ao mundo um futebol vistoso e plástico. Pior para o Brasil, que fez uma campanha perfeita na primeira fase mas caiu logo de cara com os africanos no primeiro mata-mata. Sem muito brilho, a Espanha chegou à decisão eliminando Alemanha, Argentina e uma resoluta seleção do Qatar apenas nos pênaltis, mas não foi páreo para os ganeses.

1993

Campeão: Nigéria
Surpresa: Chile
Decepção: Itália
Revelação: Daniel Addo (meia, Gana)
Artilheiro: Wilson Oruma (Nigéria) – 6 gols


O Mundial do Japão provou que as seleções africanas dominavam a categoria sub-17 – hoje sabe-se melhor porquê. Nigéria e Gana não tomaram conhecimento de seus adversários, venceram todos os jogos e fizeram uma final bastante esperada, ainda mais com a Argentina eliminada na primeira fase e o Brasil que sequer se classificou. A vitória nigeriana provou-se justa, já que rendeu para o futuro nomes como Nwankwo Kanu, Celestine Babayaro e Ibrahim Babangida. A Itália, eliminada na primeira fase, teve as participações de Buffon e Totti, e Chile e Polônia, na falta de seleções de peso, chegaram à semifinal sem muito esforço.

1995

Campeão: Gana
Surpresa: Omã
Decepção: Alemanha
Revelação: Pablo Aimar (meia, Argentina)
Artilheiro: Mohamed Al Kahtiri (Omã) e Daniel Allsopp (Austrália) – 5 gols


Já estava ficando chato, e no Equador um time africano foi campeão pela quarta vez em seis Mundiais Sub-17. Gana não tinha uma geração tão brilhante quanto nos anos anteriores, mas foi o suficiente para passar por Portugal e o surpreendente Omã (que eliminou a Nigéria) até bater o Brasil com certa tranquilidade na decisão, abrindo 2 a 0 no primeiro tempo. Brasil que, nome por nome, tinha uma seleção até bastante inferior à da Argentina, mas que venceu os hermanos por 3 a 0 na semifinal.

1997

Campeão: Brasil
Surpresa: Omã
Decepção: Argentina
Revelação: Ronaldinho Gaúcho (meia, Brasil)
Artilheiro: David (Espanha) – 7 gols


O Egito já sediou um Mundial de base antes – e que Mundial! Foi lá que brilhou pela primeira vez a estrela de Ronaldinho Gaúcho, que comandou um meio-campo à altura considerado muito promissor com Abel, Matuzalem e Fábio Pinto, responsável pela melhor campanha de uma equipe em um Sub-17: foram só vitórias, 21 gols marcados e 2 sofridos. Os triunfos sobre Argentina (2 a 0 nas quartas) e Alemanha (4 a 0 na semi) mostram a qualidade de uma equipe que tinha ainda o goleiro Fábio, os laterais Andrey e Jorginho Paulista e o atacante Anaílson, além de Ferrugem. Foi o Mundial com melhor média de gols: 3,66 por jogo, graças principalmente à dupla de ataque espanhola composta por Sérgio e David – só contra a Nova Zelândia, o placar foi 13 a 0.

1999

Campeão: Brasil
Surpresa: Austrália
Decepção: Alemanha
Revelação: Landon Donovan (meia, EUA)
Artilheiro:Ismael Addo (Gana) – 7 gols


A missão na Nova Zelândia foi mais difícil, mas mesmo assim o Brasil de Rubinho, Eduardo Costa, Andrezinho e Adriano conquistou o bicampeonato. O único jogo tranquilo foi nas quartas contra o Paraguai, e a final contra a Austrália não teve gols e foi decidida após 15 cobranças de pênalti. Sem Argentina e Nigéria, Brasil e Gana fizeram uma final antecipada na semi e foi um jogaço, definido apenas nos penais após 2 a 2. A excelente campanha dos Estados Unidos, semifinalistas, rendeu ao US Team dois jogadores importantíssimos nesta década: Landon Donovan e Damarcus Beasley, ao passo que foi esta a última boa campanha dos ganeses na competição.

2001

Campeão: França
Surpresa: Burkina Faso
Decepção: Espanha
Revelação: Carlos Tevez (atacante, Argentina)
Artilheiro: Sinama Pongolle (França) – 9 gols


A França vivia um momento mágico: campeã mundial, europeia e da Copa das Confederações. Para completar, veio o título no Sub-17, o que levou muitos a considerar os Bleus a nova potência do futebol. Não foi para tanto, mas nomes como Sinama Pongolle, Le Tallec e Faty tiveram uma campanha irrepreensível em Trinidad & Tobago, escolhido como sede graças ao prestígio do vice-presidente da FIFA, Jack Warner, lá nascido. Os franceses eliminaram Brasil e Argentina no mata-mata e bateram a Nigéria na final, com apresentações sólidas e um 3-5-2 eficaz. Apesar de não terem brilhado muito, dois atacantes de peso disputaram aquele Mundial: Fernando Torres e Carlitos Tevez.

2003

Campeão: Brasil
Surpresa: Colômbia
Decepção: Nigéria
Revelação: Cesc Fabregas (meia, Espanha)
Artilheiro: Cesc Fabregas (Espanha), Carlos Hidalgo (Colômbia), Manuel Curto (Portugal) – 5 gols


O Brasil retomou a hegemonia comandado por Marcos Paquetá, em um time que tinha como destaques Arouca, Evandro, Éderson e Abuda. A Argentina fez a melhor campanha da primeira fase, mas caiu na semifinal diante de uma resoluta Espanha, inspirada pelas grandes atuações de Cesc Fabregas. Os Estados Unidos já tinham Freddy Adu, então com 14 anos, que marcou três na goleada de 6 a 1 sobre a Coreia do Sul. A Nigéria decepcionou e caiu na primeira fase, enquanto a Colômbia, credenciada por incríveis 9 a 1 sobre os anfitriões finlandeses graças a Carlos Hidalgo e Gustavo Ramos, caiu apenas na semifinal ante o Brasil.

2005

Campeão: México
Surpresa: Coreia do Norte
Decepção: Itália
Revelação: Giovanni dos Santos (meia, México)
Artilheiro: Carlos Vela (México) – 5 gols


A edição do Peru foi cercada de muita expectativa, afinal o Brasil era novamente favorito. Contudo, a derrota por 3 a 1 pra Gâmbia na estreia foi um grande golpe sobre as pretensões do time de Nelson Rodrigues, que sofreu mas ainda se classificou em primeiro. Enquanto isso, os Estados Unidos (sem Adu) eliminaram a Itália, Turquia e México avançaram com méritos e Costa Rica e China eliminaram os anfitriões e Gana. O Brasil só bateu a Coreia do Norte na prorrogação e quase jogou fora a vaga na final diante da Turquia de Nuri Sahin, mas chegou como favorito à decisão. O México, com Giovanni dos Santos e Carlos Vela, mostrou o melhor futebol durante todo o torneio e venceu merecidamente.

2007

Campeão: Nigéria
Surpresa: Peru
Decepção: Brasil
Revelação: Toni Kroos (meia, Alemanha)
Artilheiro: Macauley Chrisantus (Nigéria) – 7 gols


O último Mundial pecou um pouco em emoção e qualidade, talvez pela pífia campanha brasileira e pelo aumento no numero de participantes, para 24. A Argentina também não teve qualidade e os únicos bons times foram realmente os que acabaram nas três primeiras posições: a Alemanha de Toni Kroos e Richard Sukuta-Pasu merecia melhor sorte, mas caiu na semifinal ante uma Nigéria surpreendentemente forte na defesa. A Espanha de Bojan e Mérida, que pareceu chegar como favorita à decisão, acabou parando nas mãos de Oladele Ajiboye na disputa de pênaltis. Mas a Nigéria teve sim um destaque ofensivo: Macauley Chrisantus, artilheiro do campeonato, que desde então já oscila bastante. Como nota negativa, a descoberta que alguns campeões tiveram a idade adulterada antes do Mundial.



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