Gabriel Dudziak e Pedro Venancio - 04/10/2009
Nove dias de disputa, 36 jogos realizados, apenas sete empates, 115 gols marcados, bom futebol, joguinhos modorrentos e goleadas em dose razoável. Com esse retrospecto chegou ao fim no sábado a primeira fase do Mundial Sub-20 2009, disputado no Egito. Até aqui o que era previsto antes da realização do torneio em geral ocorreu, mas surpresas e decepções também já deram as caras na competição.
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Como era imaginado Brasil, Uruguai, Gana, Alemanha e Espanha deram as cartas em seus grupos e chegaram bem às oitavas de final com campanhas bastante positivas. A expectativa agora é de que as cinco equipes lutem arduamente pelo título do torneio e promovam embates dignos de nota, um deles já marcado para a próxima fase, entre Brasil e Uruguai. Mesmo assim, Paraguai, República Tcheca e Egito, apesar de estarem em um nível abaixo das supracitadas, mostraram potencial para surpreender as favoritas.
Surpresa, aliás, foi a palavra de ordem para uma série de desempenhos observados na primeira fase. Coreia do Sul e Venezuela surpreenderam positivamente, tendo boas atuações e desbancando adversários de maior poderio para chegar às oitavas. O que acontecerá daqui para frente com as zebras é difícil de precisar, mas pode-se dizer que o avanço já foi uma grande conquista. Os destaques negativos ficaram por conta da Nigéria, que mesmo sendo uma das favoritas só chegou à fase seguinte como uma das terceiras melhores colocadas, de Camarões, que ficou na última posição de seu grupo, e da Inglaterra, que foi eliminada com apenas um ponto, um gol marcado e seis sofridos.
Fora das quatro linhas o destaque dessa primeira fase foi o fervor e a empolgação que o torneio causou no Egito. A cidade abraçou a disputa de uma forma invejável e os torcedores têm prestigiado todas as seleções. Logicamente os próprios Faraós são os responsáveis pela maior parte da animação egípcia. Segundo estatísticas oficiais, nas três partidas da primeira fase, a seleção local levou nada menos do que 196 mil pessoas aos estádios do país, média de 64 mil por jogo e recorde da história do Mundial Sub-20. (Gabriel Dudziak)
Brasil: classificação tranquila
A classificação brasileira para a segunda fase, se não foi brilhante, não teve nenhum sobressalto e chegou logo na segunda rodada, com o empate sem gols contra a República Tcheca, em um jogo amarrado, com poucas oportunidades para as duas equipes. A goleada por 5 a 0 contra a Costa Rica, na estreia, garantiu ao time a tranquilidade necessária para poder adquirir entrosamento, e possibilitou ao técnico Rogério Lourenço fazer algumas experiências.
O primeiro lugar do grupo E veio com uma vitória por 3 a 1 contra a Austrália, em jogo em que a seleção atuou com apenas três titulares e contou com a inspiração de Paulo Henrique Ganso e Douglas Costa para virar o placar. Os meias, aliás, têm sido os principais destaques individuais da equipe. No primeiro jogo, contra a Costa Rica, Giuliano fez um golaço e foi o melhor em campo, enquanto Alex Teixeira se destacou contra os tchecos com uma linda jogada no último minuto da partida.
O ataque, porém, ainda não se acertou, apesar dos dois gols de Alan Kardec e da boa atuação de Ciro contra os australianos. E a defesa titular, que mostrou ser razoável, ainda sofre para cobrir os avanços dos laterais Douglas e Diogo. O goleiro Rafael, quando exigido contra a Austrália, tomou um frangaço e não conseguiu mais transmitir segurança ao time. Ainda assim, os brasileiros merecem respeito e, com alguns ajustes, são fortes candidatos ao título da competição. Como o adversário das oitava será duro, é esperar para ver. (Pedro Venancio)
Os favoritos chegam com força
Além da seleção brasileira, Espanha, Gana, Uruguai e Alemanha vão para a fase de mata-mata com grandes chances de voltarem com o troféu para casa. Até o momento os espanhóis detêm a melhor campanha do torneio, com três vitórias em três jogos,13 gols marcados e nenhum sofrido. Mais do que a frieza dos números, é possível perceber que o treinador Luis Milla já arranjou a sua equipe ideal, mesmo sem contar com Bojan.
No 4-2-3-1 ofensivo montado pelo comandante da Espanha, o grande destaque da equipe até o momento está na primeira linha do meio de campo. Trata-se de Fran Mérida, que atuando como segundo volante tem a chance de cadenciar o jogo e chegar à frente para também marcar gols; foram três na primeira fase. A retranca italiana deve causar dificuldades à Fúria, mas o bom time espanhol tem tudo para avançar de fase.
Gana vai às oitavas bastante satisfeita com o desempenho até o momento. Depois da vitória contra o Uzbequistão e da goleada sobre a Inglaterra, os Estrelas Negras chegaram à última partida da fase de grupos com o regulamento debaixo do braço. Podendo empatar com o Uruguai para garantir a primeira posição, os comandados de Sellas Tetteh mostraram autoridade, jogaram melhor, encurralaram o Uruguai e abriram um 2 a 0 no placar.
No entanto, um cartão vermelho pôs tudo a perder e os africanos cederam o empate. O "tropeço", no entanto, não tirou a confiança da equipe, que tem até aqui um inspirado e habilidoso Dedé Ayew e os eficientes goleadores Osei e Adiyiah liderando a base que já havia ido bem no Sub-17 de 2007. Contra a África do Sul, os Estrelas Negras são favoritos e devem passar sem grandes problemas.
Pragmática e eficiente como sempre, a Alemanha chega ao mata-mata do Mundial menos badalada do que as concorrentes, mas ainda assim com boas chances. Na fase de grupos, os desfalques dos meias Sascha Bigalke e Toni Kroos foram sentidos e o Mannschaft teve algumas dificuldades para impor seu futebol. Ainda assim a equipe germânica conseguiu duas vitórias, ambas por 3 a 0 contra EUA e Camarões, e um empate por 1 a 1 com os coreanos, desempenho que lhe garantiu nas oitavas na primeira posição do grupo C. Por ora o destaque individual de um forte conjunto alemão é o atacante Sukuta-Pasu, que já marcou duas vezes. Nesta fase os alemães enfrentam a Nigéria com boas possibilidades de avanço. A dúvida é a partir das quartas, quando o vencedor pega ou Brasil ou Uruguai. (Gabriel Dudziak)
Venezuela faz história e africanos seguem no páreo
Os venezuelanos, definitivamente, tiraram o ano de 2009 para fazer história no futebol. Depois de se classificar para o Mundial Sub-20 no início do ano e entrar, definitivamente, na briga por uma vaga na Copa do Mundo de 2010, a seleção vinotinto assegurou lugar nas oitavas de final com uma campanha convincente: vitória contra os nigerianos na estreia, goleada em cima do Taiti e derrota para os favoritos espanhóis. De quebra, eles apresentaram ao mundo Yonathan Del Valle, artilheiro da competição até aqui, com quatro gols.
Os outros sul-americanos também se classificaram bem em seus grupos. O Paraguai venceu os egípcios, anfitriões do torneio, por 2 a 1, e se classificou com a segunda posição no grupo A. Os uruguaios, comandados pelos meias Nicolas Lodeiro e Tabaré Viudez, derrotaram Inglaterra e Uzbequistão para terminar na vice-liderança do grupo D, após empatar com Gana. Terceira colocada na chave do Brasil, a Costa Rica completa a lista de latino-americanos que seguem na disputa.
Entre os africanos, destaque para os donos da casa, campeões do grupo A. Já a Nigéria, que chegou cercada de badalações, perdeu suas duas primeiras partidas e garantiu a vaga na bacia das almas, com a terceira colocação do grupo B após golear o Taiti. Os sul-africanos, também classificados entre os melhores terceiros precisaram vencer Honduras na última rodada para garantir vaga por índice técnico após um início com hesitações. (Pedro Venancio)
Desfalcados, mas competitivos
Apesar de sofrer com a ausência de seu principal jogador, Tomas Necid, a República Tcheca se classificou para as oitavas de final sem nenhum sofrimento, com duas vitórias apertadas sobre, respectivamente, Austrália e Costa Rica. A solidez defensiva da equipe comandada por Jakub Dovalil impressiona, e lembra em vários aspectos o time de 2007, que chegou até as semifinais. O meia Jan Moravek, do Schalke 04, assumiu o papel de protagonista ofensivo e foi bem auxiliado, nessa primeira fase, pelo atacante Jan Chramosta, autor de dois gols contra a Costa Rica.
A Hungria conseguiu se recuperar após a contundente derrota sofrida para Honduras no jogo de estreia e ainda terminou na primeira colocação do grupo F, com seis pontos. O atacante Krisztián Németh e o meia Vladimir Koman, dois dos principais jogadores da equipe, “acordaram” na última partida e fizeram os gols da vitória contra os Emirados Árabes Unidos, que definiram a classificação da equipe. Resta saber se eles têm fôlego para seguir adiante.
Os italianos, por sua vez, seguiram a tradição da seleção principal e se classificaram aos trancos e barrancos, na terceira posição do grupo A. A derrota por 4 a 2 para o Egito acendeu de vez o sinal amarelo para a equipe, que tem como principal destaque zagueiro Michelangelo Albertazzi, do Milan. Nascido em 1991, Albertazzi já marcou dois gols no torneio e, apesar de ser um dos jogadores mais jovens do time, é o pilar do sistema defensivo dos Azzurrini. (Pedro Venancio)
Inglaterra e Camarões fracassam e Nigéria abusa da sorte
Nesta primeira fase do Mundial, também houve decepções, com destaques para o retumbante fracasso inglês, o pífio desempenho de Camarões e a campanha mais do que discreta da Nigéria, que teve a seu lado a sorte de estar no grupo do Taiti.
Embora o English Team não inspirasse muita confiança para a disputa, tanto por seu retrospecto ruim em mundiais, quanto pelos desfalques, a forma como os comandados de Brian Eastwick foram eliminados foi um verdadeiro vexame. Sem mostrar um futebol convincente em nenhuma das três partidas iniciais, a Inglaterra conseguiu apenas um ponto, depois de perder para o Uruguai por 1 a 0, para Gana por 4 a 0 e empatar com o Uzbequistão por 1 a 1. Ou seja, em três jogos os ingleses levaram seis gols e marcaram apenas um, tento este, aliás, que foi o primeiro depois de três mundiais sem gols dos ingleses.
Quem também não foi bem nesse Mundial e já voltou para casa foi a seleção de Camarões. Mesmo sem grandes talentos em seu time, a esperança dos africanos era de que a aplicação tática e a qualidade defensiva do time poderiam garantir uma chegada dos Leões ao menos às quartas de final. No entanto, depois de uma vitória por 2 a 0 na estreia contra os sul-coreanos, os camaroneses caíram em desgraça no torneio. A defesa que era o ponto forte do time tomou 4 a 1 dos Estados Unidos e depois 3 a 0 da Alemanha, resultados que minaram as chances camaronesas de avançar até como um dos melhores terceiros colocados.
A decepção também rondou a seleção nigeriana, que só conseguiu sua classificação graças a uma goleada sobre o Taiti na última rodada da fase de grupos. O avanço apenas na bacia das almas do torneio sub-20 contrastou com a expectativa que rondava as Águias antes da competição. Por conta do título obtido no Mundial Sub-17 de 2007, os nigerianos eram um dos favoritos à conquista do título. Mais: em um grupo em que a grande ameaça parecia ser apenas a Espanha, no mínimo uma classificação tranquila em segundo lugar era esperada.
No entanto, o futebol nigeriano não existiu nas derrotas contra Espanha e Venezuela e a salvação foi o saldo de gols da vitória por 5 a 0 contra o Taiti, saco de pancadas da competição – levou 21 gols em três jogos. O título ainda é possível, mas o péssimo desempenho na fase de grupos causou desconfianças demais. (Gabriel Dudziak)
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