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Gabriel Dudziak - 07/10/2009

Tido como azarão no início da disputa do Mundial Sub-20, o selecionado da Coreia do Sul surpreendeu seus adversários. Depois de uma derrota para Camarões na primeira rodada, os Taegeuk Warriors se recuperaram no torneio, arrancando um empate da sempre complicada Alemanha e fazendo um  3 a 0 nos EUA na rodada seguinte. O feito garantiu a equipe nas oitavas de final como segunda colocada do grupo C, um feito surpreendente em uma chave que tinha tudo para ser bastante difícil para os asiáticos.

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Na última segunda-feira, já pelas oitavas de final da competição, Coreia e Paraguai faziam um joguinho chocho em que a má qualidade das duas equipes se sobressaía aos esforços em balançar as redes. No entanto, o segundo tempo daquele até então modorrento 0 a 0 veio, e com ele a mudança no panorama da partida. Aos 15 minutos o meia Kim Min-Woo, que já havia marcado um tento no empate com os alemães, começou a decidir a partida. Primeiro fez a jogada que resultou no gol de Kim Bo-Kyung. Na sequência, marcou mais dois para fechar o caixão paraguaio e garantir os coreanos nas quartas de final.

A grande curiosidade é que nenhum dos dois atletas que classificaram os coreanos à fase seguinte defende um clube profissional. Tanto Kim Min-Woo quanto Kim Bo-Kyung, ambos com 19 anos, são jogadores de times universitários. Além deles, para a disputa do Mundial foram chamados outros seis universitários e um estudante de segundo grau. No sub-17 a presença dos estudantes é ainda maior na proporção com os jogadores que já pertencem a clubes. No selecionado sul-coreano que foi à Sendai Cup, disputada em setembro deste ano, 11 dos 21 atletas chamados não eram de agremiações, mas sim de equipes colegiais.

A presença massiva de estudantes nas seleções de base, no entanto, não significa que há um descaso das equipes do país com as divisões inferiores. Clubes como o Chunnam Dragons, o Ulsan Hyundai Horang-i e o FC Seoul, entre outros, dispõem de times de base e também se utilizam em grande medida de jovens em seu time principal. No entanto, o bom trabalho feito com as equipes universitárias e de colégios permite que elas não sejam apenas um estágio anterior à chegada a um clube profissional, mas sim fornecedores de atletas com nível competitivo suficiente para representar seu país. Inclusive contra equipes profissionais, fato observado nas partidas contra Alemanha e Paraguai.

Isso não seria possível se a própria competição entre as instituições de ensino não fosse bem organizada. Desde 2008 o futebol universitário da Coreia do Sul é disputado na U-League, uma divisão própria para essa categoria. Contudo, antes mesmo da criação da liga os campeonatos universitários do país já vinham tendo tratamento digno de divisões profissionais. A bem da verdade, quando o futebol estava em estágios ainda mais incipientes na Coreia, os clubes universitários rivalizavam com as próprias agremiações profissionais, na medida em que eram "donos" de alguns dos atletas mais promissores do país.

Exemplos desse fenômeno não faltam entre jogadores importantes da história recente do futebol sul-coreano. Chung Yong-Hwan, ex-zagueiro coreano e que participou das Copas de 1986 e 1990, atuou pelo time da universidade da Coreia até os 24 anos. Já o ex-atacante Cha Bum-Kun, maior artilheiro da história da seleção nacional, jogou, também pela universidade da Coreia, até ter 22 anos. O próprio treinador da seleção sub-20 coreana e capitão na Copa de 2002, Hong Myung Bo, só foi ter sua primeira experiência como profissional em 1992, quando já tinha 23 anos.

Uma das conclusões prementes ao tema seria a de que esse amadorismo observado na formação de jovens sul-coreanos é prejudicial ao futebol do país e aos próprios clubes. Porém, a ascensão pela qual o país passou nestes últimos anos, tanto na seleção principal, quanto nas de base, mostra que as universidades e colégios, graças a investimentos pesados, tanto nas instituições do governo, quanto nas particulares, vem sedo tão eficazes quanto os clubes na tarefa de formar novos atletas.



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