Pedro Venancio - 08/10/2009
Ao longo dessa década, o Atlético-MG se notabilizou por revelar meias que pintam como craques, mas somem logo depois sem alcançar a projeção esperada. Nomes como Cacá, Paulinho, Juninho, Renato, Rodrigo Silva e Tchô acumularam passagens por seleções de base, mas não emplacaram uma sequência de boas temporadas. O mesmo parece acontecer com Renan Oliveira, que ficou fora do Mundial Sub-20 e, apesar de ainda ter prestígio com a torcida, vive uma fase turbulenta na carreira.
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Apesar dos “insucessos”, os atleticanos continuam investindo na base, em busca de um maestro, e já têm um nome engatilhado esperando uma oportunidade para quebrar essa escrita. Trata-se de Wendel, de apenas 18 anos, que marcou o gol do título do Galo na Taça Belo Horizonte de Juniores e está cotado para subir aos profissionais na próxima temporada.
Concorrência numerosa
Nascido em Ribeirão Preto, Wendel migrou para Belo Horizonte aos 14 anos, para jogar nos infantis do Atlético-MG, assim como seus conterrâneos Renan Ribeiro e Gabriel, que já atuam entre os profissionais. Eles se juntam ao atacante Éder Luís, que, apesar de nascido em Uberaba, viveu por quatro anos na cidade paulista, onde atuou nas divisões de base do Comercial-SP, e o goleiro Diego Alves, hoje no Almería.
Seu talento sempre foi notado, mas a concorrência na base atleticana era acirrada, e Wendel não precisou subir de categoria prematuramente, o que pode, no futuro, se revelar benéfico para a sua carreira. Além dos meias supracitados, que eram tratados como joias, jogadores como Chiquinho e Yuri, hoje nos profissionais, também se destacavam e não davam brechas para os mais novos.
Com o fim da idade limite para a Copa São Paulo, porém, as posições no meio-campo ficaram vagas, e Wendel aproveitou a oportunidade para ganhar a posição, herdando a camisa 10 que foi de Renan Oliveira na edição de 2008. O Atlético Mineiro, porém, sofreu com desfalques na competição e frustrou as expectativas pelo segundo ano seguido, sendo eliminado na primeira fase pelo Rio Branco-SP.
A má campanha causou a demissão do técnico Leonardo Conde, e para o seu lugar foi contratado Rogério Micale, campeão da copinha pelo Figueirense em 2008. Com Micale, Wendel seguiu ganhando espaço no time, que se preparava para a disputa da Taça Belo Horizonte de Juniores com o objetivo de apagar a má impressão deixada em gramados paulistas.
Os atleticanos começaram mal a competição e se classificaram na bacia das almas para as oitavas de final, em terceiro lugar de seu grupo. A partir daí, o time deslanchou: goleada por 4 a 0 contra o Cruzeiro, pelas oitavas de final, e vitórias nos pênaltis contra Botafogo e Grêmio, respectivamente, nas fases seguintes. Na final, contra o Internacional, Wendel marcou o único gol da partida em chute de fora da área desviado pela zaga.
Eleito o melhor jogador da competição, o meia também teve como recompensa uma convocação para a seleção brasileira sub-20, além de sondagens de clubes europeus, como o Valencia. Ele acabou preterido da lista que foi ao Mundial, mas tem idade para representar o Brasil em 2011 e terá de superar concorrentes como Phillipe Coutinho, Oscar e Neymar, entre outros.
Força física e visão de jogo
Visão de jogo e qualidade no passe são duas das características que se complementam no futebol de Wendel. Dono de um raciocínio rápido, ele sempre procura soluções criativas para as jogadas e consegue colocar os companheiros na cara do gol com relativa frequência, ou desafogar o jogo com boas inversões, sempre trabalhando com a perna esquerda.
Alto e forte, o meia exibe uma força física acima da média para a posição, o que facilita muito no choques e divididas com marcadores adversários. Extremamente técnico, Wendel sabe usar muito bem o corpo para proteger a bola e cadenciar o jogo quando necessário, demonstrando boa leitura de jogo que, aliada ao ímpeto juvenil, geralmente forma uma combinação vitoriosa.
Sua velocidade, porém, deixa a desejar em alguns momentos, e pode atrapalhar o ingresso nos profissionais, onde o aspecto físico não faz tanta diferença quanto na base. Outra situação que precisa ser melhorada em seu jogo é a quantidade de gols que o meia faz. Na Taça BH, foram apenas dois, e no Campeonato Mineiro, que ainda está em andamento, Wendel balançou as redes apenas uma vez. Fazê-los é essencial para chegar e ficar no time de cima.
Ainda assim, basta observá-lo em campo para perceber que se trata de um jogador especial e que, com uma transição adequada para os profissionais, poderá se firmar com a camisa alvinegra em pouco tempo. O próximo ano poderá ser determinante em sua carreira, e Wendel precisa estar preparado para aproveitar as oportunidades que surgirem. A torcida atleticana agradece. E aguarda com ansiedade.
Ficha técnica
Nome completo: Wendel Alex dos Santos
Data de nascimento: 31/08/1991
Local de nascimento: Ribeirão Preto, Brasil
Clubes que defendeu: Atlético-MG
Seleções de base que defendeu: Brasil Sub-20
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