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Coberturas especiais

Mundial Sub-17'09: Argentina

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Marcus Alves - 12/10/2009

Com o anúncio da chegada de Diego Maradona, iniciava-se o projeto geração 86 na seleção argentina. A intenção dos dirigentes era formar uma comissão técnica composta por jogadores que participaram do bicampeonato mundial no México. Entre os nomes sondados para acompanhar o eterno camisa dez em sua missão, foram sugeridos Sergio Batista e José Luis Brown, técnicos das equipes sub-20 e sub-17 do país, respectivamente.

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Mas a reunião dos ex-companheiros acabou não se concretizando. Segundo comentam, supostamente por falta de confiança de Maradona em seus ex-colegas. Um indicativo disso é a decisão do treinador de romper com uma tradição da seleção. Em jogos-treinos, os profissionais sempre recorriam aos garotos das categorias de base para enfrentá-los. Com Maradona, essa prática se perdeu e, assim, Batista e Brown foram afastados do seu ambiente de trabalho. Um clube semi-amador assumiu o posto de sparring durante o período.

Em meio a essa briga de egos, as promessas acabaram sendo prejudicadas e ficaram sem esse contato que, na fase de formação, é fundamental. Somente nas últimas semanas é que Maradona, pressionado pela imprensa após os resultados nas Eliminatórias, resolveu se reaproximar de seus antigos companheiros. Brown, então, teve a oportunidade de na reta final da preparação para o Mundial Sub-17 treinar a sua equipe contra nomes como Mascherano, Messi e Aguero.

A esperança do técnico é a de que a convivência, ao menos no que diz respeito ao desempenho em campo, não tenha afetado o elenco. Com a seleção principal atravessando um dos piores momentos de sua história e o sub-20 em crise, os juvenis estarão sob pressão na Nigéria para restaurar o orgulho do futebol nacional. Mesmo em uma categoria em que o país não goza de grande prestígio, Brown garante que o time viajará para a Nigéria com um objetivo ambicioso. De acordo com ele, somente uma vaga na final será aceita.

Retrospecto de lado

Historicamente, a Argentina não consegue repetir no sub-17 o mesmo sucesso que apresenta no sub-20. Entre os juvenis, já disputou nove Mundiais e o máximo que alcançou até hoje foram terceiros lugares em 1991, 1995 e 2003. Os albicelestes ainda seguem atrás de sua primeira final. Na Coreia do Sul, em 2007, mais uma campanha decepcionante, com a desclassificação nas quartas de final para a Nigéria, que viria a conquistar depois o título da competição.

Em sua caminhada para retornar ao campeonato, os argentinos não encontraram dificuldades. No Sul-Americano, realizado entre os meses de abril e maio no Chile, foram bem, mas acabaram sendo obrigados, mais uma vez, a acompanhar a festa do Brasil, que, na decisão, venceu o time nos pênaltis. O saldo, ainda assim, foi considerado positivo. Brown e seus garotos deixaram os gramados chilenos invictos e com a sensação de terem formado uma base interessante para o Mundial.

Em sua preparação, os albicelestes enfrentaram apenas um contratempo. Como consequência da epidemia de gripe A que assolou o país, não puderam se reunir nem uma só vez durante o mês de julho. Mas aproveitaram o restante do tempo ao máximo para entrosar a equipe. Foram diversos encontros e amistosos. Em sua maioria, os adversários acabaram sendo clubes locais, exceção feita à seleção mexicana, que se dirigiu até a base das seleções argentinas, em Ezeiza, para uma partida e voltou com uma derrota.

Brown acertará os últimos detalhes antes do Mundial em Wolfsburgo, na Alemanha. O time treinará no complexo esportivo da Volkswagen até o dia 20, quando, então, partirá para Abuja, na Nigéria. No comando dos juvenis desde 2007, “Tata”, como também é conhecido, construiu a sua carreira como atleta no Estudiantes e marcou um dos gols argentinos na final da Copa do Mundo de 1986. Na transição para a função de treinador, fez estágios com Oscar Ruggeri e Carlos Bilardo, porém, não possui ainda nenhum trabalho destacado.

A resposta a Neymar

Se no Brasil Neymar já é considerado uma das estrelas do Santos e acumula uma boa rodagem entre os profissionais, o mesmo se repete na Argentina com Daniel Villalva. Guardadas as proporções, já que começou a jogar com regularidade apenas nesse semestre, Villalva pode ser considerado a resposta de José Luis Brown ao atacante de Lucho Nizzo. Em campo, eles também são parecidos e atuam na mesma faixa do gramado. Fazem da velocidade e dos dribles curtos as suas principais armas para fugir dos zagueiros e diminuir as dificuldades causadas pelo físico franzino.

Em sua companhia no ataque, Villalva deverá ter um jogador que apresenta características semelhantes às suas e com quem já está acostumado a dividir a linha de frente. Assim como a promessa do River Plate, Sergio Araujo, do Boca Juniors, confirma uma tendência que surgiu entre os profissionais e que está se consolidando também nas categorias de base. Ou seja, a de ataques formados por “baixinhos” que se movimentam ao redor do campo durante todo o tempo. Falta, claro, um centroavante.

E provavelmente não será na Nigéria que Brown descobrirá essa peça. O elenco convocado pelo técnico para o Mundial é praticamente o mesmo que disputou o Sul-Americano. As virtudes e os defeitos do time estão, portanto, mantidas. Um excelente goleiro debaixo das traves, um bom zagueiro na defesa, um meio-de-campo criativo e um ataque veloz. Restará ver se a equipe seguirá com problemas no apoio dos laterais e na aproximação dos meias.

Nesse aspecto, os holofotes estarão voltados para Matías Sosa, revelação do Estudiantes que brilhou no Sul-Americano Sub-15 de 2007 e desapontou entre os juvenis até o momento. Ele será um dos responsáveis por ditar o ritmo do time. Orfano, do Boca, e Cirigliano, do River, também colaborarão na tarefa de conduzir uma equipe que, taticamente, se mostra um pouco confusa à primeira vista. O 4-3-2-1 utilizado por Brown apresenta diversas variáveis e pode mudar conforme o andamento da partida.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Daniel Villalva. Numa temporada em que o River Plate decidiu apostar em medalhões, o destaque vem sendo um garoto de 17 anos que assumiu uma vaga entre os titulares e já marcou dois gols. Villalva é a maior revelação do clube desde Buonanotte e teve a sua convocação para o Mundial criticada por jogadores como Ortega. Será uma ausência sentida no clube. Rápido e habilidoso, finaliza bem e se movimenta bastante, abrindo espaços para seus companheiros se aproximarem.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Matías Sosa. Depois de brilhar no Sul-Americano Sub-15, Matías Sosa vem sofrendo com a transição de categoria. Não consegue repetir entre os juvenis o futebol mostrado nos infantis e é criticado em seu clube, o Estudiantes. O seu comportamento dentro e fora de campo está na mira de dirigentes e torcedores, que veem na indisciplina o motivo de sua queda. Esguio e dono de um futebol vistoso, o meia precisa se reencontrar na Nigéria.

- O PROFETA...
Esteban Espíndola. Um dos sete jogadores do River Plate convocado para o Mundial, Esteban Espíndola é o capitão da equipe. Surpreende pela personalidade que exibe com tão pouca idade. Excelente marcador, possui boa saída de bola e se mostra perigoso em suas subidas ao ataque. Teve a chance de disputar o Torneio de Toulon no meio do ano e procurará repassar a experiência somada junto a jogadores mais velhos a seus companheiros.

- O FARAÓ...
Damián Martínez. Assim como Ustari e Assman, Damián Martínez foi formado pelo renomado Miguel Angel Santoro. Fez um belo Sul-Americano Sub-17 e chamou a atenção do Arsenal, que o convidou para um período de testes. Agradou nos Gunners e teve a sua contratação anunciada pela imprensa. Mas como possui apenas 16 anos, segue ainda no Independiente. Tem tudo para romper com a sequência de goleiros ruins da Argentina. Ágil e seguro, está destinado a assumir a camisa 1 do país.

Elenco

GOLEIROS
Damián Martínez (Independiente) – 02/09/1992
Ignacio Arce (Unión Santa Fé) – 08/04/1992
Jorge Pucheta (Lanús) – 09/06/1992

DEFENSORES
Esteban Espíndola (River Plate) – 22/03/1992
Leandro González (River Plate) – 26/02/1992
Lucas Kruspky (Independiente) – 06/04/1992
Leandro Marín (Boca Juniors) – 22/01/1992
Nicolás Tagliafico (Banfield) – 31/08/1992
Federico Rasmussen (Lanús) – 04/03/1992
Esteban Orfano (Boca Juniors) – 13/01/1992

MEIO-CAMPISTAS
Jorge Balbuena (Lanús) - 28/02/1992
Adrian Ezequiel Cirigliano (River Plate) - 24/01/1992
Franco Bitancourt (River Plate) – 15/03/1992
Sebastián González (San Lorenzo) – 11/01/1992
Facundo Quignon (River Plate) – 19/03/1993
Gonzalo Olid Apaza (River Plate) – 06/02/1992
Nello Sosa (Estudiantes) - 26/02/1992

ATACANTES
Daniel Villava (River Plate) – 06/07/1992
Sergio Araujo (Boca Juniors) – 28/01/1992
Guido dal Cason (Quilmes) – 05/11/1992
Eduardo Rotondi (Argentinos Juniors) – 29/01/1992



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