Henrique Moretti - 12/10/2009
Após seguidas tentativas fracassadas desde 1985, Honduras finalmente conseguiu uma inédita classificação à Copa do Mundo Sub-17 em 2007, mas não teve um grande rendimento. Agora, comandada pelo experiente Emilio Umanzor, a seleção não vai à Nigéria para “passear”, conforme garante o próprio técnico.
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Há dois anos, os Catrachos também chegaram animados ao Mundial da categoria, porém o resultado foi decepcionante. Recheados de jovens com pouca experiência até nas ligas profissionais de seu país, eles saíram da Coreia do Sul com derrotas para Espanha, Argentina e Síria - as duas primeiras de goleada – e um saldo de dez gols sofridos e apenas três marcados.
Para este ano, o otimismo não deveria ser tão grande se considerado o complicado sorteio. Localizada no grupo A, a equipe terá a companhia de Nigéria, Argentina e Alemanha, que juntos somam seis finais na competição para jovens. De qualquer forma, no último campeonato sub-17 da Concacaf, disputado em abril passado no México, Honduras já derrubou um favorito – o Canadá – para garantir a segunda colocação de seu grupo, atrás dos Estados Unidos.
Durante a campanha, a força no ataque, apresentada também no time principal de David Suazo e Carlos Pavón, voltou a ser a tônica, com 17 gols em seis jogos disputados. Em meio a tantas bolas na rede, quem mais marcou foi o atacante Anthony Lozano – por quatro vezes na fase final da competição e por outras seis na qualificação. Nos confrontos mais difíceis, porém, o sistema defensivo voltou a mostrar as já conhecidas deficiências, e uma derrota por 3 a 0 para os norte-americanos foi colecionada antes que a evolução nas categorias de base fosse ratificada.
Técnico eliminado no Egito
Apesar dessa melhoria, retratada também pelo título continental sub-20 conquistado em 2005, a garotada exatamente dessa categoria não fez bonito no Mundial que está sendo organizado pelo Egito. Embora estivesse localizado em uma chave considerada acessível, ao lado de Hungria, Emirados Árabes Unidos e África do Sul, Honduras somou apenas três pontos e caiu logo na primeira fase.
Diante de tantos jovens que estiveram presentes no Norte da África, o de um veterano chama a atenção. Trata-se de Emilio Umanzor, treinador que em maio passado foi efetivado como técnico tanto daquele selecionado quanto do sub-17 que se prepara para a competição nigeriana. Homem que ganhou notoriedade no país ao levar o Real Juventud à primeira divisão em 2008, Umanzor vem cumprindo uma respeitável trajetória que fatalmente culminará com o comando também da equipe adulta, o que ele mesmo aponta como o grande sonho de sua carreira.
Para os jogadores nascidos até 1992, o fato de serem dirigidos pelo comandante do sub-20 lhes traz prós e contras. Enquanto puderam ganhar mais experiência nos períodos de treinamentos, muitas vezes realizados em conjunto, não tiveram a companhia do chefe justamente em um momento decisivo, entre 20 de setembro e 3 de outubro, quando ocorria a Copa do Egito.
Nesse período, o time juvenil ficou sob as ordens do gerente Amilcar Burgos, que comandou uma preparação que incluiu trabalhos físicos e técnicos e amistosos na Espanha. Antes disso, em todo caso, Umanzor teve à disposição três grandes concentrações em Siguatepeque para aperfeiçoar seus garotos de forma integral: no total, foram 56 dias passados entre junho e agosto no hotel da seleção nacional localizado na cidade.
Base não mantida
E foi exatamente das concentrações, que também abrangeram partidas contra equipes profissionais hondurenhas como o Olimpia, que surgiu a lista dos convocados para o Mundial que começa no próximo dia 24. Como não havia tido muito tempo para conhecer os jovens, Emilio Umanzor chamou para esses trabalhos um grande número de jogadores.
Assim, Siguatepeque se tornou um palco de grandes disputas para garantir uma vaga entre os nomes que viajam à Nigéria. “A briga para estar no grupo foi muito dura”, admitiu o goleiro Allan Angelino. Ao final, o grupo que havia se classificado em terras mexicanas sofreu muitas modificações – dos 27 jovens pré-convocados, apenas dez tiveram participação na conquista da vaga.
Entre os destaques, o principal é mesmo Anthony Lozano. Com 16 anos, o atacante é mais experiente que a maioria de seus colegas, mesmo porque já estreou no Campeonato Hondurenho pelo Olímpia e foi especulado até para disputar o Mundial dos mais velhos – por fim, acabou na Nigéria e não no Egito. Por essas e outras, é o capitão do time e não nega o sonho de marcar gols para chamar a atenção de algum clube europeu, repetindo uma rota já trilhada por Suazo, que após a Copa sub-20 de 1999 conseguiu uma transferência ao Cagliari.
Aliás, há um jogador no plantel que já está no futebol italiano. Após se destacar no Pré-Mundial do México, o lateral-direito Allan Gutiérrez foi contatado pelo Chievo para defender a Primavera da equipe. O intercâmbio entre Honduras e a Itália, na prática, vem se estreitando nos últimos anos – após também disputarem torneios juvenis da Concacaf, Alfredo Mejía e Jhony Leverón, atualmente na seleção bicolor sub-20, acabaram rumando para a Udinese, ainda que na sequência não tenham obtido uma performance suficiente para ficar por lá.
Com alguns bons valores, Honduras poderia aproveitar melhor este Mundial Sub-17 se tivesse caído em qualquer outro grupo. Contra Nigéria, Alemanha e Argentina, entretanto, difícil imaginar qualquer papel para os catrachos que não o de fiel da balança – aquele em que, quem tropeçar, poderá pagar caro. Uma pena, para uma das nações que mais cresce no futebol do continente, mas que, ao menos, poderá desfrutar de uma experiência que só deverá enriquecer o currículo dos atletas.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Anthony Lozano. Bastante respeitado em Honduras e atualmente no Birmingham, Carlo Costly vê um sucessor na base do país. Lozano é muito alto, tem as pernas longas e e um faro de gol parecidos ao de Costly. Em janeiro passado, o atacante de 16 anos tornou-se o jogador mais jovem a atuar na Liga Hondurenha e chega à Nigéria com a credencial de quem marcou 10 gols no Pré-Mundial sub-17 e com um sonho: brilhar para seduzir os olheiros de times europeus.
- O FARAÓ...
Allan Gutiérrez. Pode ser difícil acreditar, mas um torneio de apenas três jogos pode tirar um atleta do Montágua, integrante da segunda divisão do futebol hondurenho direto para o Chievo. Foi o que aconteceu com Gutiérrez após o último Campeonato Juvenil da Concacaf. Lateral-direito de 17 anos que se destaca tanto na defesa quanto na subida aos ataques, ele é desde agosto o mais novo bicolor na Itália, atuando no Primavera do clube de Verona.
- O PROFETA...
Jesús Rivera. Atualmente, nem a seleção principal de Honduras, com Noel Valladares, consegue ter segurança debaixo das traves. Contudo, Rivera é uma aposta para reverter esse cenário no futuro. Com 16 anos, o goleiro do Montágua B é o principal líder do plantel de Emilio Umanzor, embora o capitão seja o goleador Anthony Lozano.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Allan Rivas. Tivesse nascido sete dias antes que 6 de janeiro de 1992, o zagueiro não poderia ir à Nigéria. E talvez assim a defesa de Honduras mostrasse mais confiança do que aquela que sofreu quatro gols nos três desafios da fase final do Pré-Mundial sub-17. Embora seja o "veterano" da equipe e tenha a confiança do treinador, Rivas ainda não conseguiu deixar o plantel B do Olimpia e é garantia de sustos para o torcedor catracho durante a importante competição.
Elenco
GOLEIROS
Allan Angelino (Real España) - 03/05/1992
Jesús Alejandro Rivera (Olimpia Occidental) - 26/06/1993
Harold Fonseca (Motagua) - 08/10/1993
DEFENSORES
Johny Rivera (Real España) - 27/04/1992
Ever Alvarado (Olimpia Tegucigalpa) - 30/01/1992
Sammyr Martínez (Olimpia Tegucigalpa) - 03/03/1992
Roberto López (Motagua) - 15/04/1992
José Danilo Tobías (Real España) - 20/01/1992
Allan Rivas (Olimpia) - 06/01/1992
MEIOCAMPISTAS
Ray Salgado (OIimpia Tegucigalpa) - 06/08/1992
Wilmer Fuentes (Marathón) - 21/04/1992
Luis Berrios (Marathón) - 15/05/1992
Oscar Padilla (Real España) - 18/06/1992
Jair Aragón (Real Juventud) - 26/10/1992
Alexánder López (Olimpia Tegucigalpa) - 05/06/1992
Néstor Martínez (Olimpia Tegucigalpa) - 04/05/1992
Carlos Baires (Hispano) - 25/12/1992
ATACANTES
Hector Matute (Real Juventud) - 05/04/1992
Anthony Lozano (Olimpia Tegucigalpa) - 25/04/1993
David Carranza (Motagua) - 08/12/1994
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