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Mundial Sub-17'09: Brasil

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Dassler Marques - 13/10/2009

Seleção mais assídua na história dos Mundiais Sub-17 atrás apenas do sempre presente Estados Unidos, o Brasil volta à competição juvenil para a disputa pela 12° vez em 13 certames realizados pela Fifa desde 1985. Finalista em cinco dessas participações, sendo campeão três vezes, a seleção brasileira parece pronta para mais um grande papel, desta vez na Nigéria, seguindo o calendário africano da entidade máxima do futebol global para o biênio 2009/10. 

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Campeã sul-americana sub-17 e da Copa Sendai neste ano, a seleção de Lucho Nizzo tem um histórico vitorioso que se originou no Rio Grande do Sul, em 2007, com a conquista do Sul-Americano Sub-15. Desde então, aquela base ganhou corpo com Lucho, que os recebeu no início de 2008, acrescentando grandes valores como Zezinho, Dodô e João Pedro, mas mantendo o entrosamento chave de jogadores como Luís Guilherme, Gerson,  Phillipe Coutinho e Wellington.

O título conquistado no Chile no início do ano não estagnou o trabalho do treinador, que realizou mudanças sutis, mas interessantes, no elenco que vai para o Mundial da Nigéria. O corintiano André, disputando o Campeonato Paulista Sub-17, virou opção para o gol. Romário Leiria, do Internacional, atropelou nas últimas reuniões da seleção, deixando o são-paulino Maurício pelo caminho. O comando do ataque, calcanhar de Aquiles da geração, ganha os reforços do panzer Giovani e do espetacular Wellington Silva, destaque em Sendai e, ao lado do baiano Romário, o único classe /93 do elenco.
 
Nenhum acréscimo, no entanto, foi mais valioso que Neymar, candidato a craque na Nigéria. Assim como havia feito com Paulo Henrique Ganso, o Santos prometeu liberá-lo apenas para o Mundial. Quando a convocação de Lucho Nizzo chegou, o atacante já estava com as malas prontas para a África. Ponto para o Brasil, candidatíssimo ao título.

A armada pronta para brigar pela taça

As dificuldades encontradas no Sul-Americano da categoria não diminuíram o brilho da geração brasileira campeã no Chile. Uruguaios, colombianos e argentinos se mostraram rivais competentes e o fato de o Brasil ter se sobressaído é providencial. O sorteio da Fifa não foi tão generoso quanto para o Sub-20, colocando oponentes duros no caminho brasileiro.

Embora não sejam potências entre os profissionais, mexicanos e japoneses são tradicionais ossos duros de roer nas categorias de base. La Tri foi “virtual campeã” do Sub-17 promovido pela Concacaf em abril, prejudicado pela gripe suína. O Japão, por sua vez, foi semifinalista no Asiático Sub-16 do último ano. E a Suíça, outro que olha com carinho para sua formação, foi além: superou duas fases duras no Europeu Sub-17, eliminando Espanha e França, caindo apenas na semifinal da categoria diante da vice-campeã Holanda.

Apesar disso, o torcedor brasileiro não tem motivos para perder o sono. Não bastasse a enorme oferta de talento, a já entrosada geração brasileira que vai à Nigéria teve tempo suficiente para aprimorar a preparação na reta final para o Mundial, trocando experiências com a seleção principal na Granja Comary e se apresentando com tempo hábil para o ajuste de últimos detalhes. A inserção de Neymar, liberado para se incorporar com o grupo apenas após a última partida santista contra o Vitória no Campeonato Brasileiro, é o grande ponto chave daqui por diante.

Longe do selecionado há algum tempo, Neymar precisará alcançar a preparação dos demais e contar com uma atenção especial de Lucho Nizzo nessa adaptação. Pesa a favor o fato de o treinador ter o respeito e o carinho do atleta, algo comum com boa parte do elenco brasileiro.

Nome de larga experiência com o trabalho de formação, Luís Antônio Nizzo, 46 anos, chega a seu segundo Mundial Sub-17 nesta temporada. Após assumir o trabalho de Edgar Pereira poucos meses antes do torneio na Coreia do Sul há dois anos, Lucho comandou toda a trajetória da geração de Coutinho, mostrando estar prestigiado mesmo com a má campanha de Lulinha e companhia em 2007.

No último Sul-Americano, Lucho Nizzo precisou mostrar habilidades para manter os jogadores focados em uma cidade desértica e sem qualquer tipo de infraestrutura para um torneio continental. A proximidade com os jogadores aumentou, o que tanto ajuda a tirar cumplicidade de um elenco que, por natureza, tem grande qualidade.

Como encaixar tantos talentos

O elenco brasileiro sub-17 tem uma característica muito própria e evidente: vários meias-atacantes de muita qualidade, com nenhum centroavante confiável ou volante de ofício com técnica. Diante disso, Lucho Nizzo começou a encaixar os jogadores, geralmente trazendo João Paulo e Wellington mais para trás, formando um triângulo com um jogador mais defensivo, vaga que deve ser de Elivélton. O gremista Fernando, outra opção e de bom papel no Sul-Americano, não foi chamado.

Se Lucho Nizzo optar por tentar utilizar Neymar no comando do ataque, a estrutura tática do último Sul-Americano deve ser mantida, no esquema usual 4-3-2-1, a popular árvore de natal. Ao sacar João Pedro e lançar um centroavante de ofício, como Felipinho, Willen ou Wellington Silva, Lucho teria uma opção mais ofensiva no 4-2-3-1 com Neymar e Zezinho abertos, outra alternativa interessante.

Independente do sistema a ser adotado, o time brasileiro dificilmente irá abdicar das características intrínsecas no DNA da amarelinha: time técnico, ofensivo e envolvente. Por isso, a expectativa pela geração /92 e /93, que não tem o desfalque de nenhum jogador que atue no exterior,  é muito grande. Encaixar tantos talentos é mais fácil do que tentar encontrá-los. Sorte do treinador. Que seja sorte de campeão.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Neymar. A presença do prodígio santista na seleção de Lucho Nizzo é a grande novidade para o Mundial da Nigéria. Com a presença de vários meias-atacantes interessantes, ele deve atuar mais à frente, com até remotas chances de aparecer no comando do ataque, dada a falta de um definidor confiável. Com cancha de jogador profissional, Neymar tem tudo para ser o goleador da seleção juvenil.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Felipinho. Se no último Mundial Sub-17 o Internacional nos trouxe o atrapalhado centroavante Fabinho, o próximo candidato a foguete molhado também vem no diminutivo. Felipinho é um jogador essencialmente físico, que se vale da velocidade diante dos rivais. Assim, conquistou espaço em uma seleção carente de bons centroavantes. A Nigéria pode ser o palco de sua redenção.

- O PROFETA...
Gerson. Capitão da seleção desde a categoria sub-15, o zagueirão gremista comanda o time dentro de campo com os atributos comuns aos grandes líderes da amarelinha. Não bastasse isso, é referência técnica no miolo de zaga, que não tem o são-paulino Maurício, mas vê Sidimar aparecer como possível titular.

- O FARAÓ...
Coutinho. É difícil escolher só um craque para seleção tão virtuosa. Dada a distância que Neymar teve de toda a preparação, além dos últimos meses irregulares de Zezinho, vamos com Phillipe Coutinho, que vai conquistando terreno no Vasco e foi a principal referência técnica da seleção no Sul-Americano Sub-17. “Ele destrói”, costumam dizer os companheiros.

Elenco

GOLEIROS
Luís Guilherme (Botafogo) – 04/06/1992
Alisson (Internacional) – 02/10/1992
André  (Corinthians) – 06/02/1992

DEFENSORES
Romário (Vitória) – 18/12/1993
Crystian (Santos) – 10/06/1992
Gerson (Grêmio) – 04/10/1992
Romário (Internacional) – 28/06/1992
Sidimar (Atlético-MG) – 09/07/1992
Dodô (Corinthians) – 06/02/1992

MEIO-CAMPISTAS
Casimiro (São Paulo) – 23/02/1992
Elivelton (Santos) – 21/01/1992
Guilherme (Atlético-PR) – 02/05/1992
João Pedro (Atlético-MG) – 09/03/1992
Wellington Sanches (Fluminense) – 06/02/1992
Zezinho (Juventude) – 14/03/1992
Phillipe Coutinho (Vasco) – 12/06/1992

ATACANTES
Felipinho (Internacional) – 29/01/1992
Giovani (Internacional) – 07/01/1992
Neymar (Santos) – 05/02/1992
Wellington Silva (Fluminense) – 06/01/1993
Willen (Vasco) – 10/01/1992



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