Rafael Arrais - 13/10/2009
O Japão, sem dúvida nenhuma, é um dos países no qual o futebol tem evoluído mais nos últimos 20 anos. Considerado apenas zebra nas competições que disputava, hoje o país já impõe certo respeito em seus adversários, principalmente após os bons resultados continentais, seja na base ou no profissional e da bela campanha na Copa do Mundo de 2002, onde foi um dos anfitriões e chegou às oitavas de final.
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Desde o início da década de 1990, o país incentiva jovens a praticarem o esporte, e como forma de estímulo criaram uma liga forte, a J-League, que hoje conta com vários jogadores estrangeiros e por onde passaram craques como Zico, Leonardo, Gary Lineker e Guido Buchwald, entre outros. O reflexo dessa política pôde ser observado na primeira participação dos pequenos Samurais Azuis no Mundial Sub-17 em 1993, quando o país foi sede da competição.
Liderados pelo craque Hidetoshi Nakata, a equipe chegou às quartas depois de superar equipes tradicionais como México e Itália, mas acabou sendo eliminado pela campeã Nigéria. Em 1995, veio a segunda participação, e, apesar de não ter conseguido passar de fase, a geração daquele ano revelou vários jogadores de destaque mundial como Juichi Inamoto, Shinji Ono, Naohiro Takahara e Mitsuo Ogasawara.
O Japão ainda disputou a competição em 2001 e 2007, mas não conseguiu sequer passar da primeira fase. Para 2009 as expectativas até que são boas, considerando os adversários que a equipe terá pela frente: o grupo B tem no Brasil o grande favorito e Japão, México, e Suíça brigam em iguais condições pela segunda vaga. Para os japoneses, passar da fase de grupos já será uma vitória, pois, sem dúvida alguma, seu maior desafio será ainda nos primeiros jogos da competição.
Longa preparação
Para chegar ao Mundial Sub-17 da Nigéria, o Japão primeiro precisou se garantir entre as quatro melhores seleções asiáticas no torneio continental sub-16 disputado no final de 2008, no Uzbequistão. Ratificando mais uma vez a força regional, eles não tiveram dificuldades para se classificar na primeira fase em um grupo que contava com Emirados Árabes Unidos, Malásia e Iêmen. Após três goleadas, com 13 gols marcados e apenas um sofrido, a seleção chegou às quartas de final para disputar uma vaga direta com a Arábia Saudita.
A classificação veio com uma tranquila vitória por 2 a 0. Nas semifinais, os Samurais foram derrotados para a vizinha Coreia do Sul por 2 a 1. Para o treinador Yutaka Ikeuchi, mesmo com o revés, a equipe adquiriu uma experiência muito importante no qualificatório. Visando realizar uma boa campanha, o elenco começou então a se preparar em longo prazo para obter resultados significativos na Nigéria.
Desde a conquista da vaga, o técnico procura reunir a equipe para disputar torneios internacionais com o objetivo de dar mais experiência aos seus jogadores. Entre as seleções que irão disputar o mundial sub-17, os pequenos Samurais Azuis certamente são um dos que mais se prepararam para a competição. Reunida em junho, a equipe realizou uma turnê em Burkina Fasso, onde fez alguns amistosos.
Em julho, a equipe continuou sua peregrinação pelo mundo e disputou, na Espanha, o Torneio Internacional da Juventude, contra times de base do Milan, Real Madrid, Celtic e Villareal, entre outros. Apesar da sétima colocação, os japoneses adquiriram experiência e alguns jogadores puderam se destacar, como o habilidoso meia Takashi Usami. O último preparatório aconteceu dentro do próprio país, na VII Copa Internacional de Sendai.
O torneio serviu para que o Japão jogasse contra o Brasil, primeiro adversário no mundial na Nigéria e também contra fortes seleções como França e Coréia do Sul. Embora tenham ficado na última colocação, os comandados de Ikeuchi mostraram uma evolução depois dos treinos, o que deixou o treinador otimista para o Mundial.
Geração promissora
Há algum tempo não se via tantos jogadores na base da seleção japonesa com potencial para ultrapassar o status de promessa. Nomes como Takumi Miyayoshi, Kenyu Sugimoto e Takashi Usami são apontados como futuros jogadores da seleção principal No Japão, e comenta-se que desde 1995 não se vê um time com tanto talento no país, o que poderá ser confirmado em breve nos gramados nigerianos.
Com uma equipe formada por jogadores que atuam em universidades e nas divisões inferores dos principais times locais, a pouco experiência internacional é compensada com o entrosamento do cotidiano de alguns atletas do mesmo time - além do tempo que eles passaram juntos na preparação. Jogando com a mesma espinha dorsal desde o ano passado, Ikeuchi utiliza muito bem o conhecimento que tem de todo elenco, tanto para motivar os jogadores como para testar variações táticas.
Foi isso que aconteceu no qualificatório, quando utilizou a versatilidade e a capacidade de adaptação dos seus jogadores para mudar o esquema conforme as necessidades da partida. Adepto do 4-4-2 clássico, com o rápido Miyayoshi ao lado do goleador Sugimoto, Ikeuchi tem um forte sistema ofensivo, com Usami municiando os homens de frente e chegando com perigo na faixa frontal da defesa adversária.
Se preferir, o treinador pode utilizar também um 4-2-3-1, que teria à frente apenas Miyayoshi, com Usami encostando mais no ataque, o que faz com que o Japão ganhe força no meio. É mais provável que Ikeuchi utilize o segundo sistema no Mundial, pois irá jogar contra seleções com maior poder ofensivo do que as que enfrentou no Uzbequistão e, consequentemente, terá que tomar mais cuidado.
A defesa é outro ponto forte, que levou apenas três gols em cinco partidas no Campeonato Asiático. Liderados por Tatsuya Uchida, zagueiro seguro que costuma ainda deixar seus gols nas subidas ao ataque, os japoneses contam com a proteção dos dos bons volantes Takuya Okamoto e Tuma Hiroki.
No ataque, as atenções se voltam para Takumi Myayoshi, considerado no país um típico jogador moderno, aliando técnica, agilidade e criatividade. Assessorado pelo supracitado Takashi Usami e por Gaku Shibasaki, craque do time, ele tem a missão de fazer os gols da equipe e pode, em um futuro não muito distante, ser o camisa 9 do qual a seleção japonesa sente falta há tempos.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA
Takumi Miyayoshi. Com apenas 17 anos e já atuando pelo Kyoto Sanga FC, Miyayoshi carrega nos pés a responsabilidade de definir as jogadas de ataque da equipe com precisão. Com quatro gols marcados no qualificatório para o Mundial, foi o vice-artilheiro da competição. Versátil, pode atuar tanto como referência na área quanto como segundo atacante, utilizando a agilidade e velocidade que possui. Inteligente e com boa colocação na área, poderá aproveita a boa qualidade dos meias japoneses para fazer seu nome no Mundial.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM
Shuto Kojima. Jogador do Maebashi Ikuei High School, Kojima é um meio-campista defensivo que, sem ter brilhado por onde passou, é considerado apenas como uma peça para compor o elenco, e não deverá ter muitas chances. Revelado por uma escola pouco conhecida do futebol japonês, parece não ter grandes aspirações em sua carreira e deverá sair do Mundial no mesmo estado de quase-anonimato em que chega.
- O PROFETA
Takashi Usami. Jogador que mais chamou a atenção durante toda a preparação dos Samurais, Usami destaca-se por ser o cérebro da equipe e carimbar praticamente todas as jogadas de ataque do time com um toque de qualidade. Meia de origem, ele também pode jogar encostando no ataque, dependendo da formação tática da equipe. Jogador do Gamba Osaka, é tido no Japão com potencial para se tornar craque e surpreender o mundo na próxima década.
- O FARAÓ
Gaku Shibasaki. Comparado no Japão aos ídolos Hidetoshi Nakata e Shunsuke Nakamura, Shibasaki é mais um meia que alia velocidade, precisão nos passes e inteligência. É dele a responsabilidade de puxar os rápidos contra-ataques japoneses, e deixar seus companheiros em boa situação para finalizar. Atuando como um verdadeiro camisa 10, o jogador se destaca pela habilidade que tem com a bola nos pés e a leitura tática que faz do jogo. Com um futuro promissor, espera provar já no Mundial Sub-17 que as comparações feitas com ídolos do presente não são em vão.
Elenco*
GOLEIROS
Jun Kamita (Vissel Kobe) – 17/01/1992
Yasuhiro Watanabe (Albirex Nigata) – 04/10/1992
Koki Matsuzawa (Ryutsu Keizai University) – 03/04/1992
DEFENSORES
Takuya Okamoto (Urawa Red Diamonds) – 18/06/1992
Yuma Hiroki (F.C. Tokyo) – 23/07/1992
Ken Matsubara (Oita Trinita) - 16/02/1993
Tatsuya Uchida (Gamba Osaka) – 08/02/1992
Koji Takano (Tokyo Verdy) – 23/12/1992
Ryuki Nakajima (Aomori Yamada High School) – 12/01/1992
Ryosuke Tada (Cerezo Osaka) – 07/08/1992
MEIO-CAMPISTAS
Gaku Shibasaki (Aomori Yamada High School) – 28/05/1992
Yoshiaki Takaji (Tokyo Verdy) – 09/12/1992
Yuki Horigome (Ventforet Kofu) – 13/12/1992
Shuto Kojima (Maebashi Ikuei High School) – 30/07/1992
Keijiro Ogawa (Vissel Kobe) – 14/06/1992
Shuto Kohno (JFA Academy Fukushima) – 04/05/1993
ATACANTES
Takashi Usami (Gamba Osaka) – 06/05/1992
Takumi Miyayoshi (Kyoto Sanga FC) – 07/08/1992
Kenyu Sugimoto (Cerezo Osaka) – 18/11/1992
Ryo Miyaichi (Chukyo University) – 14/12/1992
Keisuke Kanda (Kashima Antlers) – 29/01/1992
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