Gabriel Dudziak - 16/10/2009
Famosa pela grande quantidade de jogadores habilidosos revelados em suas seleções, sobretudo na década de 90, quando Rincón, Asprilla, Valderrama e outros davam as cartas, a Colômbia nunca conseguiu transformar em resultados todo o talento individual de seus atletas. A exceção foi o ano de 2001, quando os cafeteros faturaram o título da Copa América, disputada naquele ano no próprio país. Hoje a situação do futebol colombiano é bem menos animadora. Fora de Copas do Mundo desde 1998, o escrete novamente não conseguiu uma vaga entre as 32 seleções que disputarão a principal competição futebolística do planeta em 2010.
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Nas equipes de base o panorama é um pouco melhor, mas ainda assim não muito empolgante. Nos últimos anos a Colômbia pelo menos tem conseguido chegar aos Mundiais. O problema é que as campanhas vem sendo bastante discretas, tanto entre juvenis, quanto entre juniores. Sem ter conseguido a classificação de sua seleção sub-20 para o torneio desse ano no Egito, as esperanças do futebol de base colombiano são depositadas agora na campanha dos juvenis na Nigéria. Esta será a quinta aparição dos cafeteros no torneio, sendo o melhor resultado até aqui um quarto lugar em 2003, desempenho que essa geração, pelo menos no discurso de seu treinador, tentará repetir.
A tarefa de chegar entre os quatro finalistas de um torneio que tem potências como Argentina, Brasil, Alemanha e outros é bastante difícil. Contudo, o técnico colombiano Ramiro Viafara acredita que com um pouco mais de treino e disciplina tática os talentos individuais da Colômbia podem se sobressair e causar aborrecimentos aos ditos "grandes" do futebol de base. Antes de sonhar mais alto, no entanto, os cafeteros terão que superar os desafios de um grupo C bastante equilibrado. Além da Colômbia, a chave conta com Gâmbia, campeã do Africano Sub-17 desse ano, Irã, campeão do Asiático Sub-16 de 2008, e a Holanda, vice-campeã do Euro Sub-17 de 2009. Se tudo der certo os colombianos conseguem ao menos a segunda posição na chave. Em uma expectativa mais realista, daí pra frente o que vier é lucro.
Preparo e blindagem anti-pressão
A classificação colombiana foi obtida depois do bom desempenho da seleção no Sul-Americano Sub-17 deste ano. No torneio os cafeteros apresentaram um futebol de muita força física e que apostou bastante no talento individual de seu craque, o meia Edwin Cardona para decidir os jogos. No continental, após um empate por 1 a 1 com a Bolívia, os comandados de Ramiro Viáfara mostraram seu poderio contra o Brasil de Philipe Coutinho, Zezinho e companhia. Com atuação destacada de Cardona, os colombinanos derrotaram a Seleção por 2 a 0 e se colocaram em boa situação na primeira fase.
A euforia por ter reais chances de ir à final da competição, no entanto, não passou de um átimo. Na rodada seguinte, um empate contra o Paraguai e uma vitória dos brasileiros contra o Peru minaram a possibilidade de a Colômbia fazer a decisão. Ainda assim, a classificação para o Mundial não estava perdida e os colombianos mostraram o potencial de sua equipe no quadrangular decisivo para a terceira e quarta posição. Nos jogos da segunda fase a equipe só perdeu para o Uruguai, garantindo assim o quarto lugar e a vaga no Mundial da Nigéria.
Depois de assegurar a sua classificação, os colombianos iniciaram uma série de treinos específicos e amistosos para testar a equipe. As atividades começaram na metade de agosto com partidas contra Estados Unidos, México e Costa Rica. No total foram sete jogos, sendo quatro vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Após essa "pré-temporada" o treinador Ramiro Viáfara, 62 anos e no comando do selecionado sub-17 desde outubro de 2008, definiu os 21 convocados para o Mundial e deu início a uma série de treinamentos visando apenas a disputa do torneio.
Além de toda a preparação dentro de campo, Viáfara também tratou de blindar os meninos da pressão de serem a grande esperança do futebol local. Segundo ele, os jovens cafeteros devem tratar de jogar o seu próprio futebol, independente das cobranças externas por conquistas ou resultados que dêem alento ao futuro da Colômbia. "Devemos ter em mente que esses meninos estão em uma fase bastante particular de suas vidas. Eles ainda estão se desenvolvendo e seu futuro no esporte e na própria vida ainda é muito incerto. Eles tem que se sentir confortáveis, por isso conversamos bastante para que desenvolvam também a sua personalidade e mente fora do campo de jogo", declarou.
Aqui não tem espetáculo!
O time colombiano que vai aos gramados da Nigéria tem uma série de alterações em relação à equipe que disputou o Sul-Americano da categoria no início deste ano. Dos 21 convocados para o continental, apenas dez estão entre os chamados por Ramiro Viáfara para a Nigéria. Mesmo com tantas mudanças, a aposta dos colombianos deve ser novamente na filosofia de jogo empregada com sucesso no torneio do Chile; alinhar uma equipe bastante alta e forte para investir nas bolas aéreas e contra-ataques puxados por Cardona.
Da mesma forma, o esquema de jogo dos cafeteros não deve passar por mudanças em relação ao início deste ano. Assim, a opção do comandante colombiano deve ser pelo 4-4-2, com dois meias rápidos abertos pelos lados do campo e a clássica formação de um centroavante e um segundo atacante. Na linha defensiva os destaques são o goleiro Bonilla, titular dessa geração desde o Sul-Americano Sub-15 de 2007, e a dupla de zaga composta por Yeison Murillo, um dos melhores zagueiros do torneio continental Sub-17, e por Juan Saiz, capitão da equipe e com uma breve passagem pela seleção principal.
No meio de campo, Robles e Córdoba deverão ser os responsáveis pela marcação, enquanto Mendoza ou Arias se unirão a Cardona na tarefa de levar a equipe para frente, ora pelas laterais, ora pela faixa central. No comando de ataque a expectativa é de que Viafara alinhe com o centroavante Jorge Ramos, 1,84 m e 74 kg, e o atacante Wilson Cuero, destaque nos Sul-Americanos sub-15 e sub-17 e que já tem acertada sua transferência para a Udinese. Também é possível que o treinador colombiano repita a formação utilizada em alguns dos jogos do torneio continental e coloque os dois principais jogadores da equipe, Cardona e Cuero, para atuarem juntos na linha de frente.
O grande problema da seleção colombiana é que seu conjunto não é dos mais fortes e o entrosamento ainda precisa ser melhor trabalhado. Com isso, os cafeteros terão que driblar ao longo do torneio a grande dependência de Cardona, algo bastante complicado, posto que não há no elenco, à exceção de Cuero talvez, um outro nome capaz de desequilibrar. O que serve de alento à equipe de Viáfara é que o futebol de resultados muitas vezes predomina nas competições de mata-mata. E os colombianos já mostraram serem bastante efetivos. Não fosse o empate com a Bolívia, o escrete sub-17 tinha avançado para a final do Sul-Americano de 2009.
Curtas
ELE PROMETE IR À CAÇA
Wilson Cuero. Mesmo ainda não sendo um goleador nato, o jovem atacante já mostrou ter habilidade para ameaçar as defesas adversárias com sua velocidade e bom posicionamento. Titular dessa geração colombiana no sub-15 e agora no sub-17, Cuero faz parte do time principal do Millionários desde os 16 anos e chega à Nigéria com a moral de ter sido contratado pela Udinese. Ao lado de Cardona, Cuero é o grande nome deste time.
NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM
Daniel Santa. Depois de ter sido titular da seleção colombiana que disputou o Sul-Americano Sub-15 de 2007, Daniel Santa perdeu espaço na transição para o sub-17. Sequer foi chamado para a disputa do continental juvenil de 2009 e só retomou seu lugar no grupo nessas últimas partidas preparatórias. Indo novamente a uma competição de seleções de base, dessa vez como reserva, é difícil imaginar que Santa reganhe a condição de titular e o prestígio de outrora.
O PROFETA
Juan Saiz. Capitão e liderança moral da equipe colombiana, o zagueiro Juan Saiz será o responsável por comandar os cafeteros dentro de campo. Sua experiência entre os profissionais do Envigado, da Colômbia, e na própria seleção principal dos cafeteros deverá lhe ajudar nessa empreitada. No futebol propriamente dito, Saiz repetirá no Mundial a boa parceria já feita com Murillo durante o Sul-Americano deste ano. Caberá aos dois segurar o ímpeto ofensivo adversário para que os contra-ataques colombianos encaixem.
O FARAÓ
Edwin Cardona. Sem sombra de dúvida Cardona é "o cara" da Colômbia. Rápido, habilidoso e com faro de gol apurado, o meia ofensivo que atua tanto pela faixa esquerda do meio de campo, quanto como atacante, é a principal esperança dos colombianos no Mundial Sub-17. No Sul-Americano desse ano o jogador terminou como artilheiro da competição depois de marcar 7 gols em 7 jogos, incluindo um hat-trick contra o Equador. Se mantiver esse desempenho na Nigéria, Edwin tem tudo para ser um dos craques do torneio.
Elenco*
GOLEIROS
Johan Wallens Otalvaro (Deportivo Cali)
Cristian Bonilla (Bogotá Chicó)
Juan Camilo Chaverra Martinez (Independiente Medellín)
DEFENSORES
Juan Camilo Saiz (Envigado)
Jeison Fabian Murillo (Deportivo Cali)
Fabian Andres Castillo Sanchez (Deportivo Cali)
Johan Caicedo (Bogotá Chicó)
Hector Quiñones (Deportivo Cali)
John Stefan Medina Ramirez (Atlético Nacional)
MEIO-CAMPISTAS
Carlos Julio Robles (Deportes Quindío)
Gustavo Cuellar (Deportivo Cali)
Edwin Cardona (Atlético Nacional)
Jhon Stiven Mendoza (Deportiva América)
Santiago Arias (La Equidad)
Alvaro Javier Hungria (Deportivo Cali)
Daniel Santa (Atlético Nacional)
Deiner Andres Cordoba (Deportivo Pereira)
ATACANTES
Jorge Luis Ramos Sanchez (Real Cartagena)
Wilson Antonio Cuero(Millonarios)
Cristian Camilo Mafla (Liga Vallecaucanal)
Cristian David Rada Gillot (Envigado)
*Pré-lista. Assim que a convocação final for anunciada, atualizaremos.
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