Marcus Alves - 15/10/2009
“Ele tem mesmo que ir?”. Assim reagiu Ariel Ortega à notícia de que Daniel Villalva fora convocado para o Mundial Sub-17 e desfalcaria o River Plate por um longo período. Outros no clube também responderam da mesma forma, mas não havia como impedi-lo de se apresentar à seleção que tentará restaurar o orgulho do futebol argentino na Nigéria. As equipes possuem um acordo com a federação para liberar os atletas e permitir que o técnico José Luis Brown conte com força máxima no campeonato.
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O River ainda esboçou uma última cartada ao tentar atrasar a apresentação de Villalva, porém, foi surpreendido com a notícia de que a partida em que pretendia utilizá-lo havia sido adiada em um dia. A intenção dos dirigentes era mantê-lo para o clássico com o Independiente, disputado na segunda-feira, no Monumental de Nuñez, e que não teve um desfecho muito bom para a equipe. Mesmo atuando em casa, ela sofreu mais uma derrota e seguiu com a sua péssima campanha no Torneio Apertura.
Não é por acaso que os Millonarios já se preocupam com a ausência de “Keko” Villalva no “Superclássico” com o Boca Juniors. O encontro acontecerá na mesma semana em que se inicia o Mundial. Até aqui, o garoto de 17 anos recém-completados vem sendo a revelação do River no semestre. Começou como titular em três das oito rodadas do Apertura e entrou durante a partida em outras três. Marcou dois gols e já é considerado o principal atacante da equipe.
Nem mesmo o experiente Cristian Fabbiani, que chegou ao clube prometendo gols e agora atravessa um inferno astral, parece capaz de desbancar Villalva. Após fazer a sua estreia entre os profissionais no início do ano, a promessa cumpre a sua primeira temporada no time principal. Entre os mais velhos, “Keko” já goza de bastante prestígio e é apontado, internamente, como o sucessor de Ariel Ortega, justamente o seu padrinho em Nuñez.
O próprio Ortega reconhece as semelhanças entre ele e Villalva e se mostra um entusiasta do futebol do jovem jogador. Os dois já atuaram, inclusive, juntos no Apertura e protagonizaram uma situação que, não raramente, se repete também na seleção comandada por Maradona: a escalação de atletas de baixa estatura no ataque. Acompanhados de Diego Buonanotte e Mauro Díaz, “Keko” e “Burrito” formaram uma linha de frente que, somadas as alturas de cada um, apresentou uma média de 1,65m. Nada assustadora, convenhamos.
Mas não é no jogo aéreo que Villalva pretende fazer a diferença no Mundial. Rápido e habilidoso, o atacante dificilmente é parado em velocidade e se desvencilha com facilidade de seus marcadores. Foi o artilheiro da Argentina no Sul-Americano e será uma das principais armas do treinador José Luis Brown na Nigéria. Repete, de certa forma, a trajetória de Neymar, destaque no Santos com a mesma idade e maior aposta de Lucho Nizzo na seleção brasileira.
Qualquer que seja o resultado no continente africano, Villalva, assim como Neymar, seguirá em alta em seu clube. A geração de “Keko” é considerada a mais promissora do River Plate e, segundo os dirigentes, representa certeza de lucro no futuro. Outros seis membros dessa mesma safra estarão em campo a partir do dia 24. A grande ausência no campeonato será Erik Lamela, parceiro de Villalva na base e um dos meias '92 mais badalados do país.
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