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Coberturas especiais

Mundial Sub-17'09: Holanda

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Bruno Alves - 15/10/2009

Conhecida por revelar grandes jogadores para o cenário mundial e formar grandes seleções adultas, a Holanda tem um desempenho relativamente fraco em Mundiais Sub-17, ao menos em número de participações. A única vez em que eles disputaram o torneio foi em 2005, quando a competição foi realizada no Peru. Mas, se não conseguiram se classificar outras vezes, os laranjas ao menos podem se lembrar com carinho daquela competição.
 
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Isso porque a performance da equipe naquela edição surpreendeu a base mundial. Inicialmente apontados como uma equipe mediana, os holandeses se classificaram na segunda colocação de um grupo que tinha Brasil, Gâmbia e Qatar, e venceram os Estados Unidos nas quartas de final. Nas semis, foram goleados por 4 a 0 pelo México, que viria a ser campeão, mas não se abateram e conquistaram o terceiro lugar com uma bela vitória diante da Turquia. 

Naquela competição o grande destaque da seleção holandesa foi o atacante John Gossens, artilheiro da equipe no torneio com quatro gols, mas que ainda não emplacou entre os profissionais e atualmente defende o NEC Nijmegen, da Eredivisie. Outro que aparecia para o mundo na ocasião era o extremo esquerdo Diego Biseswar, hoje titular do Feyenoord e sondado por vários gigantes europeus.

Na competição deste ano, a Laranja Mecânica pretende ratificar sua condição de grande formadora de jogadores no cenário mundial, através também de resultados. Não seria exagero dizer que esse chegam a este torneio com pretensões de título e, embora não sejam exatamente azarões, podem funcionar como uma pedra no sapato para os gigantes da categoria.

Vice que impõe respeito

A classificação para a competição veio com a conquista do vice-campeonato no Europeu Sub-17. Em onze jogos, a Holanda venceu sete, empatou dois e perdeu apenas dois. Vale lembrar que as únicas derrotas da equipe ocorreram justamente para a Alemanha, que acabaria o torneio como campeã. Na fase de grupos, eles foram batidos por 2 a 0. Na final, novo triunfo alemão, dessa vez por 2 a 1.

O fato de ter perdido a decisão serviu de ensinamento para os jovens talentos holandeses, de acordo com o próprio técnico da equipe, Albert Stuivenberg. Segundo ele, caso a equipe tivesse somente pontos fortes, venceria o campeonato, e que a perda do título mostra que há muito trabalho a ser feito para que esses garotos possam evoluir como time.

Após a conquista da vaga, os holandeses realizaram dois amistosos contra a França como parte do treinamento para o Mundial Sub-17 e, sem o time titular, perderam os dois jogos por 1 a 0 e 2 a 1. Para conhecer melhor outros jogadores, o comandante holandês aproveitou os amistosos para dar ritmo aos seus reservas e testar alguns garotos que não participaram da Euro.

Com apenas 39 anos de idade, Stuivenberg ocupa a função desde 2006 e tem no currículo um passado que começou promissor como jogador. Sua carreira, porém, foi interrompida precocemente quando ele tinha 19 anos, em razão de um problema crônico no joelho. Desde então, continua trabalhando no futebol, e assumiu o cargo após a saída de Ruud Kaiser, comandante da equipe no Mundial Sub-17 de 2005, que foi para a base do Chelsea.

Sobre o Mundial, ele afirma que é necessário muita cautela na fase de grupos, pois a história mostra que seleções teoricamente mais fracas como Gâmbia e Irã podem surpreender no decorrer da competição. “É necessário estar atento o tempo todo para que não aconteçam surpresas desagradáveis”, disse. 

Sincronia com os profissionais 

Respeitando a tradição de um futebol tático e ofensivo, a Holanda chega à Nigéria com uma geração considerada talentosíssima dentro e fora do país, esquematizada por Stuivenberg em um 4-3-3 ou 4-2-3-1, dependendo do momento do jogo, para que as características de seus principais jogadores sejam mais bem aproveitadas e eles já possam se familiarizar com o estilo de jogo adotado pela seleção principal. 

A defesa, liderada pelo goleiro Patrick ter Mate e bem composta por Ruben Ligeon e Dico Koppers, ambos do Ajax, é apontada como uma das melhores do Velho Continente. O zagueiro Mats de Huijgevoort, do Feyenoord, impressiona pela sobriedade dentro da área e pela eficiência nos desarmes, e poderá substituir com eficiência seu companheiro Stefan de Vrij, que ficou de fora da convocação por já atuar na equipe principal.
 
No meio-campo, a qualidade de Oguzhan Özyakup, meia revelado pelo AZ Alkmaar que já foi pinçado por Arsène Wenger e atua no Arsenal, salta aos olhos. E ele chega ao mundial bem acompanhado, por exemplo, por nomes como Adan Maher, que ainda pertence ao AZ mas foi alvo em 2008 de uma investida do Lyon, e Zakarya Labyad, que já figura entre os profissionais do PSV.
 
Na linha de frente, destaque para o trio formado por Bob Schepers, Luc Castaignos e Shabir Isoufi. O primeiro e o último atuam como wingers, compondo o meio-campo quando preciso e tentando jogadas de ataque pelas pontas. Castaignos, por sua vez, tem a missão de fazer os gols da equipe, e, pelo que já mostrou, tem totais condições de ser bem sucedido.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Luc Castaignos. Em 15 jogos pela seleção sub-17, marcou 12 gols, e isso, por si só, é um belo cartão de. Além disso foi o artilheiro da equipe na Euro Sub-17 com seis gols, e um dos principais responsáveis pela classificação holandesa para o Mundial. Com 1,88m de altura, muitos dizem que seu estilo de jogo lembra o do goleador francês Thierry Henry, e, se isso for comprovado, ele é um dos grandes candidatos a goleador da competição.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Tom Boere. Chamado para a seleção holandesa sub-15 quando tinha apenas 13 anos atacante do Ajax perdeu muito prestígio com o tempo e atualmente é apenas a quinta opção de ataque da equipe. Ele ganhou a vaga nos minutos finais da disputa com nomes como Rangelo Janga e Nygel Velder, mas enfrenta uma concorrência quase desleal em sua posição e, se não houver lesões graves ou suspensões, deverá desfrutar de poucos minutos na Nigéria.

- O PROFETA...
Patrick ter Mate. Rápido, seguro e raçudo, ter Mate foi um dos melhores goleiros da Euro Sub-17 e é garantia de segurança na meta laranja para o Mundial. Com apenas 1.82m de altura, compensa a falta de uns centímetros a mais com as qualidades supracitadas e orienta a defesa durante os 90 minutos. É apontado, no país, como o sucessor de Edwin Van der Sar, e tem a oportunidade, na Nigéria, de mostrar tem talento para tirar de letra essa pressão colocada sobre si.

- O FARAÓ... 
Oguzhan Özyakup. Capitão, cobrador de faltas e maestro do time, Özyakup já teve o seu talento atestado por Arsène Wenger, que o levou para o Arsenal, e chega ao Mundial Sub-17 cotado para ser o craque da competição. Versátil, joga como armador do time, mas pode atuar como winger, se necessário, e está, nitidamente, em um nível acima dos companheiros. Se repetir o excelente desempenho da Euro Sub-17, é capaz de conduzir os holandeses ao topo do mundo na categoria. 

Elenco

GOLEIROS
Stan Berrevoets (Ajax) - 15/05/1992
Warner Hahn (Ajax) – 15/06/1992
Patrick ter Mate (Vitesse / AGOVV) – 17/02/1992

DEFENSORES 
Joel Veltman (Ajax) – 15/01/1992
Stefan de Vrij (Feyenoord) - 05/02/1992
Mats de Huijgevoort (Feyenoord) – 19/01/1993
Dico Koppers (Ajax) – 31/01/1992
Ruben Ligeon (Ajax) – 24/05/1992
Bruno Martins Indi (Feyenoord) 08/02/1992 
Maikel Verkoelen (PSV) – 18/03/1992

MEIO-CAMPISTAS
Ouasim Bouy (Ajax) – 11/06/1993
Kevin Jansen (Feyenoord) – 08/04/1992
Zakarya Labyad (PSV) – 09/03/1993
Adam Maher (AZ) – 20/07/1993
Oguzhan Özyakup (Arsenal) – 23/09/1992
Bryan Smeets (MVV) – 22/11/1992

ATACANTES
Tom Boere (Ajax) – 24/11/1992
Luc Castaignos (Feyenoord) – 27/09/1992
Shabir Isoufi (Feyenoord) – 09/03/1992
Ola John (Heracles) – 19/05/1992
Bob Schepers (Cambuur) – 30/03/1992



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