Pedro Venancio - 16/10/2009
Pequena nação localizada no oeste da África, Gâmbia não está entre as seleções mais tradicionais do continente no futebol profissional, mas começa a incomodar os grandes na base e já chega ao seu segundo Mundial Sub-17. Na primeira participação, em 2005, no Peru, eles assombraram o mundo logo na estreia, quando venceram a badalada seleção brasileira de Anderson, Ramon, Renato Augusto e Denílson, entre outros, por 3 a 1.
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Na sequência, o triunfo contra o Qatar indicava que eles seriam os campeões da chave e seguiriam adiante. Mas uma derrota por 2 a 0 para os holandeses, aliada a uma goleada brasileira sobre os árabes, os empurrou para a terceira posição, e a aventura dos gambianos acabou na primeira fase. Eles foram eliminados da competição, mas deixaram nos gramados peruanos uma excelente impressão, acompanhada naturalmente da suspeita sobre a idade de alguns atletas.
Na ocasião, quem brilhou foi o centroavante Momodou Ceesay, de 1.95m, que marcou dois gols no torneio e chamou a atenção de clubes europeus, mas não emplacou e atualmente é reserva do Westerlo, da Bélgica. Seu companheiro de ataque, Ousman Jallow, continuou se destacando e comandou a mesma geração /88, com alguns reforços /87, no Mundial Sub-20 de 2007, no Canadá, quando os gambianos foram eliminados pela Áustria nas oitavas de final. Atualmente, Jallow é titular da seleção principal e do Brondby, da Dinamarca.
As perspectivas para o Mundial de 2009 eram animadoras até o resultado do teste de idade óssea realizado em 50 jogadores do país, que constatou que 11 dos 18 meninos presentes no Campeonato Africano da categoria são mais velhos do que dizem ser. Fato que, certamente, reduz as chances da equipe no torneio e abala seriamente a credibilidade no processo de renovação no futebol nacional, que já pensa na classificação para a Copa do Mundo de 2014.
No campo, título incontestável
A principal façanha dos gambianos nas eliminatórias para o Campeonato Africano Sub-17 foi deixar pelo caminho a poderosa seleção de Gana, em uma disputa equilibradíssima na segunda fase: no jogo de ida, a vitória dos ganenses por 3 a 1 parecia ter tornado as coisas muito difíceis. O placar foi devolvido com um 2 a 0 clássico, e os escorpiões protagonizaram a primeira grande zebra da competição chegando à etapa final.
Na fase decisiva, disputada em março desse ano na Argélia, a campanha dos escorpiões foi irretocável: em cinco jogos, foram cinco vitórias, incluindo duas contra os anfitriões, uma na primeira fase e outra na final, por 2 a 0 e 3 a 1, respectivamente, além de uma incontestável goleada por 4 a 0 sobre Malaui nas semifinais.
No total, foram 12 gols marcados e apenas um sofrido, e um título mais do que merecido. Na volta ao país, os escorpiões foram recebidos como heróis e desfilaram em um “carro aberto” improvisado – a parte de cima de um ônibus – pela ruas da capital Banjul. Nas entrevistas após a conquista, o discurso era de agradecimento ao presidente da república, Yahya Jammeh, pelo apoio oferecido durante a competição.
A preparação da equipe para o Mundial esteve longe do ideal. Após derrotas em amistosos contra Senegal, em agosto, e Nigéria, no início de setembro, os gambianos viajaram para a Inglaterra no final de setembro para um período de três semanas de treinamentos, onde enfrentaram os times sub-17 de Chelsea, Portsmouth e Reading. O objetivo claro do técnico Tariq Saigy é fazer com que o time adquira experiência internacional.
Prestes a disputar seu primeiro Mundial, Saigy terá de se preocupar em remontar a equipe para a competição, já que onze dos 18 atletas que disputaram o Campeonato Africano da categoria foram pegos em testes de idade óssea realizados recentemente. Entre os jogadores flagrados, estão o goleiro Musa Camara, apontado como um dos melhores da categoria no continente, os defensores Abdou Njie, Matarr Jobe, Jatta Baldeh e Omar Colley e os atacantes Alasana Camara e Abdoulie Jatta.
Ainda existe talento
Depois do desmanche forçado, fica difícil prever a solução que Saigy, que gosta de armar sua seleção no 4-3-1-2 em losango, encontrará para conseguir dar uma cara para o time, o que terá de ser feito em um tempo mínimo. Há uma indefinição completa, por exemplo, em relação ao substituto de Musa Camara, que era a principal referência do sistema defensivo, pois os reservas não inspiram confiança e não possuem experiência internacional.
Na defesa, completamente desfigurada pelas circunstâncias supracitadas, quem comanda as ações é Lamin Samateh, zagueiro que participou do Campeonato Africano e mostrou técnica apurada na saída de bola, além de boa segurança nos desarmes. Titular da equipe principal do Samger, ele foi alçado ao posto de líder após o corte de Abdou Njie, e, como jogador mais experiente do setor, tem a missão de organizar o sistema defensivo dentro de campo.
No meio-campo, a base campeã continental está mantida. O volante Baboucarr Savage continua na proteção da zaga, e, vez por outra, acerta belos chutes de fora da área. Outro que segue na equipe é o habilidoso extremo esquerdo Dawda Ceesay, dono de um bom cruzamento e de um belo repertório de dribles. O responsável pela criação de jogadas e pelas bolas paradas é o rápido Saikou Gassama, que pode, em alguma eventualidade, atuar até como segundo atacante.
Na frente, a novidade fica por conta de Alieu Darboe, que recentemente assinou um contrato de três anos com o Le Mans, da França, e poderá ser o parceiro ideal para Ebrima Bojang, artilheiro do Africano Sub-17 com cinco gols, pertencente ao Saint-Etienne, também da França. Buba Jallow, que recebeu vários elogios de Saigy durante a preparação, pode surgir como surpresa durante o torneio.
Curtas
ELE PROMETE IR À CAÇA...
Ebrima Bojang. Forte e habilidoso, o grandalhão de 1,94m é sistematicamente comparado a Momodou Ceesay e carrega nos pés a esperança do país em repetir, ou melhorar, o feito de 2005. Pretendido por Inter de Milão e Tottenham após o Campeonato Africano Sub-17, acabou assinando por três anos com o Saint-Ettiene e está emprestado ao Yegeo F.C, clube local. Ele tem, agora, a chance de justificar ao mundo o porque de ter sido alvo de tamanho interesse.
NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Kemo Fatty. O meia, que já foi titular e apontado como uma das grandes promessas do futebol gambiano, perdeu espaço na equipe e foi, recentemente, recusado em testes em equipes europeias. Ofuscado por Pateh Nyang durante o Africano Sub-17, ele não conseguiu recuperar o posto e deverá assistir à maior parte do Mundial sentado no banco de reservas.
O PROFETA...
Baboucarr Savage. Rápido, forte e dono de um potente chute de longa distância, Savage comanda a saída de bola da equipe pelo meio, e, com o corte do goleiro Musa Camara, tornou-se um dos líderes do plantel. Peça fundamental no esquema tático do técnico Tariq Saigy, o volante já chamou a atenção de alguns clubes europeus, e uma transferência para uma equipe do segundo escalão do Velho Continente é dada como certa ao fim do Mundial.
O FARAÓ...
Alieu Darboe. Nascido na Suécia e filho de pai gambiano, Darboe começou a carreira no Orgryte, mas já imigrou para a França, onde atua pela equipe sub-18 do Le Mans e impressiona pela habilidade e velocidade. No futuro, ele terá que optar entre jogar por Gâmbia ou Suécia, e nessa decisão, acima da paixão pelo país, certamente pesará a situação de sua carreira e o momento técnico vivido pelas duas seleções. Enquanto isso não acontece, porém, ele poderá ajudar muito na remontagem da equipe e ser uma das surpresas do torneio. É esperar para ver.
Elenco*
*Dados não localizados. Assim que a convocação final for anunciada, atualizaremos.
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