Pedro Venancio - 17/10/2009
No embalo do sucesso da seleção sub-20 no Mundial do Egito, a Costa Rica chega à Nigéria com a intenção de romper barreiras também no Mundial Sub-17, para se firmar de vez como potência na base. Os bons resultados dos últimos anos atestam que o trabalho vem sendo bem feito, e, ao julgarmos pelas últimas participações do país em torneios de divisões inferiores, o êxito em nível mundial parece estar bem próximo, quase que ao alcance das mãos.
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Nos últimos quatro Mundiais, os costarriquenhos conseguiram montar boas seleções e passar da primeira fase, mas foram eliminados logo em seguida, nas quartas de final, quando a competição contava apenas com 16 equipes, ou nas oitavas de final, como em 2007, primeira edição com 24 seleções. A regularidade mostra que há um trabalho bem feito de revelação de atletas, e a possível classificação do país para a terceira Copa do Mundo consecutiva indica que a seleção principal aproveita bem os valores revelados nessas competições.
O primeiro jogador a se destacar pela Costa Rica em Mundiais Sub-17 foi Hernan Medford, que disputou o torneio em 1985 e, posteriormente, se tornou ídolo nacional, tendo atuado nas Copas do Mundo de 1990 e 2002. Nomes como Christian Bolaños, Armando Alonso, Alonso Solis, Keilor Navas e, mais recentemente, Celso Borges, todos convocados recentemente para as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, também se apresentaram ao mundo precocemente, antes mesmo de completar a maioridade.
O objetivo dos Ticos na Nigéria é deixar de ser uma seleção apenas intermediária na base e romper a barreira das quartas de final. Para que isso aconteça, porém, é necessário que haja uma boa melhora em relação ao futebol apresentado no torneio qualificatório e, é claro, um pouco de sorte. Os costarriquenhos, porém, estão confiantes e motivados para mostrar que poderão, em um futuro próximo, fazer frente aos mexicanos e estadunidenses, que ainda reinam soberanos na Concacaf, mas já se sentem realmente ameaçados.
Classificação complicada
A vaga para o Mundial foi conquistada em um tumultuado torneio classificatório da Concacaf, que não teve a fase final disputada em razão da epidemia do vírus H1N1 que atingiu o México, anfitrião do torneio, em abril. A solução então foi encerrar a competição após a fase de grupos e declarar como classificados os quatro times que iriam disputar as semifinais: além da Costa Rica, Honduras, México e Estados Unidos foram “beneficiados” com a medida.
A campanha dos Ticos, porém, esteve longe de encher os olhos de quem acompanhou o campeonato: em três partidas, eles somaram uma vitória por 3 a 0 contra o saco de pancadas Trinidad e Tobago, um empate com a Guatemala e uma derrota por 1 a 0 para o México. A segunda posição na chave foi conseguida graças ao saldo de gols melhor do que o da Guatemala, que conquistou os mesmos quatro pontos, mas perdeu para os mexicanos por 3 a 0.
Após a confirmação da vaga, os garotos se reuniram para dois períodos de treinamento e amistosos. No primeiro, em julho, eles enfrentaram equipes locais, enquanto no segundo, no final de agosto, vieram à América do Sul para enfrentar Colômbia e Peru, e foram derrotados por 3 a 0 e 2 a 1, respectivamente. Os maus resultados, porém, não preocuparam o técnico do time, Juan Diego Quesada, que estava testando alternativas de jogo e não utilizou alguns de seus principais jogadores nessas partidas.
Com a experiência de já ter disputado o Mundial Sub-17 de 2001, Quesada reassumiu o cargo no ano passado e trabalha junto com uma comissão técnica qualificada, pelo menos nos nomes. O treinador de goleiros, por exemplo, é Luis Conejo, titular e destaque da seleção principal na Copa do Mundo de 1990. Considerado o maior goleiro costarriquenho de todos os tempos, Conejo é tratado como lenda no país e certamente é uma referência para seu pupilos.
Vocação ofensiva
Fã de um futebol ofensivo, Quesada afirmou, em entrevista recente, que quer fazer com que sua seleção jogue de maneira organizada, com um bom toque de bola e respeitando a vocação ofensiva natural de seus atletas, que jogam, em sua maioria, no Alajuelense e no Saprissa. Para passar de fase, porém, ele terá que se concentrar também em resolver os problemas defensivos da equipe, que, assim como em suas gerações antecessoras, leva muitos gols em jogos contra equipes de outros continentes, principalmente em jogadas aéreas.
Um de seus homens de confiança para resolver esse problema é o seguro goleiro Ricardo Rojas, da Alajaulense, que levou apenas dois gols no Campeonato da Concacaf Sub-17. Alto e seguro, Rojas precisará contar com a ajuda do competente zagueiro Ariel Soto, capitão da equipe no México, e que provavelmente continuará no posto na Nigéria.
O lateral direito Alejandro Calderón, do Herediano, é um dos jogadores mais importantes da equipe no aspecto tático, funcionando como ponto de desafogo do time, comandando a saída de bola e incomodando os adversários com muita velocidade no apoio ao ataque. Pelo lado esquerdo, porém, o esforçado Joseph Mora limita-se a marcar e a compor a defesa com muita disposição.
No meio-campo, quem dá as cartas é Juan Bustos, do Saprissa, que, entre os não-atacantes, foi o artilheiro do time na fase de preparação e pode surpreender com seus chutes de fora da área. Ele faz a dupla de volantes com Pablo Martinez, jogador com bom poder de marcação que será o encarregado de proteger a zaga e cobrir os avanços de Calderón.
A dupla de wingers do 4-2-3-1 de Quesada também é apontada como um dos pontos fortes dos Ticos. Rápidos e habilidosos, Rosbin Mayorga e Deyver Vega serão os responsáveis por municiar o matador Joel Campbell, principal destaque da equipe no torneio classificatório. Alto, magro e rápido, Campbell é alvo frequente de comparações com Paulo Wanchope, último atacante costarriquenho de renome internacional.
Curtas
ELE PROMETE IR À CAÇA...
Joel Campbell. Atacante do Saprissa, já treina com a equipe profissional e chegou a ter sua participação cogitada inclusive no Mundial Sub-20. Sua supracitada capacidade de definição impressiona, e, mesmo ainda fraco fisicamente, ele já demonstra que pode levar a melhor em trombadas com zagueiros adversários. Seus gols serão importantíssimos para que os Ticos avancem no Mundial, e especula-se no país que, dependendo de sua performance na Nigéria, ele poderá se transferir para o futebol europeu em breve.
NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Jonathan Moya. Companheiro de Campbell no Saprissa, Moya começou como titular na seleção no início da fase de treinos, em 2008, mas foi, pouco a pouco, perdendo prestígio com o treinador. O Mundial é uma oportunidade de ouro para que o atacante recupere espaço e volte a ser considerado uma promessa no país. Desde que, é claro, ele não se acomode e busque recuperar, dentro de campo, a posição perdida.
O PROFETA...
Ricardo Rojas. Apontado pelo supracitado Luis Conejo como seu sucessor natural, Rojas teve uma participação impecável no torneio classificatório, sobre tudo no jogo contra Trinidad e Tobago, no qual efetuou 12 defesas difíceis e garantiu a vitória costarriquenha por 3 a 0. Ele é, sem sombra de dúvidas, o principal nome da defesa, e, se mantiver o nível no Mundial Sub-17, poderá aparecer com destaque no cenário internacional dentro de alguns anos.
O FARAÓ
Juan Bustos. O camisa 8 é o dono do meio-campo dos Ticos e manda prender e soltar por ali. Bom na marcação, ele carimba praticamente todas as jogadas de ataque do time, dita o ritmo de jogo e ainda aparece algumas vezes na área adversária para finalizar com eficiência. Outro que treina nos profissionais do Saprissa e também foi cotado para a disputa do Mundial Sub-20.
Elenco
GOLEIROS
Ricardo Rojas (Alajuelense) – 03/01/1992
Mauricio Vargas (Alajuelense) – 10/08/1992
Francisco Rodríguez (Brujas)
DEFENSORES
Adrián Mora (Alajuelense) – 04/02/1992
Nicholas Alers Sterling (Escuela de Futbol AC Milan-Costa Rica)
Alejandro Calderón (Herediano) – 26/02/1992
Ariel Soto (Brujas FC) – 14/05/1992
Federico Crespo (Saprissa) – 10/05/1992
Joseph Mora (Alajuelense) – 15/01/1993
MEIO-CAMPISTAS
Josué Aguilar (San Carlos)
Pablo Martínez (Alajuelense) - 14/01/1992
Jeisson Peña (Puntarenas)
Juan Bustos (Saprissa) – 09/07/1992
Rosbin Mayorga (Brujas FC) – 20/03/1992
Deyver Vega (Saprissa) – 19/09/1992
Yeltsin Tejeda (Saprissa) – 17/03/1992
ATACANTES
Danny Blanco (Alajuelense) – 01/091992
Dylan Flores (Saprissa) – 30/05/1993
Joel Campbell (Saprissa) – 26/06/1992
Irvin Huertas (sem clube) – 21/02/1993
Jonathan Moya (Saprissa) – 06/01/1992
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