Olheiros | porque o mundo do futebol se renova

Coberturas especiais

Review do Mundial Sub-20

Assine nosso RSS

Lincoln Chaves e Marcus Alves - 16/10/2009

O Mundial Sub-20 se superou, em todos os sentidos. Preterido em favor da Copa das Confederações e, ainda, das condições climáticas do Egito, ele deixou os meses de junho e julho para ser disputado entre setembro e outubro, em plena temporada europeia. Como resultado disso, diversas seleções vieram desfalcadas e esvaziaram as suas partidas. Mas o que poderia ser mostrar uma catástrofe para os organizadores, acabou sendo contornado, e, no fim das contas, esse Mundial será recordado pelo sucesso de público entre os egípcios e de audiência no Brasil.

>>> Entenda por que o Olheiros ficou fora do ar nas últimas semanas
>>> Confira tudo sobre o Mundial Sub-17


Nesse sentido, pesaram os excelentes jogos que puderam ser acompanhados a partir da fase de mata-mata e, também, o avanço de equipes que superaram as expectativas. Menos cotadas que países tradicionais como Espanha e Itália, Coreia do Sul, Hungria e Costa Rica chegaram longe e contribuíram para outro dado surpreendente. Desde 1999, não se faziam representadas nas quartas de final de um Mundial cinco confederações diferentes. E mais: sem resultar em decréscimo de qualidade, como poderia se sugerir.

Os gramados egípcios também foram palco para o surgimento de garotos que deverão aparecer no Brasil em 2014. Em se tratando de um torneio que, hoje em dia, atrai, em boa parte, jogadores com rodagem entre os profissionais, chegar a essa constatação significa que prognósticos foram derrubados. Mesmo para aqueles que seguem de perto as categorias de base, a edição deste ano apresentou uma série de novidades, entre elas, nomes como Alvarado, da Costa Rica, Koman, da Hungria, e Erasmus, da África do Sul.

Mas o maior exemplo de superação desse Mundial foi dado por Gana. A forma como os atuais campeões africanos venceram o Brasil e conquistaram o seu primeiro título no campeonato coroou uma campanha marcada por contratempos. Primeiramente, com o corte de atletas importantes e depois com uma crise aberta por um suposto favorecimento em suas convocações. Nada ficou provado e, assim, a despeito do abalo em sua preparação, os Satellites puderam comprovar o seu imenso potencial. (Marcus Alves)

Satélites dourados

O título de Gana não surpreende, já que o país tradição em torneios de base. No entanto, as circunstâncias que envolveram a conquista histórica e heróica não credenciavam a equipe comandada por Sellas Tetteh como um dos mais cotados. O grupo chegou ao Egito após uma conturbada preparação, com diversos resultados negativos e uma clara dependência dos “estrangeiros”.

Não bastasse isso, as acusações de que Tetteh recebia propina para convocar certos atletas, feitas por Ishmael Yartey e Sadick Adams, cortados pelo técnico às vésperas do Mundial, adicionaram pressão e novas dúvidas ao que os ganenses poderiam apresentar. Mas, em campo, o time mostrou que estava fechado com o treinador, e encerrou a primeira fase como um dos principais favoritos. A estreia contra o Uzbequistão foi difícil (vitória suada por 2 a 1, de virada), mas a goleada aplicada na irreconhecível Inglaterra por 4 a 0 acordou os ganenses.

Daí em diante, só jogos emocionantes, como no empate em 2 a 2 com o Uruguai, que garantiu a Gana a liderança do grupo. Nas oitavas de final, o time despachou a África do Sul por 2 a 1 na prorrogação. Contra as surpreendentes Coréia do Sul (quartas) e Hungria (semi), vitórias acirradas por 3 a 2, que garantiram aos Satellites a revanche contra o Brasil na decisão. E deu no que deu, com os ganenses salvando a honra do continente africano no Egito.

Foram vários os destaques na campanha da equipe. Entre eles, o treinador Sellas Tetteh, que apesar da crise, manteve o foco do grupo. O atacante Dominic Adiyiah, que ofuscou a estrela Ransford Osei e, com oito gols, arrebatou a artilharia e o prêmio de melhor jogador do Mundial. A redenção do capitão André Ayew, referência no meio-campo ganense e que estava em baixa no futebol europeu, também foi bem, assim Samuel Inkoom, que não deu chances ao badalado Daniel Opare, do Real Madrid, e se firmou como melhor lateral direito da competição. (Lincoln Chaves)

Segundo lugar amargo

Faltou ousadia. No papel, o esquema tático brasileiro se apresentava ofensivo, mas, na prática, nem sempre foi bem assim. Mesmo com três jogadores dedicados, quase que exclusivamente, à armação, a equipe sofreu para finalizar em diversas oportunidades e viu Alan Kardec e o seu papel de pivô, muitas vezes, passarem despercebidos ao longo dos jogos. Não houve uma maior aproximação entre os atletas, o que acabou acarretando, como pôde ser conferido na decisão contra Gana, em pouca objetividade na conclusão dos lances.

Esteve aí a chave para o fracasso do Brasil no Egito. A bem da verdade, somente em duas partidas, a seleção comandada por Rogério Lourenço conseguiu atingir o que dela se esperava – na estreia com a Costa Rica e no clássico com o Uruguai. Nos demais encontros, exceção feita àquele com a Austrália, quando jogou com reservas, o que se viu foram atuações modorrentas e que passaram longe de convencer o torcedor. Ainda assim, o time foi salvo nessas ocasiões por atacantes apenas medianos, caso de Alan Kardec e Maicon.

Mas, apesar da função que exercem, não eram eles os encarregados para fazer esse papel. E, sim, os meias Paulo Henrique Ganso, Alex Teixeira e Giuliano. Os dois últimos tiveram excelentes aparições durante o Mundial e fizeram jus aos prêmios de segundo e terceiro melhor jogador da competição. Entretanto, se analisados os três em conjunto, chegaremos à conclusão de que eles ficaram devendo. Principalmente Ganso, de quem muito se aguardava e pouco se viu.

O destaque da campanha do Brasil acabou sendo a defesa, um setor que se mostrava pouco confiável antes do Mundial. Rafael, Dalton e Rafael Tolói deram conta do recado e, com o apoio de Douglas e Diogo, se firmaram como a retaguarda mais segura do torneio. A se lamentar apenas a pouca variação tática que se verificou nos gramados egípcios. Uma falha que, talvez, pudesse ter sido reparada com a convocação de outros nomes para o ataque, um alerta feito antes da competição. (Marcus Alves)  

Os próximos camisa 1

É difícil, mesmo no futebol de hoje, em que garotos cada vez mais jovens são lançados aos leões, apostar em goleiros de pouca idade. É uma posição que, além de reflexos apurados e agilidade, exige experiência para saber conduzir a equipe desde a faixa de campo privilegiada que ocupam. No entanto, o Mundial Sub-20 mostrou uma interessante leva de atletas que demonstraram bastante qualidade debaixo das traves e que, com o tempo, devem assumir um papel de destaque em suas seleções.

Vicenzo Fiorillo, goleiro da Sampdoria e da seleção italiana, foi a principal revelação no Egito. Com defesas que impressionaram, segurou as pontas dos azzurrini, sendo peça-chave em jogos como o empate sem gols com o Paraguai, e a vitória frente a Espanha, de Sergio Asenjo — curiosamente, ofuscado por outros goleiros no campeonato. O alemão Robert Zieler, do Manchester United, foi outro jogador de destaque na posição, e mostrou que Manuel Neuer terá concorrência dura pela titularidade no Nationalelf no futuro.

Também é de se destacar a atuação de Esteban Alvarado, um dos heróis da espetacular campanha realizada pela Costa Rica. Intervenções precisas, como na surpreendente vitória contra o Egito, renderam ao arqueiro do Saprissa o prêmio de melhor goleiro do Mundial segundo a FIFA. Não menos surpreendente, a Hungria apresentou o promissor Peter Gulásci, que confirmou por que o Liverpool resolveu investir em seu futebol tão cedo. O avanço magiar serviu para que Gulásci ganhasse mais notoriedade, algo que certamente não passará despercebido em Anfield.

O Brasil também volta para casa com boas notícias no gol. Após um fraco Sul-Americano Sub-20 e as críticas pelo “frango” sofrido contra a Austrália, ainda na primeira fase, Rafael surpreendeu com defesas importantes e seguras, e uma recuperação fantástica. Cabe, ainda, uma referência a Daniel Adjei, arqueiro da campeã Gana, que, embora espalhafatoso, fez boas defesas ao longo do Mundial e, na decisão, pegou dois pênaltis decisivos para o título dos Satellites. (Lincoln Chaves)

Seleção do Mundial


Não foi tarefa fácil escolher os onze melhores do Mundial Sub-20. Diversos jogadores apareceram ao longo da competição e poderiam ter integrado a lista dos nomes escolhidos pela equipe do Olheiros. Mesmo aqueles como os uruguaios, que se despediram prematuramente do Egito, mas deixaram a sua marca. Veja abaixo a seleção que escalamos no mesmo esquema utilizado pela seleção brasileira no torneio. Gostou? Não? Escreva para a gente e mande a sua também.

Fiorillo (Itália); Inkoom (Gana), Dalton (Brasil), Jungwirth (Alemanha), Kopplin (Alemanha); Mérida (Espanha), Kim Min Woo (Coreia do Sul); Koman (Hungria), Ayew (Gana) e Alex Teixeira (Brasil); Adiyiah (Gana)



Colunas anteriores:

Todos direitos reservados olheiros.net | Copyright reserved 2008

Triares