Gabriel Dudziak - 17/10/2009
Depois da incorporação da Austrália ao quadro de seleções da Confederação Asiática de Futebol (AFC), a Nova Zelândia se tornou a grande potência do esporte na Oceania. É bem verdade que os All Whites chegaram a ser superados pelo Taiti na disputa do continental sub-20 que dava uma vaga no Mundial do Egito. No entanto, nas eliminatórias das seleções principais e no torneio sub-17 da OFC, os neozelandeses sobraram. Enquanto o time profissional ainda precisará jogar com o Bahrein para ver se vai à Copa, a Nova Zelândia sub-17 já está garantida no Mundial da categoria.
Em termos de campanha no torneio, a Nova Zelândia não pode se orgulhar de seu histórico. Foram três eliminações ainda na primeira fase em três edições. Ainda assim, em 1999 a participação foi ligeiramente melhor do que a de outros anos. Jogando em casa, a seleção sub-17 novamente não conseguiu passar em seu grupo, mas obteve uma vitória contra a Polônia por 2 a 1, naquele que foi o primeiro triunfo da história da seleção em mundiais da FIFA, independente da categoria.
Com esse fraco retrospecto nas competições, é de se esperar que os All Whites novamente não consigam passar pelo grupo D, que conta ainda com Turquia, Costa Rica e Burkina Faso. No entanto, se por um lado os prognósticos parecem bastante ruins, por outro, a Nova Zelândia chega à disputa bem preparada. Com a classificação obtida com facilidade no torneio continental deste ano e com o grande entrosamento obtido pela base dessa seleção, que treina junto há praticamente 18 meses, as esperanças de que neste ano as coisas podem ser diferentes estão bastante vivas entre torcedores e atletas. Se o grupo que for a Nigéria conseguir esse feito será a primeira vez que uma seleção de futebol do país consegue avançar ao mata-mata de uma competição da FIFA.
Hegemonia na Oceania
A classificação neozelandesa para o Mundial Sub-17 não poderia ter vindo de forma melhor. Com extrema facilidade e jogando em casa, os All Whites venceram suas três partidas no OFC da categoria, marcaram 7 gols e não levaram nenhum. Na estreia, bateram Vanuatu por 3 a 0, marcando dois dos três tentos ainda nos primeiros 15 minutos de partida. Contra a Nova Caledônia, a Nova Zelândia impôs seu jogo na segunda etapa e triunfou por 2 a 0. A apenas uma vitória da classificação, a equipe tomou um susto diante do Taiti, depois que Hobson-Mcveigh foi expulso ainda no primeiro tempo. No entanto, àquela altura os neozelandeses já haviam resolvido a partida fazendo um 2 a 0 que se manteria até o final do jogo.
Depois de assegurar um lugar entre os 24 times que vão à Nigéria, o técnico Steve Cain colocou os selecionáveis que atuam no país para jogar a Auckland League, um torneio regional de clubes da Nova Zelândia. "Atuar contra times deste nível ajudou os garotos a melhorarem aspectos físicos de seu futebol e também técnicos", analisou Cain. Além disso, os All Whites também jogaram contra o Waitakere United e o Auckland City, dois dos principais clubes do país. Tudo para que os meninos fossem testados ao máximo nesse período que antecede a disputa.
Com tanto tempo de preparação mantendo a mesma base, o próprio Cain afirma que o entrosamento é o grande trunfo para buscar a classificação. "Muitos países se beneficiam do fato de terem seus atletas já com alguma experiência em times profissionais, mas nós temos a vantagem de atuarmos juntos e jogarmos como um grupo há bastante tempo", afirma. Além do entrosamento, a aposta de Cain é na qualidade dos atletas que já atuam em ligas do exterior, casos do meia Cameron Lindsay, do Blackburn, Jamie Doris, do Hibernian, e Andrew Milne, do Rangers.
Como montar um time vencedor não é apenas trabalhar aspectos táticos e técnicos da equipe, Steve Cain também tem passado a seus jogadores que este é o momento de eles fazerem história. "Nós não vamos levar em conta os números da nossa seleção, embora saibamos o tamanho do desafio que se coloca à nossa frente. Eu disse a este grupo desde o início que a nossa ambição é ser o primeiro time da Nova Zelândia a passar de uma fase de grupos", declarou.
Entrosamento, "estrangeiros" e contra-ataques
Para conseguir o feito histórico de chegar ao mata-mata do Mundial, Steve Cain deve alinhar uma Nova Zelândia bastante semelhante à que atuou no torneio continental no início deste ano. A diferença é que, com adversários de notória maior qualidade, os jogadores não deverão ter tanta liberdade para ir ao ataque. A opção deve ser por um 4-5-1 bastante fechado ou um 4-4-2 igualmente defensivo, apostando muito nos contra-ataques puxados pelos externos neozelandeses e na bola área para o único centroavante do time.
Na defesa, setor que terminou o torneio continental deste ano sem levar um gol, o goleiro Coey Turipa estará protegido pela dupla de zagueiros Adam Thomas e Gordon Murie, capitão do time, e pelos laterais Josh Morrison e Ashton Pett. Já entre os cinco do meio-de-campo, caberá a Zane Sole e aos talentosos Jack Hobson-Mcveigh e Cameron Lindsay, do Blackburn Rovers, a tarefa de dar mais proteção aos defensores e possibilitar uma saída de bola rápida à equipe.
Saída essa que deverá ficar a cargo dos velozes meias externos Thomas Spragg e Andrew Bevin, que é atacante de origem, mas que também atua mais recuado na seleção. Os dois tem papel essencial nessa equipe, uma vez que caberá a eles e a Lindsay compor o meio e levar a bola até o único atacante do time, o atleta do Glasgow Rangers, Andrew Milne, artilheiro do OFC Sub-17 2009 com três gols. Além dos prováveis 11 titulares, atletas como o externo Michael Built, o central Jamie Dorris e o lateral e meia Luis Esteves podem se destacar ao longo da competição já que, apesar de reservas, costumam entrar com regularidade na equipe de Steve Cain.
Com uma campanha exemplar no torneio de seu continente, uma formação tática bem definida, a experiência de estarem atuando juntos em jogos competitivos desde o início deste ano e o entrosamento decorrente, a Nova Zelândia poderia chegar à Nigéria com boas chances de avanço em seu grupo. No entanto, o baixo nível do futebol local não pode ser levado como padrão para esse Mundial.
Para se ter uma ideia, o escrete neozelandês que faturou o OFC de forma tranquila foi o mesmo que meses antes perdeu para o Chile sub-18, Japão sub-17, colégio Saga Higashi, do Japão, e que empatou com os também colégios japoneses Jang Yoon e Kagashimi Josei. Ou seja os neozelandeses ainda tem um time bastante fraco em comparação com seus adversários, mesmo eles sendo Turquia, Burkina Faso e Costa Rica.
Curtas
ELE PROMETE IR À CAÇA...
Andrew Milne Depois de ser artilheiro do OFC Sub-17 2009, com três gols nas três partidas da Nova Zelândia no torneio, Milne vai à Nigéria como a grande força ofensiva dos All Whites. O atleta, que já joga no Glasgow Rangers da Escócia, no entanto, não deve ter vida fácil para balançar as redes adversárias. Apesar de já ter mostrado qualidades como finalizador, o fato de atuar isolado no ataque deve dificultar bastante seu ofício na disputa do Mundial.
NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Nikolai Molijn Titular dos All Whites no início de 2009, Molijn perdeu espaço com o comandante Steve Cain depois de sofrer uma contusão que o tirou da disputa do OFC Sub-17. Fora do grupo que conquistou o torneio continental, Nikolai viu Milne arrebentar no campeonato da Oceania e conquistar a artilharia. Recuperado, dificilmente deve aparecer com destaque na equipe que vai à Nigéria.
O PROFETA...
Gordon Murie Zagueiro de confiança do treinador neozelandês, Gordon Murie também terá a responsabilidade de ser a voz de comando dentro de campo. Titular da seleção sub-17 desde o início deste ano, Murie terá papel primordial na tentativa dos All Whites de não sofrerem gols que inviabilizem a iniciativa de partir nos contra-ataques. Além de ser o responsável pela segurança defensiva, o zagueiro também se apresenta como uma boa opção no jogo aéreo.
O FARAÓ...
Cameron Lindsay O craque do time da Nova Zelândia está no meio-de-campo. Já com experiência nos juvenis do Blackburn Rovers, da Inglaterra, caberá a Lindsay a difícil tarefa de desarmar as ofensivas dos adversários ao mesmo tempo em que arma os contra-ataques de sua equipe. Apesar da função bastante centralizada no meio-de-campo, Cameron chega bastante à frente para concluir em gol. Se ele estiver em bom nível na disputa do Mundial, os All Whites têm mais chances de obter o seu triunfo.
Elenco
GOLEIROS
Coey Turipa (Nelson Suburbs)
Alex Carr (Central United)
Patrick George (Ellerslie)
DEFENSORES
Matthew Gibbons (Hamilton Wanderers)
Adam Thomas (Central United)
Luis Esteves (Hamilton Wanderers)
Gordon Murie (Birkenhead)
Josh Morrison (Central United)
Tane Gent (Central United)
Ashton Pett (Bay Olympic)
MEIO-CAMPISTAS
Stephen Kirby (Auckland Grammar School)
Zane Sole (Central United)
Jack Hobson-McVeigh (Birkenhead)
Michael Built (Hamilton Wanderers)
Thomas Spragg (Central United)
Jamie Doris (Hibernian-ESC)
Cameron Lindsay (Blackburn Rovers-ING)
ATACANTES
Tim Pilkington (East Coast Bays)
Nicolai Molijn (Ellerslie),
Andrew Milne (Glasgow Rangers-ESC)
Andrew Bevin (Napier City Rovers)
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