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Mundial Sub-17'09: Estados Unidos

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Rafael Arrais - 20/10/2009

Há alguns anos, vários países investem alto na popularização do futebol e no fortalecimento do esporte na cultural local, e a maneira mais adequada para isso é concentrar esses investimentos nos jovens. O maior exemplo dessa política é os Estados Unidos, que já vê resultados dentro de campo, do foco no desenvolvimento da juventude e da organização geral. A federação de fautebol do país criou uma espécie de dinastia do futebol júnior, com tempo integral de treinos em residências especializadas para garotos.

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O reflexo desse artifício utilizado pode ser visto no retrospecto estadunidense nos mundiais sub-17, em que o país foi o único a disputar todas as 13 edições da competição, desde a sua criação em 1985 na China. De apenas mero figurante em suas primeiras aparições no torneio, quando não conseguiam sequer passar da primeira fase,os ianques foram evoluindo com o passar dos anos. Em 1991 e 1993, a equipe chegou às quartas-de-final e já incomodava as seleções mais tradicionais. 

Mas foi em 1999, na Nova Zelândia, que os Estados Unidos obtiveram seu resultado mais significativo no torneio. Liderados pelos hoje astros do time principal Landon Donovan e Damarcus Beasley, conseguiram chegar às semifinais do torneio, e foram derrotados apenas nas penalidades para a Austrália, ficando na quarta posição após a derrota para Gana na disputa da medalha de bronze. O país ainda conquistou outros bons resultados quando mais uma vez chegaram a duas quartas-de-final consecutivas em 2003 e 2005.

Para o Mundial sub-17 da Nigéria, em 2009, as expectativas são boas, muito pela crescente evolução do futebol de base local, e a tradição já conquistada no torneio. Jogando em um grupo que conta com Espanha, Malaui e Emirados Árabes, a confiança norte-americana na classificação é muito grande, tendo em vista a boa campanha no qualificatório continental e a preparação realizada pelo técnico Wilmer Cabrera. A esperança é de que possam, pelo menos, superar a colocação do último mundial, disputado em 2007 na Coréia do Sul, quando ficaram nas oitavas de final.

Comandante experiente 

Os Estados Unidos mais uma vez provaram sua hegemonia local no futebol de base ao garantir o passaporte para o Mundial sub-17 com tranquilidade no qualificatório da Concacaf. O torneio foi disputado no mês de abril no México, mas não chegou a ser finalizado devido ao surto de gripe suína na região, classificando-se assim, as equipes que obtiveram as duas primeiras colocações em seus grupos. Wilmer Cabrera entendeu a situação e expressou sua solidariedade com o povo mexicano. “Nós queríamos lutar por um lugar na final, mas o bem-estar das pessoas vem em primeiro lugar”, declarou.

Mesmo assim, o U.S Team não tomou conhecimento dos adversários e atropelou os concorrentes na primeira fase. Logo no primeiro jogo uma sonora goleada por 5 a 0 diante de Cuba. No segundo jogo, o mais difícil da primeira fase, mais uma vitória tranquila por 4 a 2 sobre o Canadá. Para fechar com chave de ouro, os ianques venceram a também classificada Honduras com um fácil 3 a 0. Essa participação com muito sucesso nas eliminatórias locais encheu a equipe de otimismo para uma boa campanha em nível internacional.

Desde o fim do qualificatório da Concacaf, Cabrera prepara seus garotos em Bradenton, na Flórida, para que eles possam alcançar um bom desempenho na Nigéria. Além de um amistoso contra Gâmbia, o técnico fez uma viagem preparatória para a Inglaterra, onde os jogadores puderam jogar algumas partidas amistosas, além de treinar em Stanford Bridge, campo do Chelsea, e ter contato com algumas estrelas do futebol mundial. Para o técnico, é importante que os atletas conheçam o alto nível do futebol no mundo e percebam que o futuro está próximo.

Cabrera é um dos grandes destaques dessa seleção. À frente dos Estados Unidos desde outubro de 2007, ele tem total domínio sobre o elenco. Apesar de ser considerado um jovem treinador, carrega consigo uma vasta experiência como ex-jogador, tendo disputado as Copas do Mundo de 1990 e 1998 e dois Mundiais Sub-20, em 1985 e 1987, pela Colômbia, seu país natal. O objetivo dele agora é passar toda essa experiência para que seus comandados possam, quem sabe, superar a campanha de 1999 e lutar pelo título.

Consistência e consciência tática

Pelo tempo que passaram juntos durante todo o período de preparação, pode-se dizer que a seleção estadunidense sub-17 possui como principal característica o entrosamento. Utilizando a mesma base desde que iniciou o processo de formação do elenco atual, Cabrera confia no conhecimento que tem sobre seus atletas e credita à política que o país implementou para cooptar jovens promessas o sucesso do futebol local nas categorias de base.

Com um estilo de jogo mecânico e pragmático, típico do futebol norte-americano, a jovem seleção ianque chega à Nigéria em busca de um equilíbrio entre ataque e defesa, que seja capaz de trazer bons resultados. Com 12 gols marcados e apenas dois sofridos em três jogos, esse objetivo foi conquistado no Campeonato da Concacaf Sub-17, mas há a consciência de que o nível das competições internacionais é muito mais elevado.

A consistência e o equilíbrio adquiridos são frutos do treinamento realizado na Flórida, na cidade de Bradenton, onde, segundo o técnico, está localizada a melhor escola de futebol do país. Os bons valores do atua plantes começam no goleiro, com o seguro Earl Edwards, que mais uma vez prova a eficiência da escola estadunidense em produzir bons arqueiros para o futebol, como Tim Howard e Brad Friedl. A defesa é comandada pelo capitão Perry Kitchen, um dos jogadores mais experientes do elenco.

No meio-campo, os Estados Unidos concentra uma grande variedade de talentos individuais, que juntos integram um sistema uniforme e eficaz tanto na defesa, quanto no ataque. Destaque para dois jogadores que atuam no futebol inglês: o camisa 10, Luís Gil, do Arsenal, que possui um passe preciso e muita inteligência para controlar a partida, e Sebastian Lletget, do West Ham United, meia mais ofensivo e que encosta com os atacantes sempre produzindo jogadas perigosas. 

A dupla de ataque enche o técnico de esperanças quanto a uma boa participação no mundial. Liderado pelo artilheiro Jack Mclnerney, goleador nato, e que tem ao seu lado o eficiente Stefan Jerome, o desempenho ofensivo da equipe depende da boa atuação dos dois, que juntos marcaram metade dos gols da equipe no torneio da Concacaf. Com um time consistente, e bons valores individuais, os Estados Unidos têm tudo para surpreender grandes potências mundiais, e provar que o futebol no país está em um amplo processo de expansão e, em pouco tempo, brigará por títulos em nível internacional.
 
Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Jack Mclnerney. Autor de cinco gols e artilheiro do Campeonato da Concacaf Sub-17 2009, Mclnerney é a referência do ataque estadunidense e principal responsável pelos tentos do time. Considerado simples e eficaz pelo técnico, o jogador é um dos homens de confiança de Cabrera dentro do elenco. Com um porte físico avantajado, utiliza-se desse mecanismo para ganhar as jogadas dos zagueiros, sempre demonstrando muita vontade. Seu desempenho já chamou até a atenção de times europeus, e especula-se que já há o interesse de um time da primeira divisão da Holanda em contar com seus serviços.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Boyd Okwuono. Chamado na última lista para o Mundial Sub-17 da Nigéria, Okwuono não passará de um mero figurante na África. O jogador nem sequer participou da campanha do Sub-17 da Concacaf, que classificou os Estados Unidos para o mundial, em abril no México. Zagueiro de origem terá uma difícil missão de conseguir uma vaga na defesa estadunidense, devido a consistência e entrosamento do setor. Dificilmente o atleta terá alguma chance de entrar em campo durante o torneio.

- O PROFETA...
Perry Kitchen. Líder da defesa e capitão da equipe, Kitchen é o jogador que passa confiança aos seus companheiros dentro de campo. Atleta do Chicago Magic, alia velocidade e capacidade de desarme, utilizando sempre seu físico nas jogadas contra os atacantes adversários. Um dos jogadores com maior experiência dentro do elenco, é um dos jogadores mais utilizados pelo técnico Cabrera desde que a equipe foi montada. Com a confiança de todos, tem tudo para ser o condutor dos Estados Unidos para uma boa campanha na Nigéria.

- O FARAÓ... 
Luis Gil. Jogador mais novo do elenco, com apenas 15 anos, Gil já ostenta a camisa 10 dos Estados Unidos Sub-17 e vislumbra um futuro brilhante pela frente. Considerado um dos jogadores americanos mais promissores dos últimos tempos, já foi integrado à academia do Arsenal, famosa por cooptar jovens talentos. Dono de um passe preciso e uma boa visão de jogo, o atleta é um dos principais responsáveis pela armação das jogadas de ataque. Com um gol e duas assistência no torneio da Concacaf, ele tem tudo para explodir no mundial da Nigéria e provar que toda a expectativa criada sobre ele não foi à toa.

Elenco

GOLEIROS
Earl Edwards (La Jolla Nomads SC) – 24/01/1992
Spencer Richey (Crossfire Premier) – 30/05/1992
Keith Cardona (New York Red Bulls) – 07/11/1992

DEFENSORES
Tyler Polak (Capital Soccer Academy) – 13/05/1992
Perry Kitchen (Chicago Magic) – 29/02/1992
Zachary Herold (West Pines United FC) – 07/06/1992
Eriq Zavaleta (FC Pride) – 02/08/1992
Boyd Okwuono (Tulsa Thunder) – 24/02/1993

MEIO-CAMPISTAS
Jared Watts (North Meck SC) – 03/02/1992
Marlon Duran (Latino Americano) – 25/01/1992
Alex Shinsky (Super Nova FC) – 02/04/1993
Luis Gil (Pateadores) – 14/11/1993
Nicholas Palodichuck (Washington Premier FC) – 15/09/1992
Carlos Martinez (Wilmington Jr.) – 21/01/1992
Willian Packwood (Birmingham City-ENG) – 21/05/1993

ATACANTES
Stefan Jerome (West Pines United FC) – 11/08/1992
Jack MacInerney (Cobb SC) – 05/07/1992
Dominick Sarle (BW Gottschee) – 15/10/1992
Juan Agudelo (New York Red Bulls) – 23/11/1992
Andrew Craven (First Coast Kicks) – 21/01/1992
Victor Chavez (Real So Cal) – 25/08/1992



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