Lincoln Chaves - 22/10/2009
A campanha sul-coreana no Mundial Sub-20 surpreendeu até os mais incrédulos. Além de fazer Estados Unidos e Camarões comerem poeira e ficar atrás apenas da Alemanha na primeira fase, os Taeguk Warriors golearam o bom Paraguai e só caíram, depois de muita luta, para a campeã Gana, nas quartas de final. O desempenho surpreendente dos “mais velhos” no Egito é a motivação do esquadrão sub-17, cuja base escolar também é considerável, embora chame atenção o bom número de garotos que já estão na base de times nacionais. O objetivo maior é apagar a campanha pífia de 2007, quando sediaram o torneio, mas não passaram da primeira fase. Igualar a melhor campanha do país em Mundiais Sub-17 (quartas de final, em 1987) não é comentado, apesar de, nas entrelinhas, esse ser o mote maior do grupo.
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Na ocasião, comandados pelos meio-campistas Shin Tae-Yong e Noh Jung-Yoon, além de Seo Jung-Won, a Coréia do Sul, que debutava na competição, começou empatando com a Costa do Marfim e perdendo para o Equador, mas goleou os Estados Unidos por 4 a 2 e avançou às quartas, caindo apenas para a Itália, de Gianluca Pessotto e Fabio Gallo. De lá para cá, foram duas apresentações esquecíveis. Em 2003, o time foi massacrado pelos EUA de Freddy Adu e não teve chances contra a Espanha de David Silva, vencendo apenas a fraca Serra Leoa. Já em casa, em 2007, os sul-coreanos não foram páreos para Costa Rica e Peru, e, como quatro anos antes, chegou à rodada final sem esperanças de classificação.
O discurso de que “passar de fase” é o objetivo principal da equipe tem sido evitado, e trocado pelo “cada jogo é uma final”. Faz sentido. O grupo reúne a competente Argélia, vice-campeã africana, a sempre forte e guerreira Itália e o tradicional Uruguai. A esperança principal está em arrebatar uma das vagas como um dos melhores terceiros colocados, despachando os argelinos, e arrancar pontos dos favoritos italianos e uruguaios. A boa campanha dos Taeguk Warriors no Sub-20 aumentou as expectativas acerca do que se pode esperar dos sul-coreanos, e os bons resultados durante a fase de preparação dão credibilidade aos asiáticos. Se a equipe chegar às oitavas e quebrar o tabu de 12 anos sem sucesso no Sub-17, o esforço já terá sido válido.
Boa impressão
A Coreia do Sul chegou à edição 2009 do Mundial Sub-17 com facilidade. Na disputa do Asiático Sub-16, já na fase de grupos, a equipe atropelou Índia (5 a 2) e Indonésia (9 a 0) para sacramentar a vaga nas quartas de final da competição. E se na edição sub-19 do torneio, os sul-coreanos caíram para o Uzbequistão, a garotada sub-16 não deu chances para a zebra: aplicaram 3 a 0 nos Lobos Brancos, que sediavam o certame, garantiram espaço na Nigéria e avançaram às semifinais. O título não veio (derrota na final para o Irã), mas a campanha rendeu o prêmio de melhor jogador para Lee Jong-Ho, além de um convincente cartão de entrada para o Mundial.
Se o desempenho no Asiático Sub-16 deu moral, o título de um torneio sub-17 amistoso, o Quatro Nações, disputado nos Emirados Árabes, aumentou ainda mais a confiança. Novamente comandados por Jong-Ho, os Taeguk Warriors superaram os donos da casa e a atual campeã do mundo da categoria, Nigéria, além de empatar com a Zâmbia, no jogo que assegurou o troféu inédito. Mesmo na Sendai Cup, que é sub-18, os sul-coreanos deixaram uma boa impressão, vendendo caro as derrotas para o campeão Brasil e para a sempre perigosa França, superando, ainda, o Japão, na rodada final.
Os resultados são bastante significativos, levando em conta que, enquanto muitos dos rivais já atuam mais intenso em nível de equipe, seja na formação ou no elenco principal (caso dos brasileiros), os sul-coreanos, em sua maioria, ainda defendem times colegiais na liga nacional, numa rotina bastante diferente e ainda não profissional. Vale lembrar, ainda, que a base que tem jogado é a mesma há pelo menos dois anos, mais precisamente desde 17 de outubro de 2007, quando a equipe goleou o Taiwan pelo classificatório ao Asiático Sub-16. Na ocasião, o time ainda era sub-15, o que evidencia o entrosamento e o conhecimento que o treinador Lee Kwang-Jong, possui do que tem em mãos.
Defesa é problema
Apesar desse profundo conhecimento, Kwang-Jong terá trabalho, especialmente na defesa, para montar seu time. Afinal, alguns nomes importantes, como Lim Chang-Yoo, capitão da equipe durante toda a fase preparatória, mas que, machucado, estará ausente. O próprio treinador declarou que improvisar será necessário, embora ainda esconda o jogo no que diz respeito a quantos atletas atuarão na zaga, apesar de a expectativa apontar para um esquema com três zagueiros (dois mais fixos e um provável meia improvisado — que deverá ser Kim Dong-Jim). Até por isso, espera-se que esse será o setor mais limitado do time.
O meio-campo, com isso, também deve sofrer algumas alterações, especialmente no setor de marcação. Mantida a formação dos últimos torneios, Nam Seung-Yoo e Joo Ik-Seung devem atuar mais centralizados, enquanto Lee Min-Soo, que possui características ofensivas, deve intercalar investidas no ataque com a ajuda na armação. Indefinição também no gol, já que, entre o Asiático Sub-16 e os preparatórios, sete goleiros foram testados. Dos convocados, Kim Jin-Young e Lee Chang-Geun, por exemplo, só se firmaram após a Sendai. Choi Bong-Jin, por sua vez, só foi lembrado para o torneio Quatro Nações. E nenhum dos arqueiros vice-campeões continentais em 2008 foi listado. Jin-Young é o favorito, embora Chang-Geun, já nas categorias de base do Busan, também esteja cotado.
Mas é na frente que estão as principais expectativas, com a dupla Lee Kang e Lee Jong-Ho. Ambos são atacantes (embora não exatamente centroavantes) com bom perfil goleador, e destacam-se pela velocidade. Foram peças importantes na conquista da vaga para o Mundial e no título obtido nos Emirados Árabes. Kang e Jong-Ho possuem também habilidade para atuar juntamente de Min-Soo, como meias de auxilio ao ataque (mais ou menos como Giuliano, Alex Teixeira e Ganso pelo Brasil no Sub-20), enquanto um centroavante de ofício (Son Heung-Min — favorito — ou Kim Ji-Hun) intercalará a função de pivô e referência para mandar a bola nas redes.
Esse último esquema foi adotado, por exemplo, na acachapante goleada de 9 a 0 aplicada na Indonésia, durante o Asiático Sub-16. Na ocasião, Heung-Min foi o centroavante e marcou duas vezes. Ainda assim, a probabilidade maior é a de Kwang-Jong manter Kang e Jong-Ho na frente, devido à clara dificuldade defensiva que o time encontrará, por causa dos desfalques na zaga, e apostar na velocidade de ambos, ao invés de arriscar um onze mais ofensivo e correr riscos de contra-ataques, especialmente contra equipes competentes ofensivamente, como o Uruguai.
Curtas
- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Lee Kang. Tanto o jogador da Jaehyun High School quanto o também atacante Jong-Ho se destacam no ato de mandar a bola para as redes. No entanto, Kang possui um quê mais ofensivo, enquanto o companheiro de ataque na seleção. Não cansou de fazer gols no Asiático Sub-17 (12, em 7 jogos), firmando-se como vice-artilheiro da fase final da competição. Não é alto (apenas 1,73 metro), mas sabe se livrar bem da marcação e se posicionar.
- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Kim Jin-Su. O lateral esquerdo não é bem um provável foguete molhado. No entanto, terá muitas dificuldades no Mundial Sub-17 em virtude dos desfalques que os Taeguk Warriors terão no sistema defensivo. Jin-Su pode ser recuado à zaga, por estar mais entrosado com os outros defensores, ou até ser preterido, caso o treinador Lee Kwang-Jong decida conter mais a retaguarda. Circunstâncias que podem atrapalhar as pretensões do garoto na Nigéria.
- O PROFETA...
Lee Min Soo. Com o corte do capitão Lim Chang-Yoo, este meia (e que também pode jogar de atacante) será a voz coreana mais forte. É o segundo mais velho do elenco (nasceu em janeiro de 1992) e o mais experiente do grupo (esteve em todas as convocações de Kwang-Jong). Min Sôo ainda está no ensino médio, e poderá mostrar no Mundial se tem cacoete para, além de ligar o meio ao ataque, ser também um líder.
- O FARAÓ...
Lee Jong-Ho. Além de chegar com qualidade ao gol, como demonstrou no Asiático Sub-17 e nos últimos jogos preparatórios, é a referência da equipe quando está com a bola no pé, ajudando a ditar o ritmo da equipe. Veloz e de boa técnica, tem no currículo o prêmio de melhor jogador da competição continental, apesar de não ter levado o título. Da geração que estará na Nigéria, divide as atenções com Lee Kang, mas é tido como o mais promissor.
Elenco
GOLEIROS
Lee Chang-Geun (Busan) - 30/08/1993
Kim Jin-Young (Yiri High School) - 02/03/1992
Choi Bong-Jin (Bukyeong High School) - 06/04/1992
DEFENSORES
Kim Young-Seung (Shingal High School) - 22/02/1992
Kim Jin-Su (Shingal High School) - 13/06/1992
Cho Min-Woo (FC Seoul) - 13/05/1992
Lim Dong-Cheon (Baekahm High School) - 13/11/1992
Park Sun-Joo (Eonnam High School) - 26/03/1992
Kim Min-Hyeok (Suncheon High School) - 27/02/1992
Koh Rae-Se (Gyeongnam) - 23/03/1992
MEIO-CAMPISTAS
Yun Il-Lok (Gyeongnam) - 07/03/1992
Lee Jong-Kwon (Chunnam Dragons) - 01/01/1992
Nam Seung-Woo (Bukyeong High School) - 18/02/1992
Kim Dong-Jin (Andong High School) - 28/12/1992
Joo Ik-Seong (Taesung High School) - 10/09/1992
Lee Min-Soo (Moonsung High School) - 11/01/1992
An Jin-Beom (Bukyeong High School) - 10/03/1992
ATACANTES
Kim Ji-Hun (Jeonju Technical High School) - 24/05/1992
Lee Kang (Jaehyun High School) - 10/09/1992
Son Heung-Min (FC Seoul) - 08/07/1992
Lee Jong-Ho (Chunnam Dragons) - 24/02/1992
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