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Mundial Sub-17'09: Argélia

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Leandro Stein - 21/10/2009

O futebol argelino vive um momento de alta, raro nos últimos anos. A equipe principal dos Les Fennecs (raposas, em francês) está a um passo de seu retorno à Copa do Mundo, da qual não participa desde 1986. O time lidera seu grupo e pode perder por até um gol de diferença para o Egito, em partida a ser realizada na cidade do Cairo, que tem sua vaga garantida. Além disso, os argelinos já estão confirmados na Copa Africana de Nações de 2010.

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E a perspectiva de prosperidade no futebol do país, ao que parece, durará ainda mais algum tempo. Pela primeira vez na história, o time participará de uma edição do Mundial sub-17. A única vez em que a Argélia entrou em um torneio de futebol de base organizado pela FIFA foi na longínqua Copa do Mundo sub-20 de 1979, realizada no Japão. 

A classificação, contudo, é fruto de investimentos feitos pela federação local. Desde que o Campeonato Africano sub-17 de 2009 teve sua realização na Argélia confirmada, as categorias de base do país começaram a ser apoiadas com maior força. Tratamento especial, obviamente, para os juvenis: um planejamento de longo prazo começou a ser traçado a partir de 2007 e, desde então, uma academia foi aberta para reunir e treinar os jogadores prodígios.

Na organização de seu projeto, a federação argelina optou por confiar em duas pessoas para centralizar o comando da equipe. O treinador Othmane Ibrir foi convidado por seu conhecimento tático. Ex-jogador profissional, formou-se em educação física no Canadá. Estagiou, inclusive, com técnicos famosos, como Raymond Domenech. Já o treinador adjunto, Hakim Meddane, é ex-jogador da seleção local e passa sua experiência nos campos aos jovens.

Assim, grande parte do grupo chamado para a disputa final na Nigéria foi formada na própria academia: nada menos que 16 dos 21 convocados. A esperança é que, com um elenco bastante entrosado, as raposas consigam superar a tradição de Itália, Uruguai e Coreia do Sul, adversários na primeira fase. A classificação para as oitavas-de-final é vista como o objetivo principal da equipe no torneio.

Preparação conturbada

Por sediar o Campeonato Africano sub-17, os Fennecs não precisaram disputar as etapas qualificatórias do torneio. Foi a primeira vez desde o início da disputa, em 1995, que os “verdes” participaram de sua fase final. Durante a fase de grupos, os argelinos venceram Camarões e Guiné, ambos por 1 a 0, e perderam para a seleção de Gâmbia, terminando na segunda posição. Nas semifinais, embate contra a favorita Burkina Faso. Em uma partida impecável defensivamente, a vitória por 1 a 0 garantiu os anfitriões na decisão. 

Os adversários na final seriam novamente os escorpiões gambianos. E, como no primeiro confronto, as raposas não conseguiram segurar o oponente e perderam por 3 a 1. No saldo final do torneio os argelinos terminaram com o vice-campeonato e a classificação inédita para a Copa do Mundo da categoria. Dando sequência a preparação, os comandados de Ibrir e Meddane enfrentaram por duas vezes os iranianos, vencedores do Asiático sub-16 e também garantidos no Mundial. Uma vitória para cada lado (Irã 4-2 e Argélia 2-0) representou o equilíbrio entre ambas as equipes.

Após novo período de treinamentos, na França, as raposas viajaram até a Tunísia para a disputa de um campeonato entre seleções sub-17. Porém, com um empate (1-1) diante de Burkina Faso, uma goleada sofrida para os Emirados Árabes (4-0) e uma derrota nos pênaltis contra os tunisianos, os argelinos ficaram com a lanterna do torneio, o que colocou em xeque o projeto de preparação de sua equipe.

No retorno à Argel, poucos foram os resultados expressivos. Mesmo com goleadas diante de pequenos clubes do país, os únicos testes de peso foram no empate diante dos Fennecs sub-20 e na vitória por 2 a 0 na Líbia, também representada por seu time de juniores.

Finalmente, a última etapa da preparação foi realizada na Alemanha. Mais uma vez, os verdes golearam clubes sem expressão. Mas em seu derradeiro desafio antes do Mundial, vexame total: derrota por 6 a 0 diante da esquadra sub-17 alemã.

Com tantas variações em seus desempenhos, os argelinos chegam à Nigéria como grandes incógnitas. Os torcedores sabem que têm bons jogadores em seu plantel, porém, com tantos altos e baixos, desconfiam de sua seleção. A esperança é que os erros tenham servido de experiência para que, em um grupo com adversários fortes, consigam alcançar a classificação para a próxima fase.

Sem o grande craque

Uma das possíveis explicações para a queda de rendimento da equipe é a ausência de seu principal jogador, Nadir Bendahmane. Durante o Africano sub-17, o atacante parecia onipresente em campo, anotando todos os quatro gols marcados pelas raposas durante o torneio. Contudo, não participou dos jogos desde então e, durante a última fase de treinamentos, quando os jogadores que atuam fora do país foram integrados ao elenco, o atleta não foi liberado pelo seu clube, o Grenoble da França. Sendo assim, não restou opções aos treinadores a não ser cortar o seu astro.

Sem Bendahmane, perde-se uma peça fundamental em seu esquema tático. Utilizando uma formação no estilo 4-2-3-1, Ibrir não poderá contar mais com sua grande referência no ataque. Na ausência do homem gol do time, é possível que os meias da equipe sejam mais exigidos no apoio às finalizações. A velocidade dos contra-ataques deverá ser a grande arma das raposas.

Quem tem entrado em campo suprir a carência na frente é o atacante Youcef Khelifi, jogador formado na própria academia da federação argelina. Entretanto, com a chegada do avante Abdelmadjid Ammari na última etapa da concentração, Khelifi deve perder a posição. Ammari atua no futebol francês e é um dos poucos “estrangeiros” do grupo. 

O jogador que deverá receber mais responsabilidades na ausência de Bendahmane, porém, será o armador Abdelhakim Bezzaz. Ao melhor estilo “baixinho e criativo”, o meia ficará encarregado de comandar o setor ofensivo. Outro atleta importante na posição é Ziri Hammar, encarregado de dar consistência ao meio-de-campo. Ao seu lado, Julien Baïla Lopez, jogador do Montpellier, foi um dos últimos atletas a serem observados. Agradou e parece ter conquistado sua vaga no time titular.

O setor defensivo, apesar de passar três jogos sem levar gols no Africano sub-17, não tem atuado bem nas últimas partidas. Os zagueiros centrais Ibrahim Bekakchi e Mohammed Cherchar são pouco velozes na marcação, mas ainda assim dão certa segurança no jogo aéreo, pois ambos medem mais de 1,80 m. Já na lateral, a troca de titulares tem sido uma constante. Por fim, o goleiro Abdennour Merzouki, apesar de ser calmo e ter salvado os argelinos em alguns momentos decisivos, não transmite confiança total. Se quiserem avançar na competição, Othmane Ibrir e Hakim Meddane terão a missão de reestruturar o sistema de defesa da equipe.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Abdelmadjid Ammari. Com o artilheiro Nadir Bendahmane fora do Mundial, o atleta do Olympique de Marseille transformou-se na principal arma do ataque das raposas. Vestindo a camisa 9, terá que provar na seleção o faro de gols apresentado na conquista do título francês sub-16 de seu clube. Dado o esquema tático argelino, será tanto a referência na área adversária quanto o pivô que apoiará as investidas dos três meias ofensivos da equipe.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Ibrahim Bekakchi. Capitão da equipe e titular absoluto, foi considerado um dos principais nomes do torneio classificatório para o Mundial. O beque era visto como um dos pontos de consistência do time, apresentando técnica e solidez. Os recentes resultados, entretanto, expuseram as falhas na defesa. Terá mostrar suas qualidades novamente e comandar seus companheiros de zaga para alcançar a almejada classificação na primeira fase.

- O PROFETA... 
Ziri Hammar. O meio-campista foi a principal ausência dos Fennecs durante a disputa do Africano sub-17, não sendo liberado por seu clube, o francês Nancy. Em seu retorno ao grupo, deverá ser a peça-chave na organização, conduzindo o jogo do campo defensivo ao ataque. Por causa de sua posição e de seus cabelos ruivos, é comparado com o inglês Paul Scholes, ídolo do Manchester United.

- O FARAÓ...
Abdelhakim Bezzaz. O camisa 10 será o principal armador de sua equipe. Através de seus pés, deverão ser criadas a maior parte das jogadas de ataque dos verdes. Para tanto, conta com a precisão de seus passes e com a sua boa visão de jogo. Baixinho (mede 1,62 m) e habilidoso, é comparado com o argentino Lionel Messi. Foi a grande revelação da academia argelina durante o Africano sub-17 e, após o sucesso no torneio, foi sondado por grandes clubes europeus, como o Lyon.

Elenco

GOLEIROS
Abdennour Merzouki (Academie FAF) - 15/02/1992
Nacer Zaabat (Academie FAF) - 19/01/1992
Abdelwakil Talhi (El Annasser) - 14/03/1992 

DEFENSORES
Ahmed Cheheima (Academie FAF) - 08/04/1992
Mustapha Bouteldja (Academie FAF) - 10/02/1992
Mohammed Cherchar (Academie FAF) - 18/01/1992
Ibrahim Bekakchi (Academie FAF) - 10/01/1992
Djelloul Djouba (Academie FAF) - 02/04/1992
Abderrahmane Belkadi (Academie FAF) - 06/06/1992
Billel Khida (Academie FAF) - 29/02/1992

MEIOCAMPISTAS
Houssem Ferkous (Academie FAF) - 31/01/1992
Abdelghani Boughoula (Academie FAF) - 27/09/1992
Ziri Hammar (Nancy-FRA) - 25/07/1992
Abdelhakim Bezzaz (Academie FAF) - 20/10/1992
Julien Baïla Lopez (Montpellier-FRA) - 01/03/1992
Mohammed Ziane (Academie FAF) - 27/09/1992

ATACANTES
Abdelmadjid Ammari (O. de Marseille-FRA) - 04/10/1992
Said Ferguene (Kabylie) - 16/06/1992
Aghiles Toulait (Academie FAF) - 07/04/1992
Mohamed Omrani (Academie FAF) - 17/01/1992
Youcef Khelifi (Academie FAF) - 04/03/1992



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