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Mundial Sub-17'09: Uruguai

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Gabriel Dudziak - 22/10/2009

Embora tenha perdido nos últimos tempos o status de grande potência do futebol mundial, o Uruguai tem bons motivos para sonhar com um novo resplendor da Celeste nos próximos anos. Na seleção sub-20 o time de Viudez, Lodeiro e outros chegou para a disputa do Mundial como um dos favoritos à conquista. O título ficou pelo caminho depois de uma derrota para o Brasil, mas nem esse fato levantou dúvidas sobre o potencial dessa equipe. No escrete sub-17 a situação não é muito diferente. Classificados para o Mundial da Nigéria com certa tranquilidade, os charruás não vão como favoritos ao título, mas têm tudo para conseguir uma boa campanha no torneio.

A intenção é alcançar o melhor desempenho uruguaio na história do torneio sub-17. Das três participações anteriores que teve no Mundial, somente em uma o Uruguai conseguiu avançar para a segunda fase. Foi em 1999, quando a equipe passou para o mata-mata, mas caiu ante a seleção de Gana nas quartas-de-final. De lá pra cá a única participação no torneio foi no ano de 2005.

Para 2009 a expectativa é de que a geração uruguaia que ficou com o vice-campeonato do Sul-Americano Sub-15 de 2007 consiga repetir o desempenho de 1999 e chegue às quartas-de-final. A partir daí é ver se dá pra brigar por título. Bola pra isso o time já mostrou que tem. Nos sete jogos classificatórios para o Mundial, os charruás venceram quatro, empataram dois e perderam apenas um, contabilizando 11 gols marcados e seis sofridos.

Mais que os resultados, chamou a atenção a vocação ofensiva e o futebol bastante veloz empreendido ao longo das partidas. Resta saber se essa qualidade no ataque será suficiente para abrir as retrancas de Coreia do Sul, Argélia e Itália, adversários de grupo F, e dos adversários que se colocarem no caminho nas fases seguintes.

Sul-Americano animador

A classificação uruguaia para o Mundial Sub-17 foi obtida de forma até certo ponto tranquila. Apesar de não terem conseguido terminar na primeira posição do grupo B, os charruás fizeram bom papel na primeira fase, acumulando duas vitórias, contra Chile e Venezuela, um empate, com o Equador, e uma derrota, para a Argentina. Como era de se esperar as duas grandes potências do continente, Brasil e Argentina, avançaram para a final, deixando na luta pela terceira e quarta vagas para o Mundial Uruguai, Colômbia, Bolívia e Equador.

Nessa segunda etapa, em um confronto com seleções mais fracas, os uruguaios passaram a dar as cartas. Depois de um empate por 1 a 1 com a Bolívia, a Celeste venceu a Colômbia e o Equador por 2 a 0 e 3 a 1, respectivamente, com ótimas atuações do meia Gallegos e dos atacantes Barreto e Luna. 

Com a vaga garantida no Mundial o treinador uruguaio Roland Marcenaro começou a planejar uma preparação específica para que a equipe chegasse ao torneio no melhor de sua forma. No comando da seleção sub-17 desde 2006, quando foi indicado pelo treinador da seleção principal, Oscar Tabarez, para promover um trabalho de longo prazo na base, Marcenaro já é "calejado" em disputas com a seleção sub-17. Em 2007 coube a ele dirigir a geração de Viudez e companhia no Sul-Americano do Equador. No torneio os uruguaios fizeram péssima campanha e foram eliminados ainda na primeira fase.

Para a Celeste chegar ao Mundial da Nigéria no melhor de sua forma o comandante uruguaio colocou seus comandados em uma série de amistosos e treinamentos visando exclusivamente a disputa do torneio. Em agosto foram realizados dois jogos contra a seleção sub-17 do México. No primeiro deles, vitória mexicana por 3 a 1. Já no segundo, 1 a 0 para os charruás.

Na sequência os uruguaios participaram da Copa da Amizade, torneio disputado em quatro partidas nos meses de agosto e setembro entre os selecionáveis sub-17 do país e uma seleção de atletas juvenis do Estado do Rio Grande do Sul. Nos dois primeiros jogos, disputados no Uruguai, vitória dos donos da casa por 1 a 0 e 2 a 0. Na volta, em partidas realizadas na cidade de Alvarada-RS, vitória dos gaúchos por 3 a 1 e 2 a 1. Desde então os 21 atletas charruás estão treinando juntos à espera da viagem para a Nigéria.

Assim como no sub-20, ordem é atacar primeiro e defender depois

Tendo à disposição uma grande quantidade de jogadores talentosos do meio pra frente, Marcenero deve montar na Nigéria uma equipe bastante semelhante à que atuou no Sul-Americano deste ano, tanto nos atletas utilizados, que em sua maioria atuam juntos desde o sub-15, quanto em termos táticos. O esquema adotado deve ser um 4-3-3 com variação para o 4-2-3-1. 

No time o principal jogador deve ser o maestro e candidato a craque do time, o criativo e talentoso meia Sebastian Gallegos, do Atlético de Madrid B. Caberá a ele dar velocidade ao jogo e municiar a linha de frente charruá, composta pelo rápido trio Luna, Barreto e Laureiro. Juntos os três mostraram bastante entrosamento e marcaram sete dos 11 gols da Celeste no Sul-Americano deste ano, mesmo sem nenhum deles ser um atacante de área propriamente dito. Do trio, Gonzalo Barreto, que já é jogador da Lazio, mas que ficará no Danúbio até completar 18 anos, é a maior esperança de gols uruguaia. Além deles, Marcenaro terá no banco outros dois talentos ofensivos; Gastón Brugman, do Empoli, e Nicolás Mezquida, jogador do Schalke 04 e artilheiro do sub-15 de dois anos atrás.

No meio, ao lado de Gallegos, estarão Marchelli, que é zagueiro, mas também atua como volante, e Aviles. Caberá aos dois, e eventualmente a Nicolas Prieto, o trabalho de preencher os espaços do meio-de-campo e conter os avanços adversários para que o meia do Atlético de Madrid e os três atacantes sejam capazes de fazer a diferença lá na frente. O grande problema é que os dois marcadores também terão que proteger uma linha defensiva que não é das melhores.

Do quarteto formado pelos laterais Pereyra e Rodrigues, e pelos zagueiros Arias e Polenta, apenas o último demonstrou ser um defensor acima da média. Titular absoluto e capitão do time, Diego Polenta, já vendido ao Genoa, terá que se desdobrar para segurar a barra dos companheiros de zaga e também do goleiro Ichazo. O dono da meta uruguaia, aliás, é o grande ponto fraco deste time, sobretudo depois que suas atuações atrapalhadas quase trouxeram grandes riscos à equipe durante a disputa do Sul-Americano.

Com esse time pouco equilibrado, os uruguaios apostam que se o ataque for tão efetivo quanto se espera e a defesa não comprometer, a Celeste tem grandes chances de chegar até as quartas-de-final. Daí em diante é pensar em uma improvável, mas possível, surpresa e título.

Curtas

- ELE PROMETE IR À CAÇA...
Gonzalo Barreto. Mesmo não tendo um porte físico de artilheiro nato, Gonzalo Barreto deve ser o principal jogador da linha de frente uruguaia. Rápido, habilidoso e persistente, o atacante que joga no Danubio, mas que já está negociado com a Lazio, é o que normalmente se chama de "um terror" para a zaga adversária. Titular da seleção sub-15 que faturou o vice-campeonato no Sul-Americano de 2007, Barreto se tornou referência ofensiva do Uruguai no continental sub-17 deste ano, depois de marcar quatro gols em sete jogos no torneio.

- NÃO DEVERÁ PASSAR DE UMA MIRAGEM...
Salvador Ichazo. Titular e um dos melhores atletas uruguaios na campanha que levou a Celeste ao vice-campeonato do Sul-Americano Sub-15, Salvador Ichazo passa por um momento bastante ruim, justamente em uma das fases de transição mais importantes da carreira de um jogador profissional. Inseguro demais no continental sub-17 deste ano, o arqueiro chega à Nigéria como o ponto fraco do time e tendo talvez uma das últimas chances de provar que pode se tornar um goleiro de bom nível no futuro.

- O PROFETA... 
Diego Polenta. Tido por muitos como o sucessor de Lugano, Polenta terá na Nigéria a responsabilidade de ser o líder dos charruás dentro de campo. Experiência não lhe falta. Já acostumado à braçadeira de capitão, que ostenta desde o sub-15, e com a vivência de quem já atuou em dois Sul-Americanos de seleções e de quem hoje defende o Genoa, Diego tem tudo para honrar a confiança depositada nele. Não bastasse a liderança, Polenta, que foi o jogador uruguaio mais jovem a se transferir para a Europa, aos 16 anos, também já mostrou ser um zagueiro bastante técnico e com recursos para defender bem e subir ao ataque.

- O FARAÓ...
Sebastian Gallegos Camisa 10 e maestro do Uruguai, Gallegos chega ao Mundial da Nigéria cercado de boas expectativas. Jogador do Atlético de Madird B desde o ano passado, será dele o papel de orquestrar e ditar o ritmo dos charruás na disputa que se avizinha. O meia tem um estilo de jogo bastante cerebral e hoje é cotado para honrar a posição que já foi de Pedro Rocha, Francescoli e Recoba. Gallegos é um dos destaques dessa geração desde o Sul-Americano sub-15 de 2007, quando, junto ao atacante Mezquida, levou a celeste ao vice-campeonato.

Elenco

GOLEIROS
Salvador Ichazo (Danubio) - 26/01/1992
Kevin Dawson (Nacional) - 08/02/1992
Gabriel Araujo Soto (Nacional) - 28/03/1993

DEFENSORES
Ramon Arias (Defensor Sporting) - 27/07/1992
Diego Polenta (Genoa-ITA) - 06/02/1992
Santiago Pereyra ( Nacional) - 02/06/1992
Bruno Marchelli (Nacional) - 01/07/1992
Federico Sarraute (Danubio) - 23/08/1992
Ruben Silvera (Defensor Sporting) - 04/01/1993)

MEIO-CAMPISTAS
Sebastian Rodriguez (Danubio) - 16/08/1992
Adrian Luna (Defensor Sporting) - 12/04/1992
Sebastian Gallegos (Atlético de Madrid) - 18/01/1992
Jose Laureiro (Defensor Sporting) - 02/02/1992
Ignacio Aviles (Danubio) - 23/05/1992
Luis de Los Santos (Danubio) - 04/03/1993
Nicolas Prieto (Nacional) - 05/09/1992

ATACANTES
Gonzalo Barreto (Danubio) - 22/01/1992
Gaston Brugman (Empoli-ITA) - 07/09/1992
Christian Alba (Danubio) - 17/04/1992
Santiago Gonzalez (River Plate) - 11/06/1992
Gabriel Mezquida (Peñarol) - 21/01/1992



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