Equipe Olheiros.net - 28/12/2007
Celeiro de craques e foguetes molhados, a Copa São Paulo também deixou, ao longo dos anos, uma série de equipes – campeãs ou não, marcadas na memória dos torcedores e fãs do futebol. São Paulo de 1993, Flamengo de 1990 e Corinthians de 1999 são apenas alguns dos timaços que os gramados paulistas já viram a cada janeiro. Dando continuidade aos especiais iniciados na última semana, o Olheiros separou oito times inesquecíveis, ou mesmo exóticos, da história da competição.
Pela dificuldade ao acesso de informações, não foi possível aprofundar a intenção de lembrar equipes como o Internacional de 1978 ou o Fluminense de 1977. Ainda assim, não faltam histórias interessantes nas linhas abaixo.
Flamengo – 1990
Adriano, Mário Carlos, Tita, Júnior Baiano e Piá; Fabinho, Marquinhos (Fábio Augusto) e Djalminha; Marcelinho Carioca (Rodrigo), Nélio e Paulo Nunes (Luís Antônio)
Um dos maiores times da história da Copa São Paulo, quiçá o maior de todos. Assim, com simplicidade, pode ser definido o Flamengo que levantou o caneco em 1990. Na época, vários jogadores da equipe rubro-negra, aliás, já integravam o plantel profissional, o que denota, de antemão, a importância que sempre se deu ao torneio. Além disso, a mesma safra já construíra, nas categorias júnior e juvenil, um retrospecto relevante.
Não faltavam craques no time comandado por Ernesto Paulo. O principal deles, eleito o maior nome da Copinha de 90, era Djalminha, que depois faria carreira no Palmeiras e no Deportivo La Coruña. Ao seu lado, jogavam ainda nomes renomados como os ponteiros Marcelinho Carioca, Nélio e Luís Antônio, o lateral Piá, o meia Marquinhos, os volantes Fabinho e Fábio Augusto, e os zagueiros Júnior Baiano – autor do gol do título – e Rogério, titular no profissional do Fla e no Cruzeiro. No comando do ataque, ainda aparecia Paulo Nunes, o "Diabo Loiro".
A forma com que esse Flamengo destroçou os adversários ao longo da Copinha foi impressionante. Em uma competição disputada por 36 clubes, o Fla chegou à final com uma derrota, três empates e seis vitórias. A mais contundente, em pleno Pacaembu, foi sobre o Corinthians: 7 x 1, com direito a gol de Djalminha quase do meio-campo.
O título foi conquistado em vitória por 1 x 0 sobre o Juventus, aliás, o único a vencer o Fla de Djalminha, em fase anterior. Nesta decisão, Marquinhos, Marcelinho Carioca e Paulo Nunes não jogaram, pois estavam à disposição da seleção sub-20. Além do caneco, a safra campeã deu colaboração direta para os títulos da Copa do Brasil de 1990, do Campeonato Brasileiro de 92, do estadual de 91 e ainda foi até as quartas-de-final da Libertadores de 93.
Foi, sem dúvida, a maior legião de craques que surgiu, em conjunto, em toda a história rubro-negra. Vale dizer que o clube, na gestão de Luiz Augusto Veloso, não soube explorar financeiramente essa geração. Anos depois, o Flamengo torrava milhões com jogadores badalados, se esquecendo rapidamente qual foi, sempre, a receita para sucesso na Gávea. (Dassler Marques)
Vitória – 1993
Dida; Dedimar, Flávio, Reinaldo e Edu; Bebeto Campos, Vampeta, Paulo Isidoro e Júnior; Alex Alves e Careca
Paulo Carneiro assumiu a direção de futebol do Vitória em 1988 e iniciou um trabalho assentado em três pilares conhecido como "revolução rubro-negra". Entre esses pilares, figurava a valorização das categorias de base, com o conseqüente aproveitamento anual de, no mínimo, quinze jogadores formados na equipe. Para cumprir essa meta, Carneiro recorreu a Newton Motta, então no arqui-rival Bahia e responsável pela revelação de jogadores como Zé Carlos, Charles e Marcelo Ramos.
Ele chegou acompanhado, ainda, de algumas promessas tricolores como Flávio e Bebeto Campos, que, em 1993, participariam do time que realizou a melhor campanha já feita, até hoje, por um clube nordestino na Copa São Paulo. A caminhada do Vitória até o alcance dessa façanha, porém, não foi das mais fáceis. Na primeira fase, o rubro-negro caiu num grupo ao lado de Palmeiras, Paraná e Atlético Mineiro. A classificação, junto com o alviverde paulista, só veio na rodada final e graças ao saldo de gols.
Na fase seguinte, mais uma vez disputada em grupos de quatro, os paulistas Botafogo e Noroeste, além do Bahia acompanharam o Vitória. E seria justamente o triunfo por 1 x 0 sobre o tricolor que faria a diferença para que o time, então, conseguisse avançar para as semifinais. Àquela altura, nomes como Dida, Vampeta e Alex Alves já se encontravam em voga por todo o país.
A decisão por uma vaga na grande final seria contra o São Paulo, treinado por Márcio Araújo e que contava, ainda, com a ajuda do saudoso Telê Santana. Entre os destaques paulistas, estavam Rogério Ceni, Jamelli e Caio. Nada, porém, que assustasse o Vitória, que terminou sendo derrotado por 1 x 0, mas que, durante os noventa minutos, teve a oportunidade desperdiçada de construir outro desfecho com o pênalti perdido por Paulo Isidoro.
Na disputa pelo terceiro lugar, o rubro-negro passou pela Portuguesa, coroando, assim, uma geração que, ainda no mesmo ano, se destacaria no vice-campeonato brasileiro do clube. Esses resultados firmaram as bases para que a equipe continuasse investindo na garotada e, com o passar dos anos, se tornasse referência nesse trabalho não só no Brasil, como também no mundo. O dinheiro arrecadado com a venda desses jogadores, inclusive, proporcionou ao Vitória construir uma estrutura que se situa como uma das melhores do país.
Grande parte dos atletas que surgiu naquela Copinha conseguiu seguir com sucesso em suas carreiras. Alex Alves, Paulo Isidoro e Júnior, que, até então, atuava mais à frente, se transferiram todos para o Palmeiras, enquanto Dida foi contratado pelo Cruzeiro e Vampeta pelo PSV. Dedimar, Flávio e Bebeto Campos são outros que ainda continuaram em evidência no futebol brasileiro, mesmo que atuando em centros menos desenvolvidos. (Marcus Alves)
São Paulo – 1993
Rogério; Pavão, Sérgio Baresi, Nélson e André Luiz; Mona, Pereira e Robertinho; Catê, Jameli (Douglas) e Toninho
A Copa São Paulo de 1993 ficou marcada por revelar não só futuros jogadores da seleção brasileira, como futuros titulares da mesma posição. E na mais insólita das posições: a de goleiro. Foram eles Dida, pelo Vitória, e Rogério Ceni, pelo São Paulo. Apesar de o arqueiro, hoje no Milan, ter se firmado durante mais tempo na seleção, em 1993 quem levou a melhor foi o são-paulino, que eliminou o rubro-negro baiano nas semifinais e ficou com o título.
Para levantar o troféu, no entanto, o time do Morumbi teve uma campanha turbulenta. Na primeira fase, duas vitórias apertadas: 2 x 0 sobre o Uberlândia e 1 x 0 no América, além de uma derrota para o Bahia, que ficou com o primeiro lugar da chave. A segunda fase, então em grupos de quatro, também não foi fácil, até porque somente o primeiro se classificava. Depois de um triunfo por 1 x 0 sobre o Matsubara, o tricolor paulista ficou no 1 x 1 com o Palmeiras e só se garantiu depois de vencer o Comercial por 2 x 0. Com o resultado, o time chegou às semifinais, quando Rogério Ceni venceu o duelo contra Dida, e depois à final, contra o Corinthians.
Na decisão, aliás, a equipe mostrou que não tinha só Rogério. O time bateu o Corinthians por 4 x 3 graças especialmente a Jamelli, que iniciou a jogada do segundo gol e marcou os outros três, incluindo o do título, próximo do final da partida, quando o placar estava 3 x 3 – o Corinthians havia empatado após falha de Rogério. O atacante não correspondeu às expectativas, contudo, e depois teve passagens mais relevantes (e pouco brilhantes) apenas por Zaragoza e Santos antes de cair no ostracismo.
Um de seus companheiros de ataque, o veloz Catê, surgiu com um potencial grande, mas sumiu praticamente com a mesma velocidade que apareceu. Isso para não falar de Toninho, o outro ponta, ainda mais apagado que os outros e até que os dois homens de frente que ficaram de fora da decisão: Caio e Guilherme. O primeiro chegou a ir para a Inter de Milão em 95, mas não se firmou em canto nenhum depois dali. O segundo, por sua vez, demorou a emplacar, mas chegou a ser o artilheiro do Brasileirão em 1999, com 28 gols pelo vice-campeão Atlético-MG.
Os laterais viveram situações semelhantes a dos dois primeiros atacantes citados. Pavão, o da direita, chegou a ser eleito o melhor da posição no Campeonato Brasileiro de 94, mas caiu na seqüência. André Luiz, o esquerdo, teve destaque por um período maior, chegou a ser campeão até pelo rival Corinthians, mas também não teve a carreira brilhante que pintava.
O restante do time não chegou a se destacar nem como os demais. Entre os zagueiros, Sérgio Baresi e Nelson são desconhecidos até pra alguns são-paulinos, embora tenham atuado profissionalmente pelo clube do Morumbi. Mona, Pereira e Robertinho, que formaram o meio-campo na decisão, também não obtiveram o destaque esperado.
Ainda assim, não deixa de ser curiosa a ironia. Aquele que mais se deu bem depois da Copa São Paulo foi justamente quem, poucos minutos antes do gol do título, poderia ser crucificado devido a uma saída do gol equivocada. Quase 15 anos depois, no entanto, Rogério não só amadureceu, como se tornou o expoente daquela equipe, que, em 94, seria a base do Expressinho, campeão da Copa Conmebol. A equipe, se não correspondeu às expectativas enquanto adulta, pelo menos foi vencedora na base. (Leandro Guimarães)
Guarani – 1994
Pitarelli; Alberto, Carlinhos, Helton e Marquinhos; Da Silva, André Luiz e Andreir; Mauricinho, Luizão e André Goiano
O Guarani não era considerado favorito quando pisou no gramado do Pacaembu naquele 25 de janeiro. Mas poderia. Afinal, havia vencido, pouco mais de um mês antes, aquele mesmo São Paulo de Rogério Ceni, Jamelli, Guilherme e Catê. Era a semifinal do campeonato paulista sub-20, que o Bugre viria a conquistar derrotando a Ferroviária na final.
Não, o favorito era o São Paulo. Afinal, tinha muitos dos jogadores que participaram da conquista da Copinha em 93 e que já compunham o famoso "expressinho tricolor". Tinha Jamelli, artilheiro da competição com oito golse tinha Muricy Ramalho, que começava a carreira de técnico. A campanha também qualificava: sete vitórias (a maioria por goleada) e um empate.
Já o Guarani tinha Pitarelli. Tinha também Luizão, Mauricinho e André Goiano. Não tinha Amoroso, que havia sido emprestado ao futebol japonês e não retornou a tempo de ser inscrito na Copa São Paulo. Mas tinha um grande entrosamento, afinal o mesmo grupo fora campeão paulista juvenil em 90. E tinha Pitarelli.
O goleiro não era titular no início da Copinha. O técnico Pupo Gimenes promovia um revezamento entre Pitarelli e Edervan (que depois jogaria em vários clubes de São Paulo e do Nordeste), mas como o primeiro tinha melhor aproveitamento nas cobranças de pênaltis durante os treinos, virou titular a partir das quartas-de-final.
O caminho do Guarani não foi complicado nas duas primeiras fases (na época, a segunda fase também tinha grupos de quatro equipes e o mata-mata começava nas quartas). Classificou-se em primeiro no Grupo B, ao lado do Flamengo, e na segunda fase eliminou Palmeiras e Sport, vencendo inclusive o Verdão em pleno Parque Antártica por 2 x 1. Até então, os destaques da equipe eram Luizão e Mauricinho, atacantes rápidos e incisivos.
A partir das quartas, Pitarelli virou o nome daquele time: empate suado por 0 x 0 contra o Juventude, que perdeu muitos gols. Nos pênaltis, Guarani 3 x 2. Pitarelli pegou um. Na semifinal, novamente o Londrina, que o Bugre tinha enfrentado na segunda fase e perdido por 2 x 1. Jogo equilibrado, 1 x 1. Nas penalidades, Guarani 4 x 1. Pitarelli pegou dois. E veio o São Paulo.
Cerca de 25 mil são-paulinos invadiram o Paulo Machado de Carvalho. O tricolor pressionava e o Guarani saía no contra-ataque, na velocidade de Mauricinho, sempre parado com faltas. Em 40 minutos, ele levou dois amarelos por reclamação e o Bugre foi para o vestiário com um a menos.
Logo aos nove do segundo tempo, o árbitro Ulisses Tavares da Silva viu pênalti em uma falta fora da área sobre Jamelli. O artilheiro converteu, fazendo seu nono gol. Mesmo com um a menos, o Guarani foi pra cima e quase viu a fatura ser liquidada no contra-ataque. Mas, aos 40 minutos derradeiros, o ponta-esquerda Rubens, ex-São Paulo e que havia entrado no segundo tempo, empatou o jogo cobrando falta no ângulo de Rogério. Prorrogação tensa. Hora dos pênaltis.
Jamelli, estrela do São Paulo, abre a série. Bola no meio do gol, Pitarelli segura. Marquinhos, zagueiro do Guarani, marca. Nem, zagueiro do São Paulo, chuta forte no canto. Pitarelli alcança. O lateral-direito André Ceará, capitão do time, marca o segundo do Bugre. Douglas tenta, mas, novamente, Pitarelli pega. Alberto, lateral-esquerdo, marca o terceiro do Guarani, campeão da Copa São Paulo de 94.
Pitarelli foi eleito revelação da Copinha, chegou à seleção brasileira sub-21 mas acabou não se firmando. Foi para o Sport em 99, passou pelo Santos e teve uma passagem pelo Futebol Clube de Marco, da segunda divisão portuguesa. Encerrou a carreira em clubes do interior de São Paulo. Melhor sorte tiveram Luizão e Amoroso. Mas, naquela Copinha, Pitarelli foi o astro. (Maurício Vargas)
América Mineiro – 1996
Aílton; Evanílson, Fábio, William e Dário; Claudiomir, Paulinho, Heitor e Richard; Baiano e Rinaldo
O América Mineiro é um dos clubes que mais formam jogadores de talento no país. Entre os menos badalados, figura ao lado do Vitória como uma fonte importante e constante na revelação. Tostão, Palhinha, Euller, Fred formam um bom time, não? O Coelho nunca é apontado como favorito na Copa São Paulo, embora tenha um ótimo histórico.
Em 1996, chegou mais uma vez com poucos holofotes e faturou o caneco. Uma competição ainda sob o impacto da violência das torcidas organizadas vista na Supercopa de 95. Passou de fase com o Botafogo no seu grupo, ainda que em segundo lugar. Com isso, enfrentou uma chave dura até a final.
Os grandes destaques da equipe eram o lateral-direito Evanílson (ex-Cruzeiro e Borussia Dortmund), o zagueiro William (ex-Ipatinga e Grêmio) e o baixinho atacante Rinaldo. Com essas armas, despachou o sempre temível São Paulo com um 2 x 0 tranqüilo. Resultado pra lá de surpreendente. Na seqüência, mandou o gigante Internacional pra casa com placar mínimo. E ia, assim, se aproximando da final.
Venceu o Nacional paulistano na semifinal, com direito a Deco – hoje no Barcelona – e tudo. No jogo decisivo, diante do rival doméstico Cruzeiro, foram justamente William e Rinaldo que fizeram os gols da vitória e do título do Coelho. A segunda conquista mineira ainda projetara o técnico Ricardo Drubscky, hoje diretor da base cruzeirense. (Mozart Maragno)
Corinthians – 1999
Renato, Índio, Marcelo, Anderson e Kléber; Rodrigo Pontes, Danilo, Edu e Andrezinho; Fernando Baiano e Ewerthon (Gil)
Se em 2000, Corinthians e Vasco da Gama estiveram na decisão do primeiro Mundial de Clubes, já tinham sido protagonistas de semelhante papel na Copa São Paulo de Futebol Júnior, um ano antes. 1999 foi mesmo o último ano em que um time do Rio de Janeiro chegou à final da Copinha e trouxe, além de mais um título – o quarto na competição – para o currículo do Corinthians, um time cosmopolita, isto é, com ótimos, razoáveis e péssimos jogadores.
Com uma campanha notável, contabilizando por vitórias os sete jogos disputados, o Corinthians, então em alta, lançou várias sementes para o futuro, com uma colheita proveitosa figurada por Fernando Baiano, Kléber, Edu e Gil, todos notoriamente conhecidos e com carreiras demarcadas, do Brasil à Espanha, com várias escalas. Com exceção do último, todos os outros disputaram a final do Mundial de Clubes no ano seguinte. E o lateral Índio também lá esteve, embora mostrasse, nessa altura, grande potencial para acabar como foguete molhado, o que o tempo haveria de confirmar.
Renato era o goleiro, vulgar, que erraria até desaparecer. Os zagueiros eram Marcelo – que se tornou mais conhecido depois da passagem pelo Grêmio na frustrante campanha da equipe em 2004, e Anderson, que depois de se ter afirmado e capitaneado o time profissional corintiano, passou pelo Benfica de Portugal e atua ao serviço do Lyon. Volante era o papel que cabia a Rodrigo Pontes, esse mesmo que disputou a última Série B pelo Barueri, e no meio, mais para diante, alinhava Andrezinho, um jogador com um percurso, e, em tudo, idêntico ao goleiro Renato. O meio-campo ainda era preenchido por Edu, capitão da equipe e autor do gol do título – hoje, atuando pelo Valencia.
Ewerthon, um grande autor de gols na Alemanha, onde atua, e na Espanha, onde também já o fez, já o era nessa altura, tendo-se cotado como o artilheiro da equipe com sete gols, e compunha, com todos os supracitados, o onze do Timão que venceu a final da Copa São Paulo de 99, numa equipe que contou ainda com Vágner, Danilo, Neto, Adriano, Valdir e Gilmar entre os que participaram do feito.
Era um time bem entrosado, com enorme capacidade ofensiva e defensiva, como atestam os vinte gols somados contra três sofridos. O percurso imaculado do Corinthians, na prova, também não conheceu grande oposição na primeira fase, onde, a título de exemplo, o Fluminense foi despachado com quatro gols sem direito de resposta, e apenas da semi-final em diante essas discussões se comprovaram ser mais suadas. Unibol do Pernambuco, Santo André, na primeira fase, Independente de Limeira, Mirassol e América Mineiro completam o rol de adversários que o Corinthians enfrentou no percurso até a final. (Nuno Almeida)
Portuguesa – 2002
Daniel; Ivan, Júnior Paulista, Fernandão e Júlio; Bruno, Lello, Danilo (Rafinha) e Rafael Iotte; Alex Afonso e Kesley
Campeã da Copa São Paulo de 1991, quando contava com ninguém mais ninguém menos que o fantástico e saudoso Dener como principal referência, a Portuguesa repetiu a dose em 2002. Sob comando do técnico Edu Marangon e repleto de "foguetes molhados", o time do Canindé chegou ao bicampeonato de forma invicta e incontestável, superando o Cruzeiro de Ney Franco na final.
A trajetória da Lusa naquele ano teve início com uma goleada de 8 x 1 sobre o Mixto-MT. Na primeira fase, a equipe também venceu o Botafogo-RJ e o anfitrião Guarujá. Após penar para superar o Atlético Sorocaba, nos pênaltis, em jogo válido pelas oitavas-de-final, os comandados de Marangon ainda passaram por Flamengo (1 x 0) e Ponte Preta (2 x 1) antes de chegar à decisão.
Diante de um Cruzeiro que possuía, entre outros nomes, Gomes e Wendel – ambos jogadores com passagens pela seleção brasileira e atualmente na Europa –, a Portuguesa obteve o triunfo com um chorado gol do atacante Kesley, hoje no obscuro futebol vietnamita. A conquista levou ao delírio os torcedores que lotaram o próprio Canindé na ensolarada tarde de 25 de janeiro.
Além de Kesley, o time tinha como destaques o zagueiro Júnior Paulista, o lateral-esquerdo Júlio, o volante Lello, e os atacantes Rafael Iotte e Alex Afonso (ele mesmo, ex-Palmeiras). Todos, sem exceção, acabaram não vingando. Para piorar, muitos deles participaram da campanha que culminou no rebaixamento do clube para a Série B do Campeonato Brasileiro no mesmo ano.
A Lusa de 2002 é o exemplo típico de uma equipe forte e consistente na base, mas que não conseguiu repetir o desempenho no profissional. Edu Marangon, o técnico, também não aprovou. Ao menos, fica para a torcida a lembrança e o orgulho de um time que foi perfeito naquela competição. A lembrança e o orgulho de um título que Grêmio e Palmeiras, por exemplo, não possuem. (Gustavo Vargas)
Palmeiras – 2003
Deola; William, Fred, Daniel Marques e Marcus Vinícius; Alceu, Francis, Diego Souza e Leandrinho; Edmílson e Vágner Love
Menos de um mês após ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras deu início ao processo que o reconduziria à elite do Nacional com a boa campanha na Copa São Paulo de Juniores. Único time grande que nunca ganhou a competição, o clube do Parque Antarctica ficou com o vice, em uma campanha que revelou nomes como Alceu, Diego Souza e Vágner Love, todos essenciais no acesso que viria no fim de 2003.
Apesar de mostrar um bom futebol durante toda a Copinha, o Palmeiras teve resultados irregulares no torneio, tanto que a classificação para a segunda fase só veio graças a uma goleada por 6 x 1 sobre a Joseense, na última rodada. Se tivesse vencido por uma diferença inferior de gols, o clube paulista cederia a sua vaga ao Bahia. O desespero palmeirense nessa partida foi tão grande que o zagueiro Daniel Marques foi transformado em centroavante pelo técnico Jorginho.
Na fase de playoffs, o Palmeiras precisou dos pênaltis (e de defesas providenciais dos goleiros Deola e Bruno) para passar pelo Taubaté, bateu o Vitória e goleou a Inter de Limeira. Na decisão, no entanto, acabou superado pelo Santo André, de Richarlyson e Nunes, por 5 x 3, nos pênaltis, após um empate por 2 x 2 no tempo normal – o Verdinho chegou a abrir 2 x 0 no placar.
Principal nome daquele time, Vágner, que ganhou o apelido Love por ter sido flagrado com uma mulher na concentração durante o torneio – acabou afastado do elenco devido ao episódio e só retornou ao Palmeiras na reta final, é o único que conseguiu construir uma carreira sólida no país, chegando inclusive à seleção principal.
Diego Souza, Edmílson e Alceu deixaram o Brasil para atuar no Japão, enquanto Daniel Marques fez um bom Campeonato Brasileiro pelo Paraná em 2005. Dos principais nomes daquela equipe, Francis e Bruno são os únicos que continuam no Parque Antarctica, mas sem se firmarem no time principal. (Rafael Reis)
Confira outros especiais já publicados:
Seleção da história da Copa São Paulo http://www.olheiros.net/artigo/ler/141
Onze jogadores da Copinha que não vingaram http://www.olheiros.net/artigo/ler/148
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