Pedro Venancio - 14/11/2009
Sair do país antes mesmo dos 20 anos para tentar a sorte em uma profissão em que a concorrência é muito acirrada, longe do carinho da família e passando por inúmeras privações. Correr o risco de ser enganado por dirigentes e empresários, não conseguir emplacar a carreira e, em alguns casos, passar fome e não ter dinheiro para comprar a passagem de volta para a terra natal.
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Falando assim, embarcar para a Europa parece um grande tiro no escuro, e realmente é. Mas o número de garotos que atravessam o Oceano Atlântico em busca de seus sonhos é cada vez maior, assim como a esperança que eles carregam na bagagem. Isso porque são cada vez mais frequentes as histórias bem-sucedidas, de brasileiros que não foram valorizados na base de clubes grandes e hoje possuem uma condição privilegiada na carreira, mesmo tendo atuado pouco, ou em alguns casos, não ter jogado profissionalmente no Brasil.
Do precursor Élber, no início da década de 90, ao atual selecionável Hulk, vários brasileiros construíram a sua carreira quase que totalmente no exterior, e hoje são respeitados mundialmente. Para que você, leitor, saiba um pouco mais sobre alguns deles, Olheiros fez uma lista com 10 nomes que saíram do país anônimos – ou quase-anônimos – para se transformarem em estrelas – ou quase-estrelas – no Velho Continente. Confira abaixo:
Hulk - Porto
O atacante era apenas mais um anônimo tentando se dar bem no futebol quando, após passar pela base do Vitória foi tentar a sorte no Japão em 2005, com apenas 19 anos. Na “Terra do sol nascente”, ele defendeu três clubes – Frontale Kawasaki, Consadole Sapporo e Verdy Tóquio -, marcando um total de 74 gols em 111 partidas –. Mesmo com 63 desses 74 gols tendo sido marcados na J-League 2, segunda divisão japonesa, seu futebol chamou a atenção do Porto, que o contratou em 2008 e não se arrependeu do negócio. Desde que chegou aos Dragões, Hulk se destaca com gols e assistências, e sua boa fase foi coroada com a recente convocação para a seleção brasileira. Sua participação na Copa do Mundo parece muito improvável no momento, mas não pode ser totalmente descartada.
Pepe – Real Madrid
Natural de Maceió, Pepe começou sua carreira nas divisões de base do Corinthians Alagoano, clube conhecido por formar, abrigar e vender vários jovens e bons jogadores nas últimas temporadas. Em 2001, aos 18 anos, o zagueirão rumou para Portugal, onde foi defender a equipe B do Marítimo, e assumiu a posição da equipe principal na temporada seguinte. Suas atuações atraíram a cobiça do Porto, que o contratou em 2004, e o fato de atuar no principal clube do país abriu-lhe as portas para a seleção nacional, na qual estreou em novembro de 2007, ainda na Era Felipão. Cinco meses antes, ele havia conseguido a cidadania portuguesa e se transferido para o Real Madrid, clube que defende atualmente. Caso Portugal se classifique para a Copa do Mundo, o defensor é nome certo entre os 23.
Amauri – Juventus
Paulista de Carapicuíba, Amauri fez testes no Palmeiras, em que foi reprovado, e foi parar na obscura Série B Catarinense. A sorte começou a mudar quando o clube em que atuava, o Santa Catarina Clube, foi convidado para a disputa do Torneo di Viareggio de 2000. Centroavante habilidoso e com bom cabeceio, ele fez três gols na competição e transferiu-se para o Napoli, que o emprestou imediatamente para o Bellinzona, da Suíça. Depois disso, rodou por alguns clubes até se acertar no Chievo, onde atuou entre 2003 e 2006. A passagem pelo Palermo consolidou ainda mais sua reputação na Bota, e a ida para a Juventus soou como um passo natural na evolução de sua carreira. Cobiçado por Marcelo Lippi para integrar a seleção italiana, Amauri ainda sonha com a amarelinha e não decidiu seu futuro.
Maxwell – Barcelona
Em 2000, a lateral esquerda do Cruzeiro tinha Juan Pablo Sorín como dono absoluto, e Felipão, então técnico do time, apostava em Alonso como reserva. Sem perspectivas de jogar, Maxwell aceitou uma proposta do Ajax, onde construiu uma belíssima história em cinco temporadas. Em 2004, ele ofuscou o brilho de seu então companheiro de clube Zlatan Ibrahimovic e foi eleito o melhor jogador holandês da temporada. Dois anos depois, ao fim de seu contrato, se transferiu para a Inter de Milão, onde teve um bom desempenho, mas sem o mesmo êxito dos tempos de Holanda. Em 2009, ele mudou-se para o Barcelona, onde, atualmente, é reserva de Eric Abidal. O lateral já foi convocado algumas vezes para a seleção brasileira principal, mas não chegou a atuar.
Luis Gustavo - Hoffenheim
Mais um produto de exportação do Corinthians Alagoano, o volante ainda teve uma rápida passagem pelo CRB antes de cair, quase que de paraquedas, no “novo rico” da Alemanha em 2007. Na época, o Hoffe ainda disputava a segunda divisão alemã, mas já direcionava os investimentos na montagem de um time jovem e talentoso, capaz de figurar entre os melhores do país, como foi provado no ano passado. Alto, magro e rápido, Luis Gustavo atualmente é titular absoluto da equipe e um dos homens de confiança do técnico Ralf Rangnick. Caso mantenha a boa performance, ele pode, após a Copa do Mundo, disputar uma vaga na seleção brasileira, e a escassez de primeiros volantes no país pode ajudá-lo a se firmar com a amarelinha.
Ederson – Lyon
Revelado pelo RS Futebol, Ederson ganhou notoriedade ao vestir a camisa 10 da seleção brasileira campeã mundial sub-17 em 2003. Dono de técnica e visão de jogo apuradas, o meia teve rápidas e discretas passagens por Internacional e Juventude antes de se transferir para o Nice em 2004, quando tinha apenas 18 anos. Após três belas temporadas, clubes como Juventus, Real Madrid e Manchester United estavam interessados em contratá-lo, mas Éderson optou por continuar na França, mudando-se para o Lyon, que pagou 14 milhões de euros para contar com seus serviços. Atualmente, ele joga a maioria das partidas do clube como winger, fora de sua posição original, fatoo que contribui para aumentar sua distância da seleção brasileira.
Thiago Motta – Inter de Milão
Thiago Motta foi mais um a tentar a sorte no Palmeiras e ser reprovado em testes. Pela Juventus da Mooca, clube que o acolheu, ele foi convocado para a seleção brasileira sub-17 em 1999 para a disputa do Torneio de Toulon – a competição é sub-20, mas naquele ano o Brasil foi representado por sua seleção juvenil -. Seu desempenho na França encantou dirigentes do Barcelona, que logo o contratou. Dois anos depois, ele estreou nos profissionais do clube catalão, e conseguiu se firmar nas temporadas seguintes, mas foi prejudicado por seguidas lesões, ele acabou perdendo espaço na equipe. Após passagem discreta pelo Atlético de Madrid em 2007, Thiago reencontrou seu melhor futebol no Genoa em 2008/09 e foi contratado a peso de ouro pela Inter de Milão, clube que defende atualmente.
Matuzalém – Lazio
Campeão mundial sub-17 com a seleção brasileira em 1997, o meia chegou a jogar algumas partidas pelos profissionais do Vitória, antes de seguir para o Napoli, que, assim como fez com Amauri, o emprestou para o Bellinzona, da Suíça. Depois de rodar por clubes médios na Itália, ele se transferiu para o Shakhtar Donetsk da Ucrânia, em 2004, e viveu o auge de sua carreira por lá, marcando 25 gols em 68 partidas. Sua polêmica saída para o Zaragoza, em 2007, gerou uma confusão que foi parar no Tribunal Arbitral do Esporte, que, em maio, condenou o jogador a pagar cerca de 12 milhões de euros aos ucranianos. Confusões a parte, ele voltou à Bota e agora defende, por empréstimo, as cores da Lazio.
Eduardo da Silva – Arsenal
Descoberto em um campeonato de favelas, Eduardo da Silva é, entre os listados, aquele que mais cedo deixou o país; em 1999, quando tinha apenas anos, ele já figurava no time sub-17 do Dínamo Zagreb, e, dois anos depois, estreava nos profissionais. A convocação para as seleções croatas sub-21 e principal também não demoraram a surgir, e, após uma impressionante temporada 2006/07. quando marcou 45 gols em 44 jogos, o atacante entrou na alça de mira de Arsène Wenger, que abriu uma exceção em sua política de contratar apenas jovens e o levou para o Arsenal. Após uma fase de adaptação e uma terrível fratura na perna em seu segundo ano, ele parece finalmente se firmar na equipe em 2009/10.
Raffael – Hertha Berlin
Com passagens pelas divisões de base de Vitória, Corinthians e Juventus-SP, Raffael não teve chances de se profissionalizar no Brasil e imigrou para a Suíça quando ainda tinha 18 anos em 2003. Seu primeiro clube foi o Chiasso, atualmente na segunda divisão, e, em dois anos, ele alcançou a marca de 30 gols em 61 partidas. Sua performance o credenciou a mudar-se para o FC Zurich, onde manteve o nível e foi às redes por 39 vezes em 77 jogos, além de ter sido o líder de assistências no Campeonato Suíço em 2005/06 e 2006/07. A transferência do meia para o Hertha Berlim aconteceu em janeiro de 2008, e ele chegou com moral, ganhando logo de cara a camisa 10 do time. Irmão do ex-corintiano Ronny, o cearense atualmente tem a missão de ajudar seu clube a sair da lanterna da Bundesliga.
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