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Sandro: "Tenho chance em 2010"

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Lincoln Chaves - 21/11/2009

Há aproximadamente um ano, o volante Sandro Ranieri Guimarães Cordeiro ganhava suas primeiras oportunidades na equipe principal do Internacional. Substituindo Edinho, poupado para os confrontos decisivos da Copa Sul-Americana, o garoto, de então 19 anos, natural de Riachinho (MG), já mostrava maturidade e consciência. Tranquilo, começou a ser relacionado, também, em jogos com o time “titular”, ajudando o Inter na conquista de mais um título continental.

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Nesse meio tempo, firmou-se como referência e líder da seleção brasileira sub-20, voltando da Venezuela como campeão sul-americano, diretamente para o espaço deixado por Edinho, negociado com o exterior. E Sandro não  deixou a oportunidade passar, sendo um dos grandes destaques do excelente primeiro semestre colorado, que culminou em vaga na decisão da Copa do Brasil e no título gaúcho. Mas a surpresa ainda estava por vir. Menos de um ano após começar a ser relacionado, o volante foi convocado para a seleção brasileira. Principal.

Nessa entrevista exclusiva, gentilmente concedida ao Olheiros, por telefone, Sandro fala um pouco sobre a carreira, seleção sub-20, Internacional e a lembrança de Dunga. E mesmo ainda atrás de alguns concorrentes, acredita que pode fazer parte do grupo canarinho na África do Sul. 

Olheiros - Antes de chegar ao Internacional, você chegou a jogar pelo Londrina. Como foi, e de que forma se deu a sua mudança para o Inter?

Sandro - Na verdade, fui para o Londrina só para a Copa São Paulo e para abrir a vitrine, ver se alguém tinha interesse. Eu jogava num time de empresários do Paraná, o Astral, e esse clube ia disputar a Copinha, mas quando chegou na hora H, não deu certo. Então, o Astral se juntou com o Londrina para disputar a Copa. E depois do torneio, veio o interesse do Internacional, e não pensei duas vezes: vim de mala e cuia para cá!

Olheiros - Enquanto esteve no Paraná, foi sondado por algum dos grandes?

Sandro - Não, não. Até passei pelo Atlético-PR antes de ir para o Astral. Fiz teste, um período de avaliação, mas não ficaram comigo. Vamos dizer que falaram muitas coisas que eu não gostei, acho que nem vale a pena resgatar...

Olheiros - E como você vê e pode explicar o sucesso que o Internacional vem tendo com as categorias de base?

Sandro - Acho que o sucesso é por ter profissionais na base que fazem um trabalho que visa, mesmo, o profissional. Não só para ser campeão de Campeonato Gaúcho ou Copa São Paulo, mas fazer jogadores, subir eles para o profissional... Foi o meu caso, o do Taison... E a próxima geração vem com força. Tem uma turma que está subindo da base e indo pro profissional excelente. O Marquinhos, por exemplo, subiu, já faz gol, já tem nome. E ontem tava que nem eu já estive. Há o Elton, volante, bom jogador. O Daniel, lateral direito, também é da mesma geração. É como falei, não vai parar. É uma mina de talentos.

Olheiros - O Edinho, titular antes de você, era ídolo no Inter, mas foi vendido no começo do ano. E você fez a torcida esquecer ele bem rápido, e já é bem querido pelos colorados. Como foi isso?

Sandro - Quando o Edinho saiu, eu estava na seleção sub-20, mas já vinha jogando em algumas partidas do Brasileiro. Nesse período, já vinha me esforçando muito, sabendo que o Edinho poderia sair, e coloquei na minha cabeça que ia querer aquela vaga pra mim, não ia deixar a chance passar. Sabia que tinha que me destacar, para a direção não chamar outro volante. E consegui corresponder, fiz até gol, e graças a Deus, deu tudo certo. A moral com a torcida surgiu aos poucos. Cada jogo pra mim é como se fosse o último. Acho que foi por isso. E eu sabia que substituir o Edinho não era fácil. Afinal, ele era o capitão da equipe!

Olheiros - Qual a importância do Osmar Loss e do Tite para sua carreira?

Sandro - Bom, primeiro o Osmar. É alguém que precisa ter uma chance no profissional. Não é puxando saco, não, mas é um cara que trabalha bastante, tem qualidade pra ter uma chance em qualquer time. Ele me ajudou muito em termos táticos. Quando cheguei, ele me acolheu. Tenho muito a agradecer a ele. Quanto ao Tite, não tenho nem palavras. Foi ele que me colocou pra jogar. Ele disse: 'eu quero esse menino, vou aproveitá-lo'. Ele me deu moral desde o começo. Ele falava: 'Sandro, não deixa a bola cair. Tem uma possível ida do Edinho e a gente encaixa você aí'. Ele deixava tudo claro, e eu ficava feliz. Aos poucos, conquistei a confiança de todos. É um cara que nunca vou esquecer.

Olheiros - Você fez parte do elenco que foi campeão sul-americano sub-20, no começo do ano. Acredita que o fato da equipe ser menos badalada que a de 2007, que tinha nomes já muito conhecidos, como o Lucas e o Pato, foi importante para o título?

Sandro - Acho que isso não nos atrapalhou nem ajudou. O que ajuda é você ter um grupo unido, onde todo mundo se gosta, sem trairagem. Essa geração estava começando, fazendo suas primeiras partidas. Acho que aí ajudou um pouco quando todo mundo colocou na cabeça: 'pô, estou na seleção sub-20, a gente pode fazer um bom papel aqui e se for campeão, vamos ter possibilidades'. Acho que isso ajudou, nesse caso. E aquele grupo era muito bom. Muitos dos jogadores que disputaram o Sul-Americano quase levaram o Mundial.

Olheiros - Como foi jogar, naquela ocasião, com o Giuliano na volância?

Sandro - Ah, o Giuliano é um cara que joga muito, e isso facilitou. É porque a gente já tinha jogado junto, no caso, ele como meia. Mas foi em outra convocação, para a Espanha. Então já conhecia, a gente já jogava. Mas aí, ele marcou bem, ajudou muito bem, eu fiquei impressionado. E chegava à frente com muita força. Ele tem muita qualidade e isso ajuda bastante.

Olheiros - Sobre a sua dispensa do Mundial Sub-20, qual foi a sua decisão na época?

Sandro - Eu deixei bem claro, tanto na seleção sub-20, como na principal, que é onde eu estava na época, e para o diretor do Inter, que, onde eu fosse, eu ia jogar feliz. Então não tive que optar nada. Se fosse pra ir, ia dar meu máximo, não ia ficar triste, ou triste por estar longe do Inter. Deixei bem claro isso, e aí eles decidiram.

Olheiros - Esperava uma ascensão tão rápida na carreira, e essa convocação pelo Dunga?

Sandro - Olha, vou ser sincero, não acreditava que seria tão rápido, mas já vinha trabalhando pra isso. Tinha jogando a sub-20, e fui campeão. Pô, e o ambiente na sub-20 já era fantástico, e eu pensava que já não estava muito longe do sonho. Pensei: 'vou trabalhar todo jogo agora'. Mas, como disse, já estava meio preparado, porque já tava vindo pensando em estar com a seleção principal.

Olheiros - Alguns jornalistas e comentaristas vincularam sua convocação a um contrato que você já teria assinado com o Tottenham. Que pensa disso?

Sandro - Nem sabia disso, mas faz parte. Não estão no dia a dia. Eu até imaginei que ia ter cara falando e perguntando quem é o Sandro. Mas é muito nada a ver isso que falaram. E como eles sabem disso? Teve a especulação, mas eu não fui, como que falaram isso? Ainda bem que foi logo em seguida, porque foi depois que fechou a janela que eu fui convocado.

Olheiros - Que avaliação faz dos seus substitutos no Mundial Sub-20?

Sandro - Todos são jogadores muito bons, e fizeram a função muito bem. Não fiz falta não, viu (risos)? O Souza e o Renan... Eu já conhecia o Renan, tinha jogado contra, mas o Souza foi muito bem. São jogadores de muita qualidade. Acho que foram felizes, e o Rogério (Lourenço, treinador), de tê-los convocado, também.

Olheiros - O que você pensa que pode ter faltado no Mundial para que a seleção fosse campeã?

Sandro - Poxa, a decisão foi nos pênaltis! Acho que não faltou nada. Faltou mais sorte nos pênaltis. O goleiro também saiu antes, adivinhou o canto, coisas que acontecem no futebol. Acho que o pessoal está de parabéns pelo que fizeram. Tínhamos ótimos atacantes. O Alex Teixeira, cara, é bom demais. O Maicon entrou e decidiu. O Alan (Kardec), um cara de muita qualidade na bola aérea, nunca vi igual. Dessa minha geração, é muito bom, sabe jogar, chuta bem, e vai se dar bem no Inter.

Olheiros - Você exaltou o Tite, que o colocou para jogar. E o Mário Sérgio? O que acha dele?

Sandro - Ah, ele é um treinador tranquilo, gente boa, que quer muito do grupo. Brinca com todo mundo, tem uma tática muito boa, e dá oportunidade para quem está vindo bem. Nos treinos e nos jogos ele vem mantendo quem está indo bem. Caso do Daniel, do Marquinhos — que já vinha atuando com o Tite. Acho que ele está mais dando sequência, mas sem sair do limite. Está nos ajudando bastante. A gente estava numa fase que a autoestima estava lá embaixo, não vínhamos com boas partidas. Acho que agora só falta a bola entrar. Não que o Tite estivesse bem, mas a gente sabe que futebol é assim. Quando entra um novo treinador, sempre tem um algo a mais.

Olheiros - Como você prefere atuar? Mais fixo, na contenção, ou com liberdade para chegar como elemento surpresa?

Sandro - Eu sou meio dividido, cara! Não gosto de ficar muito avançado, nem muito recuado. Gosto de fazer as duas coisas, marcar bem, sustentar bem a zaga, e quando tiver a oportunidade, sair com a bola no pé. Mas ainda não me vejo como segundo volante. Eu penso assim: sou um primeiro volante, mas com liberdade.

Olheiros - Com essa convocação para a seleção, você acredita ter chance de ir à Copa de 2010 ou acha que seu momento é em 2014?

Sandro - Ah, acho que tenho chance para 2010, sim. Sei que tem jogadores na minha frente e sei que o pessoal já está há mais tempo em ambiente de seleção. Mas por eu já ter sido convocado uma vez, depois uma segunda vez, e com um desempenho até bom, eu acho que dá, né? Tenho esperança sim, e acho que se a gente fosse campeão brasileiro, ia ajudar bastante.

Olheiros - Não tem como fugir dessa pergunta: que ligas estrangeiras mais te atraem?

Sandro - A inglesa e a italiana, né? São mais a minha cara, mas não que a espanhola não seja. Se fossem três opções, seriam: inglesa, italiana e espanhola. Quero um dia ir pra um Barcelona, um Real Madrid, né? É um sonho, mas vou trabalhar para isso. Mas por enquanto, a cabeça está aqui no Inter mesmo.



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