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Saulo: o paredão da Ilha

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André Augusto - 23/11/2009

“Todo time começa com um grande goleiro”. Para Saulo, tal ditado não poderia ser mais pontual. Do alto de seu 1,95m e com 20 anos, o alagoano da cidade de Piranhas é prata da casa rubro-negra e já começa a surgir com destaque no cenário nacional de bons jovens goleiros. Em pouco mais de um ano e meio, Saulo passou da promoção aos juniores do Sport para o elenco do Brasil que disputou o Mundial Sub-20, no Egito.

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Tal ascensão meteórica se deu graças a uma pitada de sorte – pré-requisito para qualquer jogador de sucesso – e também devido às grandes jornadas com a equipe rubro-negra de juniores, fatores que lhe valeram o posto como terceiro goleiro da equipe que acabou rebaixada no Brasileirão. Ainda sem brechas para poder estrear na equipe profissional – o atacante Ciro, seu companheiro nas mesmas categorias do Sport, já é mais conhecido entre os torcedores –, Saulo aguarda pacientemente sua chance, aprendendo lições com os experientes goleiros Magrão e Cleber, que estão à sua frente no elenco do Leão da Ilha. E espera, agora que o rebaixamento já foi confirmado, fazer parte do ressurgimento do Leão.

Vocação e sorte 

Quando criança, ao dar seus primeiros passos no futebol, Saulo começou a jogar no gol. Não por vontade própria, mas devido a sua elevada estatura. E mesmo sendo apenas uma criança, jogava com garotos bem mais velhos que ele, fator que certamente acelerou o processo de amadurecimento e aprimoramento de suas habilidades de arqueiro. “O pior é que eu tinha nove anos e me botavam para jogar com garotos de 17, 18, porque eu já era grande. E sempre que eu tomava gol levava bronca e acabava chorando”, conta.
 
Distante 291 km de Maceió e sem perspectivas de crescer no cenário do futebol alagoano, Saulo deixou Piranhas e acabou rumando para Recife, em 2006. Na Ilha do Retiro, foi cavando seu espaço aos poucos dentro da equipe juvenil e parecia questão de tempo até que ele começasse a crescer de produção dentro do clube. Para ganhar experiência, acabou emprestado aos paulistas do SEV/Hortolândia em junho de 2007. Mesmo com apenas 18 anos, Saulo conseguiu chegar à reserva da equipe principal e acabou retornando à Ilha do Retiro no início do ano seguinte, após breve e discreta participação de sua equipe na Copa São Paulo de 2008. 

Foi aí que o destino entrou em sua carreira. Curtindo férias em sua cidade natal, Saulo tinha reapresentação marcada com o restante do elenco de juniores do Sport – para o qual havia sido recentemente promovido -, ainda no início de janeiro. No entanto, por conta de obras nas instalações dedicadas aos garotos, a reapresentação acabou adiada em uma semana e todos deveriam ter sido avisados via celular. Mas em Piranhas não havia sinal para que o aparelho de Saulo recebesse as chamadas e ele acabou se reapresentando na data prevista anteriormente. Obviamente, acabou dando de cara com os portões fechados.

Longe de casa e com pouco dinheiro, insistiu com um funcionário para dormir no sofá da concentração. Com isso, passou a acompanhar de perto a rotina da equipe principal, que estava em início da fase de preparação àquela altura. Em um dos treinamentos, o terceiro goleiro se contundiu e Nelsinho Baptista – técnico do Sport na época – não hesitou em chamá-lo. “Estava de bobeira, assistindo ao treino dos profissionais. Foi quando o terceiro goleiro do clube se contundiu e me chamaram para entrar no seu lugar. Fui me tremendo todo”, relembra. A partir desse fato, acabou promovido ao time profissional, mas sempre reforçando a equipe de juniores nas competições disputadas ao longo daquele ano. 

A aparição do paredão 

Em sua trajetória nos juniores, Saulo defendeu o rubro-negro na Copa Pernambuco de 2008, que sagrou os rivais do Santa Cruz como campeões, com campanha discreta do Sport, então atual campeão. Mas seu grande momento ainda estava por vir, em um cenário de maior visibilidade. Durante o Campeonato Brasileiro Sub-20, disputado no Rio Grande do Sul em dezembro, o Sport Recife não era cotado como favorito para passar às quartas, em um grupo que tinha também Flamengo, Inter, Atlético/PR e Portuguesa brigando pelas duas vagas. Reforçados por Ciro e com Saulo titular no gol, o Leão da Ilha encontrou dificuldades na fase de grupos e acabou passando ao mata-mata superando a Portuguesa apenas pelo critério de gols pró, com o Inter se classificando com sobras na primeira colocação da chave.

Nas quartas, Ciro foi o protagonista ao marcar o gol da classificação rubro-negra diante do Goiás. Já nas semifinais, foi a vez de Saulo brilhar diante do arquirrival Náutico, em um jogo truncado. O empate no tempo regulamentar e na prorrogação levou a partida aos pênaltis, onde o goleiro literalmente cresceu em cima dos batedores do Timbu ao defender as três cobranças efetuadas. A terceira e última penalidade da série, feita por Diego Bispo, foi de grau dificílimo, já que a bola foi com força no alto da meta. Contudo, a grande envergadura e agilidade de Saulo carimbaram o passaporte do Sport à final, na qual a equipe acabaria derrotada por 2 a 1 pelo Grêmio. Mesmo com o caneco escapando no fim, o arqueiro do Sport – que curiosamente atuou com a camisa número 2 às costas - acabou eleito como o melhor de sua posição no torneio. 

A ótima jornada no torneio nacional não garantiu a Saulo um lugar na seleção brasileira que disputou e venceu o Sul-Americano Sub-20, disputado no Peru no início de 2009. Menos cotado para integrar a equipe que iria ao Mundial da categoria - disputado entre setembro e outubro de 2009, no Egito - Saulo acabou sendo chamado para o período de preparação da equipe, realizada na cidade de Cuiabá (MT), em junho. Os bons treinos em terras matogrossenses lhe valeram um lugar na lista dos 23 convocados pelo técnico Rogério Lourenço, desbancando outros goleiros mais cotados e testados no Brasil, como Agenor (Inter) e Vladimir (Santos), por exemplo.
 
O filho ilustre de Piranhas – conhecida por ter sido a cidade que exibiu as cabeças do bando de Lampião, capturado no final da década de 1930 – vai ganhando aos poucos mais espaço no futebol. De contrato firmado com o Sport até 2012, Saulo ainda terá que esperar para ter sua primeira oportunidade no gol rubro-negro, já que mesmo com o rebaixamento confirmado, ainda não recebeu uma chance de atuar. “Conheço bem todo o time sub-20, em especial o Saulo, já que toda semana há pelo menos um treinamento. Ele é muito bom, não é só pegador de pênaltis”, disse o ex-treinador Nelsinho, quando comandava o Sport. Por isso, a paciência terá que ser aliada para que ele possa mostrar todo seu potencial no tempo certo, já que na próxima temporada poderá passar por suas mãos o retorno do Leão da Ilha à primeira divisão.

Ficha técnica 

Nome completo: Saulo Araújo Fortes
Data de nascimento: 02/04/1989
Local de nascimento: Piranhas, Alagoas
Clubes que defendeu: SEV/Hortolândia e Sport Recife
Seleções de base que defendeu: Brasil Sub-20



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