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B de bom time ou V de vergonha?

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Gabriel Dudziak - 02/12/2009

No próximo domingo, dirigentes, torcedores e jogadores do Internacional estarão torcendo de uma forma nunca antes vista para que seu maior rival, o Grêmio, derrote o Flamengo e dê a chance do colorado faturar seu quarto título brasileiro. Independente do resultado final, o fato é que sendo campeão ou não, o Inter já planeja a temporada 2010, ano em que participará novamente da Libertadores (a menos que perca do Santo André e o Cruzeiro ganhe do Santos tirando uma diferença de 14 gols de saldo nesse processo).

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Enquanto diversos nomes são especulados para assumir a equipe no ano que vem, uma vez que Mário Sérgio disse que não continuará, a diretoria do clube gaúcho já se posicionou; quer formar um time forte e fazer uma pré-temporada decente, com férias de verdade, treinamentos e tudo o mais que tem direito. Como o calendário do futebol brasileiro permanece inalterado e inalterável, a ideia é que o Inter dispute o torneio estadual com uma equipe composta por reservas e jogadores das categorias de base.

A iniciativa não é novidade no futebol brasileiro. O São Paulo tentou algo parecido no início deste ano e o próprio Inter fez isso no Gaúchão 2007. Naquele ano, a equipe principal dos gaúchos voltava com moral depois de ganhar o Mundial Interclubes da FIFA e começava a temporada determinada a conquistar o bi da Libertadores, muito embora tivesse perdido diversos nomes importantes, como Bolívar, Jorge Wagner, Tinga, Rafael Sóbis, Fabiano Eller e Rentería. Com esse cenário colocado à sua frente, a diretoria gaúcha decidiu em conjunto com o técnico Abel Braga disputar a primeira fase do estadual somente com reservas, o chamado Inter B.

Foi uma tragédia. Como o time principal tinha que ser remontado, Abel separou para a pré-temporada um grupo de mais ou menos 25 atletas, contendo titulares e reservas imediatos, de forma que a equipe que foi para a briga no Gaúcho era na verdade composta por reservas dos reservas. Devido à fragilidade do time, que contava com bons nomes da base, como Renan e Danny Morais, mas também com experientes de qualidade questionável, como Rubens Cardoso, Perdigão, Gil e Márcio Mossoró, o Inter sequer avançou para as semifinais do campeonato. Aquela acabou sendo a pior campanha do colorado em 63 participações no Gaúchão, com o clube terminando na sétima posição e marcando apenas 14 gols em 15 jogos. Até por isso, muitos chamaram este Inter B, de Inter V, de vergonha.

Depois de ter sumido do mapa em 2008, o Inter B foi refeito em 2009 e conseguiu um importante feito no último domingo ao faturar a Copa Arthur Dellagrave, também chamado de Copa Federação Gaúcha de Futebol. O torneio é disputado apenas por times do Rio Grande do Sul e vale uma vaga na Série D de 2010 ou na Copa do Brasil de 2011, desde que uma das equipes da dupla Gre-Nal não se classifique entre os três primeiros colocados do Gauchão de 2010. O mais importante é que, diferente de 2007, esse escrete reserva do colorado não foi montado com o refugo do time A e garotos, mas apenas com jogadores que parecem ser capazes de ter um futuro no clube. Em entrevista à revista Placar de novembro, Giscard Salton, diretor da base do Inter, resumiu bem o pensamento que norteia os esforços da agremiação em relação ao time B: "Se não serve para o time de cima, não serve para o B. O time B é o grande banco de reservas da equipe principal", afirmou.

E esse "banco de reservas" é bem jovem e bastante promissor. Na decisão da Arthur Dellagrave, o Inter tinha como atletas mais velhos em campo o volante Josimar, de 23 anos, e o meia Ytalo, 21 anos, formado no Corinthians-AL e trazido do Marítimo, de Portugal. Os dois alías, foram os principais destaques do Inter B neste campeonato. Também mostraram bola para aparecer com qualidade em um futuro próximo, o goleiro Agenor, com boas passagens pela seleçaõ sub-20, o volante Elton, que é tido como substituto de Sandro, o meia Wagner Líbano, que já atuou entre os profissionais, e o atacante Leonardo, artilheiro do time no torneio. Além deles, atletas como os zagueiros Bregalda e Wagner Silva, os meio-campistas Juliano Pacheco e Tales, e o atacante Marcos Bambam, trazido do Fortaleza, devem ganhar destaque nos próximos anos.

A expectativa é de que essa geração complete o objetivo que foi traçado para o Inter B de 2007, ou seja, faça um bom estadual, propicie uma pré-temporada adequada para os titulares e prepare novos jogadores para serem incorporados ao grupo. Em um pensamento de longo prazo serão estes, e alguns talentos ainda mais jovens, que formarão o elenco e os cofres do Inter nos próximos anos. A própria diretoria colorada já admite o sonho de poder contar um dia com um time formado apenas por pratas da casa. Certamente a equipe de 2009 e 2010 é melhor do que o B de três anos atrás. No entanto, ainda assim precisa mostrar dentro de campo se será um time B com cara de A ou com cara de V.



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