Gabriel Dudziak - 30/12/2009
Dono de uma das melhores e mais tradicionais categorias de base do Brasil, o São Paulo entra na disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2010 bastante renovado. A começar pelo banco de reservas. Depois de sete anos no comando do time tricolor sub-20, o treinador Marcos Vizolli passará o cargo para Sérgio Baresi. Vizolli, que foi volante do tricolor no final da década de 80 e início da de 90, seguirá no clube no comando do São Paulo B, equipe que deve ser "reativada" no ano que começa logo mais.
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O que à primeira vista pode parecer uma promoção e uma chance dada a Vizolli para desenvolver sua carreira em um nível mais competitivo, no entanto pode também ser interpretada como uma forma de o tricolor buscar uma retomada na categoria. Isso porque a saída de Vizolli, anunciada no começo de dezembro, marca o fim de um período bastante contraditório da história do clube em nível sub-20. Ao mesmo tempo em que o técnico são-paulino apresentou equipes competitivas e até de futebol bonito e plástico em alguns momentos, seus times também foram pouco confiáveis, capazes de dar show e serem completamente dominados durante uma mesma partida.
Não à toa, de 2003 a 2009 o São Paulo não foi capaz, apesar de muitas vezes ter o melhor time da competição, de erguer um só título da Copinha, a competição mais importante da categoria. Vizolli e seus comandados chegaram perto em duas oportunidades. Em 2004 a equipe que tinha nomes como Edcarlos, Marco Antônio e Diego Tardelli acabou sucumbindo diante do Corinthians, de Jô, Abuda e Rosinei, na decisão do torneio. Já em 2007, o tricolor de Aislan, Breno e Sérgio Mota parou no Cruzeiro de Guilherme, que faturou o campeonato nas cobranças de pênaltis.
Nos outros anos da "Era Vizolli" somente decepções no maior torneio da categoria. A pior delas ocorreu em 2006, quando o São Paulo não conseguiu sequer avançar à segunda fase da competição em um grupo que tinha Brasiliense, Moto Clube (MA) e Ferroviária e no qual dois participantes se classificaram. O último grande tombo da equipe júnior e de Vizolli no comando técnico veio nas semifinais da Copinha de 2009.
Na edição deste ano, o tricolor paulista começou com um time entrosado, de nomes como Oscar, Wellington e Henrique, e que foi crescendo ao longo da competição com atuações vistosas e efetivas, mas não passou pelo Atlético-PR na semifinal. Mesmo saindo em vantagem os são-paulinos recuaram demais e tomaram a virada, ficando sem chances de título.
Creditar somente a Vizolli toda a responsabilidade pelos insucessos dos juniores tanto na Copinha quanto em torneios menores, como o Paulista Sub-20, seria bastante leviano. Contudo, dadas as condições de trabalho, a estrutura e a qualidade dos times que o comandante são-paulino tinha em mãos, e a forma como essas equipes perderam as partidas decisivas, Vizolli certamente tem grande parcela de culpa. O que poderia salvar o retrospecto do agora treinador do Time B em sua passagem pelo sub-20 seria a quantidade de jogadores revelados durante sua gestão, mas mesmo neste aspecto, muitas vezes mais relevante do que títulos, sua gestão não foi tão brilhante quanto poderia se imaginar.
Como já foi dito, nos últimos sete anos o São Paulo montou grandes equipes. Efetivamente, no entanto, dos times de Vizolli só tiveram sucesso nos profissionais os volantes Jean e Hernanes e o zagueiro Breno. Em que se pese a política de Muricy Ramalho de não apostar nas pratas da casa, o número é muito baixo para quem teve tantos cotados a fora de série nas mãos. Ainda mais porque em diversos momentos o comandante recebeu críticas por sua política de aprovação na base e por colocar alguns atletas em algumas fogueiras desnecessárias, vide o Oscar pressionado que perdeu o pênalti na semifinal da Copinha deste ano.
Com resultados discretos e poucos valores revelados em mais de meia década de trabalho, chega a ser surpreendente o fato do ex-volante são-paulino permanecer tanto tempo à frente da equipe sub-20, ainda mais no Brasil. Na época em que acumulava maus desempenhos no comando dos juniores, rumores davam conta de que Vizolli estava no cargo por influência de membros da diretoria do clube paulista. Dada a mudança do treinador para o time B, a boataria só tende a aumentar.
O ponto positivo é que a mudança pode fazer bem aos dois lados. Do lado do clube pela tomada de um novo rumo para sua equipe júnior. Do de Vizolli é uma nova chance para mostrar seu valor, agora com um grupo mais experiente e que deve ter competições de nível razoável a serem disputadas em 2010.
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