Guilherme Maniaudet - 01/01/2010
Comandar equipes "B" não deve ser uma das tarefas mais gratificantes para um treinador de futebol. Mas acaba que sendo um trabalho que faz parte de quem quer ser grande e ter prestígio no meio. Em 2002, Jorge Vitrola Ghiso, treinando o time reserva do River Plate, formou um grupo de jogadores tão forte que acabou sendo apelidado com o seu sobrenome: La Vitroleta. Hoje, vários daqueles atletas são consagrados na Argentina, e muitos pelo mundo.
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Mais tarde, a base de La Vitroleta acabaria sendo responsável pelas conquistas do River nos campeonatos nacionais de 2003 e 2004. Mascherano, Maxi López, e Lucas Mareque são algumas das figuras que começaram a aparecer graças à visão de Jorge Ghiso.
"Una fábrica de ilusiones, un depósito de sueños"
"Uma fábrica de ilusões, um depósito de sonhos": é assim que um blogueiro argentino, torcedor do River, define La Vitroleta. Ilusões e sonhos que se tornaram realidade com os títulos que este grupo conquistou. Jorge Ghiso foi contratado para comandar os reservas do clube justamente em 2002. O técnico da equipe principal era Ramón Diaz.
Pelos atletas que formou, Vitrola foi um dos treinadores mais importantes da história recente do River. Está certo que com o material humano que tinha em mãos - boa parte deles encontrada com a ajuda do brasileiro Delém -, o maior trabalho seria apenas encaminhar para o trajeto certo às jovens estrelas. Vale lembrar também que a equipe comandada por Ghiso era reserva de um grupo principal muito forte, que acabou campeão argentino na temporada. Cambiasso, Ledesma e D'Alessandro eram alguns dos destaques do time "A".
Como a maioria dos times reservas, grande parte dos jogadores eram ainda da categoria de base. Eram todos ainda promessas, que já haviam brilhado nas seleções de base da Argentina, como Higuaín e Mascherano. Talvez essa união da juventude dos atletas com a "inexperiência" de Ghiso fez com que o time jogasse de maneira tão leve, tão solta.
Como todo time começa com um bom goleiro, aquele não era diferente. Germán Lux era o número 1 da equipe. Ele foi lançado nos profissionais justamente em 2002. No Brasil, nunca foi visto como um arqueiro seguro. Porém, teve um início muito promissor, que mais tarde o levaria à titularidade do time olímpico argentino que triunfou nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004; e, depois, à equipe principal dos nossos hermanos, sendo o goleiro do vice-campeonato na Copa das Confederações no ano seguinte.
Na contenção do meio de campo, Javier Mascherano era quem dava as cartas. O volante, que teve passagem conturbada pelo Corinthians, já é consagrado na Europa, e talvez tenha sido a maior revelação de La Vitroleta. Não demorou muito para ele sair dos jogos preliminares e logo virar titular absoluto do Ríver -só deixando a posição quando se transferiu para a equipe paulista - e da seleção principal, posição que ocupa até hoje.
Já Maxi López foi ídolo e peça-chave nos títulos argentinos de 2003 e 2004. Sendo destaque de um dos maiores clubes argentinos, em 2005 o Barcelona resolveu apostar na "Barbie". Mas na Espanha o sucesso esteve longe. Foram poucas atuações, principalmente pelo fato de Frank Rijkaard não apostar muito no futebol dele. No Mallorca e no futebol russo, ele foi melhor. Em 2009, veio o Grêmio, que acaba de comprar parte de seus direitos.
Seu companheiro de ataque era Gastón Fernandez, jogador rápido e oportunista que intercala, desde o início da carreira, passagens entre o futebol argentino e o mexicano. Titular do Estudiantes na campanha do título da Copa Libertadores de 2009, ele marcou o gol de empate na final contra o Cruzeiro, no Mineirão, mas, como estava apenas emprestado pelo Tigres, não pôde ficar para a disputa do Mundial Interclubes contra o Barcelona.
A fábrica de sonhos, que começou a dar o ar da graça nos profissionais na conquista do Campeonato Argentino de 2002, apareceu com força nos anos seguintes, trazendo mais dois títulos nacionais para o Monumental de Nunes e enchendo a torcida de esperanças para os anos seguintes.
Algumas eternas promessas
Logicamente, nem todos conseguiram se firmar como grandes nomes do futebol mundial. Alguns saíram rapidamente, mas logo voltaram. Enquanto que outros acabaram sumindo por esse grande mundo da bola.
Um deles é Andrés Aimar, irmão de Pablo Aimar. O mais velho foi ídolo no Monumental de Nuñez e o caçula acabou sendo supervalorizado, principalmente pela torcida. Atuando na mesma posição do irmão, ele era a cabeça do meio de campo daquela equipe das "preliminares". Em 2003, foi para o Estudiantes, retornando na temporada seguinte, e depois sumiu. Hoje, defende o Estoril Praia, da Segunda Divisão do Campeonato Português.
Jorge Vitrola Ghiso seguiu como treinador dos reservas do River Plate até 2006. No último dia 23 de dezembro, quem ganhou presente foi a torcida do Quilmes, quando o novo comandante foi anunciado. Ghiso chega para tentar levar o antigo clube de volta à Primeira Divisão do Campeonato Argentino. Logicamente, não terá o mesmo material humano que tinha em mãos há sete anos atrás. Mas quem sabe ele não consegue lapidar novas figuras para o futebol portenho e una o útil ao agradável. Talento, ou sorte, para isso ele tem.
Ficha técnica
Clube/Seleção: River Plate
Competição: Campeonato Argentino
Ano: 2002, 2003 e 2004
Treinador: Jorge Vitrola Ghiso
Time-base: não localizado
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