Lincoln Chaves - 04/01/2010
Nesta segunda-feira, o Palmeiras entra em campo contra o Rio Branco-AC, às 21 horas, em São Carlos, estreando pela Copa São Paulo de 2010. Desde o time de Diego Souza e Vagner Love, finalista em 2003, o Verdão não apresentava uma geração com condições de brigar como favorito ao título da competição. E o bom momento não é apenas do elenco que disputará a Copinha, mas tanto do clube em si na formação, que, em 2009, deu sinais de que a má imagem acerca das canteiras alviverdes pode estar com os dias contados.
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A conquista do Paulista Sub-20, as boas campanhas nos estaduais sub-15 e outros torneios, e o interesse declarado de Luiz Gonzaga Belluzo em tornar o Palmeiras referência na formação e na administração de suas promessas (para que imbróglios como a perda de Ilsinho, que deixou o clube de mãos abanando) estão entre as explicações para o andar otimista com qual caminha o time paulistano, e que tem mudado as perspectivas do time na base da água para o vinho.
Interesse esse que se reflete na obtenção de um terreno de 65 mil metros quadrados, cedido pela Prefeitura de São Roque, exclusivo para as categorias de base. Com quatro campos, salas de musculação, fisioterapia, estudos e capacidade de alojamento para até 250 torcedores, o projeto visa repetir o sucesso do PAEC na formação. O investimento é elevado: R$ 18 milhões, com recursos provenientes de um banco e demais parceiros, e que deve entrar em obras após aprovação no Ministério do Esporte.
No ano passado, quando Olheiros fez o primeiro ranking das categorias de base brasileiras, muitos se surpreenderam quando o Palmeiras aparecia quase nas últimas posições. Porém, mesmo os torcedores mais fanáticos reconheceram: os investimentos na formação, nos últimos anos, foram escassos. Os fracos resultados na base também se refletiam no time principal, com poucos e limitados pratas da casa no elenco, enquanto o time formado com auxílio da Traffic mascarava a realidade das canteiras palmeirenses.
O filme, a bem da verdade, já foi visto na era Parmalat. Ao término da parceria, o time não se renovou e caiu para a segundona. Dessa vez, porém, um eventual final desta nova película é trabalhado para ser mais feliz ao Verdão. Desde 2007, foi instituido no time um projeto de integração que levava jovens da base para treinar com os profissionais. Foi assim, por exemplo, que o zagueiro Maurício e o volante Souza apareceram e ganharam as primeiras chances entre os "adultos".
Mais recentemente, o lateral esquerdo Gabriel Silva, destaque na conquista do título do Paulista Sub-20 de 2009, e apontado pelo Olheiros como a grande promessa do Verdão para o torneio, seguiu o mesmo caminho. Trata-se de um jogador com habilidade e características fortemente ofensivas, capaz de atuar pelos dois lados do campo, e que se mostra também decisivo: foi autor de um belo gol de letra na decisão do Estadual.
Ainda dentre os jogadores que estarão na Copa São Paulo, atenção à defesa. Wellington, Maiko e Bruno Turco ficaram 12 jogos, em 26, sem sofrer gols no Paulista Sub-20, mesmo com apenas 18 anos cada. Na volância, as melhores referências estão em João Fernando, de bela atuação no Estadual. Já à frente, Afonso, um dos destaques ofensivos do Verdão no Estadual da categoria, e que também está em São Carlos, é o mais elogiado.
Além disso, Maiko, Fernando, Anselmo e Gabriel Silva foram confirmados por Muricy Ramalho e pela diretoria alviverde no elenco profissional para 2010. E como um bom desempenho na Copinha pode dar aumentar o crédito da garotada junto ao exigente chefe, as expectativas em torno do trio, bem como do próprio elenco alviverde, tornam-se ainda mais elevadas.
E se as perspectivas que regem o grupo na busca pelo primeiro título palmeirense na Copa São Paulo são positivas, estas também estão no azul para os mais jovens. O time sub-15 foi semifinalista do Paulista da categoria, e é tão badalado quanto o campeão Santos. Pela equipe, atuam o promissor zagueiro Luís Gustavo e o habilidoso Romarinho. Ambos já somam convocações para a seleção brasileira da categoria, e são nomes fortes para o Sul-Americano Sub-17 do ano que vem.
Mais do que tentar sair dessa fila na Copa São Paulo, o título ou uma campanha positiva podem dar ainda mais ênfase a essa nova fase no departamente de base alviverde. Se faltou motivação no passado, em 2010 essa desculpa certamente não existirá, após um 2009 tão promissor no segmento, com resultados dentro e fora de campo.
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