Pedro Venancio - 04/01/2010
Camisa 8 do Internacional, volante, gaúcho, capitão do time, líder nato que vibra com cada desarme executado como se fosse um gol. Tem um bom chute de fora da área e já defendeu a seleção brasileira. É tratado com respeito pelos companheiros e esbanja confiança dentro de campo. Falando assim, poderíamos supor que se trata de uma descrição de Dunga há mais ou menos 25 anos atrás, e quem apostou no capitão do tetra passou longe de acertar.
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Trata-se do volante Marlon Bica, titular da seleção sub-15 e apontado como um dos nomes mais promissores da geração /94 que começa a dar o ar da graça em torneios internacionais. Com atuações consistentes, ele já é apontado por alguns torcedores mais apressadinhos como futuro titular dos profissionais do Colorado e, como de costume, já desperta o interesse de clubes do exterior.
Colorado desde pequenininho
Nascido e criado no bairro de Vila Nova, em Porto Alegre, Marlon Bica começou a jogar futebol assim que se entendeu por gente: ingressou na escolinha do Internacional aos cinco anos e entrou no time como atacante. Pouco tempo depois, foi recuado para a meia-direita e aos 10 anos veio a mudança definitiva para a volância, promovida pelo então técnico do pré-mirim André Prots. Ao contrário de muitos craques de nosso futebol, ele começou direto do futebol de campo e teve apenas uma passagem de três meses pelo futsal em 2004.
À medida em que subia de categoria no Inter, o volante colecionava títulos, sempre como capitão do time, função que exerce há cinco anos. Ele já conquistou quatro Campeonatos Gaúchos – um no Pré-Mirim e três no Mirim -, as Copas Brasil Sub-15 de Londrina e Votorantim em 2009. Na final do torneio de Votorantim, o volante marcou o primeiro gol do Colorado na vitória por 2 a 1 contra o Fluminense. Ele também ficou com o vice-campeonato na Copa Brasil Japão Sub-15, após perder a decisão nos pênaltis por 4 a 3, também contra o Flu. Marlon foi o terceiro a bater e converteu a cobrança.
Volante goleador
O próprio Marlon se define como um líder dentro das quatro linhas, e quem o vê jogar confirma essa definição. Durante as partidas, ele grita, fala, orienta o time e distribui o jogo com eficiência, além de exibir muita raça e precisão nos desarmes. Dono de um passe preciso, ele faz com que a bola chegue com qualidade aos meias e atacantes e é procurado pelos companheiros em momentos difíceis para desafogar o jogo.
O fato de jogar com a cabeça erguida, aliado à facilidade em bater na bola, faz com que Marlon possa chegar com qualidade a área adversária e fazer muitos gols, o que faz com que ele seja conhecido como “volante goleador” no Beira-Rio. Ele já foi inclusive artilheiro de dois torneios: a Copa Mercosul de Futebol Mirim, com oito gols, e o 27º Efipan (Encontro de Futebol Infantil Pan-Americano), em 2008, no qual balançou as redes cinco vezes e ajudou o Internacional a ficar com o título. Um de seus tentos foi na decisão contra o Grêmio, no empate por 1 a 1. O Colorado venceu nos pênaltis.
As qualidades supracitadas não passaram despercebidas pelo técnico da seleção brasileira sub-15, Leandro Simpson, e a primeira convocação aconteceu em dezembro de 2008. Desde então, Marlon já soma 19 partidas e três gols com a amarelinha. O volante participou do Sul-Americano da categoria, disputado na Bolívia em novembro e marcou um gol no empate em 2 a 2 no jogo da fase final contra o Paraguai, que viria a ser campeão do torneio, deixando os brasileiros com o vice. Ele aponta os erros de finalização como principal razão da perda do título. “Não tivemos calma na hora de concluir em gol e, além disso, tomamos gols bobos de bola parada”, afirma.
No mês seguinte, a seleção se reuniu novamente para o Torneio Internacional Nike Friendies, no qual enfrentou Holanda, Estados Unidos e Portugal e, com duas vitórias sobre os europeus e um empate contra os donos da casa, se sagrou campeã. O título amenizou um pouco a perda do Sul-Americano e encheu de moral os garotos, que já começam a ter uma preparação direcionada para o Sul-Americano Sub-17 de 2011 e têm a responsabilidade de classificar o Brasil para o Mundial e não repetir o papelão da edição 2009, quando Neymar e companhia caíram na primeira fase.
Com os pés no chão
Apesar de toda a badalação, Marlon Bica está consciente que ainda há um longo caminho a ser percorrido para se tornar um grande jogador. “Ainda não conquistei nada, tenho muito o que trabalhar dentro de campo”, afirma o volante, que aponta a falta de velocidade e explosão como um ponto a ser trabalhado nos próximos anos. “Tenho a passada larga, mas não sou muito rápido, e sei que, no futebol moderno isso pode causar dificuldades para mim”.
Marlon sabe também que o comportamento fora das quatro linhas pode ser determinante para o sucesso, e ouve com atenção conselhos dos jogadores mais velhos, inclusive os da seleção principal, com a qual já completou treinos na Granja Comary. Paradoxalmente, ele tem como ídolo no futebol o ex-gremista Ronaldinho Gaúcho, atualmente no Milan.
Para não meter os pés pelas mãos, o volante também conta com o apoio incondicional da família, importantíssimo em muitos momentos para que ele mantenha o foco na carreira. O pai dele, que também se chama Marlon, vai a todos os jogos em Porto Alegre e às vezes até o acompanha em viagens para alguns torneios.
Com esse suporte dentro de casa, no clube e na seleção, é impossível imaginar um futuro ruim para Marlon nesse momento, mas não se pode ignorar o fato de que no futebol há muitas histórias de jogadores que tiveram um início semelhante, mas se perderam no meio e hoje têm vergonha de contar o final. Talento, que é o mais difícil de encontrar, ele já mostrou que possui e, se mantiver os pés no chão, poderá construir uma carreira vencedora. Alguém duvida do Dunguinha?
Ficha técnica
Nome completo: Marlon Bica Bernardo
Data de nascimento: 25/05/1994
Local de nascimento: Porto Alegre, Brasil
Clube que defendeu: Internacional
Seleção de base que defendeu: Brasil Sub-15
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