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Submundo da bola

Alerta 1992

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Dassler Marques - 19/01/2010

Apesar do vice-campeonato, o Hexagonal Sub-20 disputado em Punta Del Este nas últimas duas semanas trouxe algumas respostas positivas. Oscar agradou bastante, Wellington se mostrou um ótimo líder e Milton Raphael respondeu bem embaixo das traves. Alan Patrick mostrou que deve fazer parte do time, é um bom coadjuvante. Thiaguinho, raçudo e cumpridor, conquistou seu espaço com justiça. Nem tudo, porém, agradou. Longe disso.

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O elenco formado apenas por jogadores nascidos em 1991 mostrou sérias carências, especialmente no vulnerável e tecnicamente frágil sistema defensivo. Apesar dos desfalques por conta de liberações de última hora, a formação do elenco merece críticas – nomes essenciais foram deixados de fora. E, principalmente, como já foi nos últimos dois ciclos – um com Nelson Rodrigues, outro com o próprio Rogério Lourenço -, explicitou a necessidade urgente de incorporar a virtuosa turma de jogadores /92, a despeito da decepcionante participação deste elenco no último Mundial Sub-17.

Como já é historicamente de praxe em seleções de base, a presença de jogadores de clubes cariocas em excesso evidenciou o restrito eixo de observação da comissão técnica sub-20. Foram três atletas do Flamengo, dois do Botafogo, um do Vasco e outro do Fluminense.

A simultânea disputa da Copa São Paulo em relação ao Hexagonal mostrou que escolhas como Lucas Zen, Ryan e Jorbison foram infelizes. Para o lugar de Ronaldo Henrique, atacante da Portuguesa, havia pelo menos outro cinco jogadores melhores. A maior ausência foi Gabriel Silva, do Palmeiras, bola de ouro da Copinha até aqui. Não fosse o acordo para três jogadores de cada clube, Bruno Uvine seria melhor zagueiro que todos os chamados por Rogério, que também prescindiu de Bruno Renan durante a disputa no Uruguai por conta de uma lesão inicial.

A coluna compreende a enorme dificuldade na montagem do grupo, que foi retalhado por três liberações para o Internacional (Kléber, Juan e João Paulo) e outra para o Atlético-PR (Alex Sandro). Até por isso, a incorporação dos nomes /92 abre um universo novo para o trabalho que visa o Mundial Sub-20 de 2011. O fracasso recente no Sub-17 não diminui a qualidade dos jogadores que eram comandados por Lucho Nizzo e a eliminação foi meramente circunstancial.

É urgente a presença de Gerson entre os zagueiros da geração - o gremista pode oferecer a Rogério Lourenço o entrosamento que tem com Saimon, o melhor /91 da defesa brasileira. Crystian, que deixou o Mundial Sub-17 em baixa, vive um belo momento com o Santos e a tendência é que já em 2010 integre os profissionais de Dorival Júnior. Rafael Galhardo respondeu positivamente no Uruguai, mas o santista pode ser uma sombra adequada para ele. Do outro lado, Dodô fez uma Copinha razoável e a competitividade do elenco profissional corintiano pode torná-lo útil para Rogério.

O meio-campo é o setor onde residem as melhores alternativas para a seleção sub-19. Nikão está recuperado da má passagem pelo Palmeiras e também disputa uma grande Copa São Paulo. Wellington, em sua segunda Copinha, mostrou que a promoção aos profissionais do Flu está em contagem regressiva, enquanto Raphael Augusto pode ser utilíssimo. João Vítor, do Fla que cedeu três jogadores, é um híbrido técnico e combativo. Carlyle, top três na Copinha, do CFZ-DF, deve ser seguido.

O que dizer de Coutinho e Neymar? De Phillipe, partindo para a Inter, Rogério Lourenço já sabe que precisará prescindir. Uma grande perda. Neymar, o “filé de borboleta” santista, é um talento em erupção. O melhor elegível para o Mundial ao lado de Oscar. Não pode aguardar muito por uma oportunidade.

O grande problema, e que não pode ser suprido pela geração /92, é o comando do ataque. Falta esse grande nome e aposta em Diego Maurício, mau finalizador, pode não ter vida longa. Henrique decepcionou no Uruguai e uma solução pode ser Lucas Roggia, cujo melhor futebol tem andado desaparecido. Uma pena que Wellington Silva, como Coutinho, não vá permanecer tanto por aqui.

Resolvendo a questão da camisa 9 e incorporando os jogadores mais jovens, o Brasil tem um time à altura de suas expectativas.

Firulas

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