Renato Pereira* - 20/01/2010
Edu Miranda está otimista com o futuro da Portuguesa na Copa São Paulo de Futebol. O atual treinador da equipe junior da Lusa sabe que tem uma missão complicada pela frente, mas não esconde a confiança ao afirmar que o seu time enfrentará o Palmeiras com a intenção de buscar a classificação.
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Disciplinador, o técnico se considera um pai para os jogadores, tanto que sabe muito bem dosar os elogios com os puxões de orelha. Nesta entrevista, Edu fala sobre as possibilidades da Lusa na Copinha, sobre a carreira, os jogadores do atual elenco e afirma: “essa garotada vai dar muito o que falar. A torcida pode esperar por gratas surpresas”.
Leia na íntegra a entrevista concedida ao Blog da Portuguesa, e cedida gentilmente ao Olheiros:
A Lusa enfrenta agora o Palmeiras pela Copa São Paulo. Qual a sua expectativa?
Edu Miranda - A melhor possível. A Lusa tem uma história muito bacana nessa competição e queremos repeti-la. Não nos consideramos favoritos, mas vamos buscar a classificação. Respeitamos demais o Palmeiras, só que vamos jogar para cima o tempo todo.
A garotada está muito empolgada?
Edu - Todo mundo muito está otimista. Para a garotada é um orgulho jogar na Portuguesa. Eles estão aproveitando ao máximo essa oportunidade. Eles sabem que é uma chance única de decolar na carreira profissional.
E como controlar esse entusiasmo?
Edu - Eles têm que lembrar que há muito tempo a Lusa não fazia uma campanha assim na Copa São Paulo. É um momento maravilhoso, mas se perdermos o próximo jogo tudo vai por água abaixo. E é evidente que eu tenho um grande cuidado também. Explico que é um passo de cada vez. Aqui há trabalho forte e muito respeito, sem deixar a empolgação se tornar uma coisa ruim. Todo dia nos reunimos para conversar e acertar detalhes que possam comprometer o trabalho.
A Portuguesa jogou a primeira e segunda fases em Guarulhos. Depois veio para São Paulo. Agora está em São Carlos. Isso pode prejudicar a equipe de alguma forma?
Edu - Claro que é cansativo. Num espaço muito curto de tempo, viajamos de um lugar para outro. Mas é o preço que se paga para alcançar o êxito. Nós temos que passar por isso. O trabalho é duro mesmo. Veja só: no dia primeiro de janeiro, nós estávamos treinando no Canindé. Todo mundo com familiares, celebrando o ano novo e a gente treinando. É um obstáculo comum da nossa carreira. Se queremos ser campeões, não podemos reclamar de ônibus ruim, hotel ruim, chuva, sol, ou qualquer obstáculo. E nós vamos chegar! O grupo está fechado e estamos otimistas. É um trabalho bem executado. Domingo, diante do Botafogo, vencemos por 3 a 0 com um jogador a menos. São momentos como esse que transformam a vida do jogador em um momento maravilhoso.
Quais jogadores desse time têm potencial para participar do time principal?
Edu - Guilherme Torres e Nilson, ambos de 18 anos, estão prontos. Aliás, o pensamento do Benazzi e do “seu” Luis Iaúca é contar com esses jogadores para o elenco principal.
A Portuguesa sempre foi reconhecida por revelar jovens talentos. De um tempo para cá isso diminuiu. Você acha que esse processo está recomeçando agora, como esse bom time que você comanda?
Edu - O trabalho começou há muito tempo. As comissões técnicas anteriores fizeram um ótimo trabalho, isso eu não posso deixar de falar. A Lusa está criando uma safra muito boa de jogadores. São muitos que já estiveram, inclusive, no time principal: Lúcio, Vinicius, Jaime, Cássio, Jefferson, Henrique, Guilherme, Rafael Silva, Pirajú e Ronaldo, esse que esteve recentemente na seleção sub-20.
Você fica orgulhoso do resultado alcançado?
Edu - Muito orgulhoso. Trato todos como meus filhos. Puxo a orelha e sou ríspido quando preciso, mas aplaudo quando merecem. Assim como todo mundo, essa garotada tem muitos problemas. Por isso, a conversa constante é essencial para o bom andamento do trabalho.
Esse time fez 16 gols em cinco jogos. Sofreu apenas um. Você acha possível repetir a campanha de 1991, quando a Portuguesa fez 32 gols em nove jogos?
Edu - Aquele time foi um e esse é outro. Mas a torcida da Portuguesa já pode se orgulhar. A safra atual é ótima. Eles não devem nada a nenhum outro elenco da mesma faixa etária. É um time compacto, maduro e vem se entrosando ao longo do ano. Com certeza é um elenco que sabe o que quer. Há, aqui, muito trabalho e organização. Esses jogadores vão dar muito o que falar e, acredite, surgirão gratas surpresas.
Fale um pouco mais sobre sua carreira.
Edu - Como jogador, eu era atacante. Passei pelo São Paulo, Santo André, Atlético Paranaense, Universidade Católica, do Chile, e The Strongest, da Bolívia. Participei do time dos Menudos do São Paulo, fui campeão duas vezes no Chile, além de vice no Campeonato Boliviano. Como treinador, já passei pelo Guarani, Corinthians, São Bernardo, Barueri. E há um ano e meio estou de volta à Lusa, clube onde comecei minha carreira de técnico na escolinha, em 1998.
E o time principal? Como foi a repercussão do início do time que venceu o São Paulo no domingo?
Edu - Foi muita alegria no vestiário, após a vitória por 3 a 0 no Botafogo. A boa partida do time principal contra o São Paulo só serviu para nos motivar ainda mais. E claro que a gente torce muito pelo Benazzi. Aliás, todos do time profissional são extremamente profissionais e competentes.
* Renato Pereira é colaborador especial e autor do Blog da Portuguesa:
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