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Foguetes e promessas

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Gabriel Dudziak - 03/02/2010

Em 1996 a final do Campeonato Brasileiro trouxe uma grande surpresa. Contra o Grêmio, campeão da Libertadores do ano anterior, estava a Associação Portuguesa de Desportos, um time competitivo, de futebol bonito e ofensivo. Sob a batuta de Candinho, aquele time é até hoje lembrado por torcedores da Lusa e amantes do  futebol em geral como um dos mais importantes esquadrões da história do clube. Um time que tinha como principais nomes Zé Roberto e Rodrigo Fabri, frutos da base lusa, e outros jovens, como Émerson, César e Alex Alves.

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O título nacional acabou não vindo naquele ano, mas os valores que se destacaram naquela época tiveram futuros promissores em outras equipes, principalmente no exterior. No entanto, com o êxodo de seus principais talentos, a Lusa também viu o fim da última grande geração de valores formados no clube desde então. De lá pra cá houve esperança com o título da Copinha no ano de 2002 e com valores isolados como Ricardo Oliveira e mais recentemente Diogo. No entanto, foram atletas que ou só ficaram na promessa ou que logo deixaram o clube.

Em 2010 a Portuguesa espera uma retomada, obviamente não de seus melhores anos, mas pelo menos de um período de bons desempenhos que resulte em uma volta à elite do futebol brasileiro. Para perseguir esse objetivo, a Lusa trouxe de volta o treinador Vagner Benazzi e investiu, dentro do que permitem as precárias condições financeiras do clube, em um elenco composto essencialmente por atletas formados na base e jogadores hoje desacreditados, mas que quando jovens eram tidos como de grande potencial.

No atual grupo de 26 atletas, são oito jovens formados na base do clube e seis foguetes. Da base vieram o goleiro Lucio, o zagueiro Jaime, o lateral-esquerdo Guigov, já há algum tempo entre os titulares da Lusa, o volante Jefferson, o meia Henrique, e os atacantes Piraju, Rafael Silva e Ronaldo Henrique, que disputou o Hexagonal Sub-20 com a seleção brasileira em janeiro deste ano.

Já os foguetes estão "representados" por Andrey, Gladstone, Marcos Paulo, Marco Antônio, Héverton e Celsinho. Goleiro prodígio da base do Grêmio, Andrey foi campeão do Mundial Sub-20 de 2003 com a seleção brasileira, mas não conseguiu se firmar nem no tricolor, nem nas equipes pelas quais passou nos anos seguintes. Gladstone foi de joia do Cruzeiro a fracasso na Juventus de Turim em menos de dois anos. Nos últimos tempos acumulou passagens medíocres por Cruzeiro, Palmeiras e Náutico. Marcos Paulo, também da Raposa, chegou à seleção principal aos 22 anos, em 1999, mas depois nunca mais correspondeu às expectativas.

Marco Antônio é um dos primeiros da série de aspirantes a camisa 10 do São Paulo que nunca chegaram de fato a ocupar o posto na equipe principal. Héverton, por sua vez, foi dono da 10 do Corinthians ainda aos 22 anos, em 2007, mas não conseguiu vingar nas equipes pelas quais passou depois.

Último da lista e principal contratação da Lusa em 2010, Celsinho começou aos 17 anos encantando os fãs da própria Portuguesa e sendo comparado até com Ronaldinho Gaúcho. Foi para o Lokomotiv, da Rússia, passou pelo Sporting e pelo Estrela da Amadora, mas sem sucesso em parte alguma. Aos 21 anos, chegou até a ser dispensado do Botafogo e agora deve ter na Lusa a última chance de se firmar no futebol profissional.

Com esse elenco e os objetivos traçados para 2010, a palavra chave da Portuguesa para esta temporada, certamente é "aposta". Aposta nos formados no clube, aposta em jogadores que em tese tem um potencial que ainda não chegou a ser totalmente exercido, e aposta de que os veteranos, como Athirson e o goleiro Fábio, possam dar qualidade e experiência para o time.

Em tempo, 2010 também pode ser o ano da aposta em gente que ainda não saiu da base, mas que já mostrou qualidade. Neste ano a Portuguesa realizou a sua melhor campanha na Copinha desde a equipe que faturou o título em 2002, chegando até as quartas-de-final e revelando bons nomes. De acordo com o treinador da equipe sub-18, Edu Miranda, alguns dos talentos mostrados, apesar da pouca idade, já estão até prontos para integrar a equipe principal do time do Canindé, casos de Guilherme Torres e Nilson.

Se todas as apostas da Portuguesa vingarem, o clube pode apostar bastante em um retorno à primeira divisão nacional, já que o time tem jogadores de qualidade o suficiente para vencer os percalços da série B. No entanto, o planejamento traçado neste início de ano, diferentemente de outras temporadas, precisa ser levado a sério do início ao fim. Do contrário, veremos novamente uma Portuguesa marcada pelos escândalos, queimando um time que pode dar liga em um futuro próximo e amargando mais um ano na segunda divisão.



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