Pedro Venancio - 26/02/2010
Tratado como referência na base mundial, o Barcelona tem recorrido mais uma vez às suas canteras para suprir as necessidades de um elenco limitado em quantidade que sofreu várias baixas em janeiro. Jovens como Jonathan dos Santos, Thiago Alcântara, Gai Assulin e Victor Vázquez entram, aos poucos, na equipe principal e mostram que o trabalho de formação de jogadores em La Masia continua sendo muito bem feito dentro de campo. Fora dele, porém, o clube se descuidou em relação aos contratos dos garotos, que acabam no próximo dia 30 de junho, e agora corre contra o tempo para renová-los.
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A demora na renovação do vínculo colocou os jogadores em posição privilegiada na mesa de negociações, pois, desde janeiro, eles podem assinar contrato com qualquer outro clube e ir embora. A intenção do presidente Joan Laporta, porém, é assegurar a permanência dos quatro, mas, ao que tudo indica, é provável que pelo menos um deles deixe a Catalunha e tente a sorte em outro lugar, embora dois deles – Jonathan e Thiago – estejam muito próximos de um acordo para continuar.
O caso de Jonathan parece mais próximo de um desfecho. O diretor desportivo do Barça, Txiki Begiristain, já teria conversado com o representante do jogador, Pini Zahavi, para acordar os termos da renovação do meia mexicano, que começa a ganhar espaço na equipe principal. Ele já fez seu debute na Liga dos Campeões, contra a Inter de Milão e pode, inclusive, conseguir uma vaga na seleção mexicana que vai à Copa do Mundo de 2010.
O também meia Thiago Alcântara, que marcou o primeiro gol dele como profissional no último sábado, contra o Racing Santander, também está próximo de fechar um acordo. A recente renovação do irmão, Rafael, sinaliza que as negociações não serão tão complicadas assim, e o fato dele também estar inscrito na Liga dos Campeões indica que o clube acredita no potencial do ítalo-hispano-brasileiro. Mas o interesse de clubes como Manchester United e Liverpool pode mudar a situação.
As razões para os meninos permanecerem são simples e de fácil compreensão: tratados a pão-de-ló pelo clube desde o início da adolescência, eles já possuem um vínculo forte com a instituição e com a cidade – embora três deles sejam estrangeiros. Além disso, cresceram observando o sucesso de vários canteranos e sabem que terão mais oportunidades em 2010/11. A confiança que depositam no técnico Pep Guardiola também pesará a favor do clube na negociação.
Para o israelense Gai Assulin, porém, as coisas parecem um pouco mais nebulosas. Ele entende que o ciclo dele na equipe B chegou ao fim e, sem muitas oportunidades na equipe principal, já analisa as ofertas que tem em mãos para mudar de ares no verão europeu. Pesa contra Assulin o fato dele atuar como winger, posição na qual Guardiola conta com Messi e Iniesta como titulares e os também jovens Pedro e Jeffrén Suárez como reservas.
Para Victor Vázquez, porém, a saída parece provável. O meia, recém-recuperado de uma grave contusão no joelho, chega aos 23 anos sem ter se firmado nos profissionais e poderia ter mais minutos de jogo em algum clube médio. A admiração que Guardiola tem por ele, porém, pode reverter o quadro e fazer com que o clube ganhe mais uma peça de reposição no meio-campo.
Ainda há a possibilidade de que todos renovem contrato e fiquem por muito tempo na Catalunha, mas ficou evidente o descuido com o qual a situação foi tratada. Afinal de contas, os garotos já estão nos profissionais há algum tempo e a situação, que poderia ter sido resolvida com antecedência, evidencia que, no futebol profissional, ser um clube formador não é mais o suficiente. É necessário administrar e apostar nos talentos que surgem para colher os frutos em um futuro próprio. Caso contrário, o choro será a única alternativa.
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