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Garotos prodígios

Bergkamp: craque dentro e fora de campo

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Alexandre Massi - 03/03/2010

Depois de Brasil e Argentina, a Holanda talvez seja a seleção de futebol mais refinado do mundo. Ao longo de sua história, sempre contou com jogadores de talento inquestionável, como Cruyff, Van Basten e Berkgamp. Coincidência ou não, todos eles iniciaram sua carreira nas categorias de base do Ajax.

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Dennis Bergkamp, por exemplo, se juntou ao clube com apenas 12 anos. Na época, todos ali já sabiam que se tratava de um atleta especial. Ciente de suas responsabilidades, passou a adolescência inteira sem sair à noite. Nunca bebeu, nem fumou. Para ele, os sábados e domingos eram dedicados às lições de casa e ao descanso. Só assim poderia treinar durante a semana.

Essa postura pode ser vista durante toda sua carreira. Ausente de polêmicas, jamais causou transtornos para os clubes em que atuou. Na verdade, criou só um probleminha: como tinha pavor de avião, nem sempre se apresentava junto do restante do grupo em partidas fora de casa. Às vezes, sequer viajava. Mas nada tão grave para um jogador que sempre primou pelo profissionalismo.

Registrado como Denis Nicolaas Maria Bergkamp, o atacante recebeu este nome em homenagem ao ex-jogador do Manchester United, o escocês Denis Law. Por uma questão de fonética – na Holanda, o som de Denis é similar ao de Denise -, Bergkamp decidiu incluir um “ene” em seu primeiro nome e passou a ser conhecido como Dennis.

Bergkamp é o segundo maior jogador da história do Arsenal, segundo pesquisa feita com torcedores no site oficial do clube. Sua família torce toda para os Red Devils. E seu grande ídolo no futebol é Glenn Hoodle, do Tottenham. Ele se justifica: “Sou diferente dos outros jogadores. Eles falarão que são fãs de Pelé, Maradona ou Cruyff, mas eu direi que meu ídolo é Glenn Hoodle”. Simples assim.

Do início no Ajax ao fracasso na Inter

A passagem de Bergkamp pela base do Ajax foi maior do que se imaginava. Franzino, precisou passar por um processo de fortalecimento muscular para suportar os trancos dos adversários. Assim que completou o trabalho, foi alçado aos profissionais por Johan Cruyff. Inteligente, técnico e bom finalizador, o holandês ascendeu rapidamente e, em menos de um ano, chegou à seleção.

No começo, era um segundo atacante. Tinha a missão de levar a bola até o centroavante. Com o tempo, foi adiantado e se transformou em matador. Não por acaso, foi três vezes artilheiro da Eredivisie (1991-1993). Três foram também os títulos conquistados pelo jogador no clube: Campeonato Holandês (1990), Copa da Uefa (1992) e Copa da Holanda (1993). Ao fim da temporada 2002/03, foi negociado com a Internazionale por 12 milhões de libras (a segunda maior contratação da história do futebol na época).

52 jogos, 11 gols e apenas um título (Copa da Uefa-1994): estes foram os números da passagem de Bergkamp pela Internazionale. Além de não ter se adaptado ao estilo do futebol italiano, ainda teve que conviver com as fortes críticas da imprensa do país. Após dois anos, trocou Milão por Londres.

Nos braços dos Gunners

A ansiedade tomou conta de Bergkamp no momento em que surgiu a proposta de 7,5 milhões de libras do Arsenal. Ele só pensava na possibilidade de recuperar o tempo perdido e reconstruir sua carreira. Sua chegada coincidia com um processo de transformação no estilo de jogo da equipe, trazido por Bruce Rioch. Era um futebol ofensivo, envolvente, que teve sequência com Arsène Wenger a partir de setembro de 1996.

Paralelamente, o treinador percebeu que o holandês estava sendo escalado na posição errada. Sua função não era a de definir jogadas, como um autêntico centroavante, mas a de criá-las. Poderia ser tanto um meia quanto um segundo atacante. Com a mudança de posicionamento, Bergkamp voltou a ser decisivo. Participava de todas as jogadas do time e o levou às conquistas da Premiership e da FA Cup na temporada 1997/98.

Em seguida, daria sequência à boa fase na Copa do Mundo, quando anotou o gol da classificação (um verdadeiro golaço!) às semifinais, aos 44 da segunda etapa, contra a Argentina. Nos onze anos de Gunners, atuou 423 vezes, marcou 120 gols e deu ao clube seis títulos (três da liga). Marcas que o fizeram ser eleito pelos torcedores o segundo maior jogador da história do clube, atrás apenas de Thierry Henry.

Ficha Técnica

Nome Completo: Denis Nicolaas Maria Bergkamp

Data de Nascimento: 10/05/1969

Local de Nascimento: Amsterdã, Holanda

Clubes: Ajax, Internazionale e Arsenal



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