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Eternas promessas

Hugo Viana: jogador caseiro

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Lincoln Chaves - 12/03/2010

Apesar da liderança atual em Portugal ser do tradicional Benfica, a grande sensação da Liga Sagres 2009/10 é o Braga. A equipe do Minho esteve na ponta da tabela de classificação em 18 das 22 rodadas jogadas até o momento, e perdeu a primeira posição somente há dois jogos. Destaca-se no grupo comandado por Domingos Paciência o meio-campo, composto por dois brasileiros “renegados” por aqui — Márcio Mossoró e Vandinho — e, principalmente, um certo Hugo Miguel Ferreira Viana.

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Hugo Viana não é nenhum estranho, especialmente quando vem à mente o Sporting do começo do século, que revelaria, em curto intervalo de tempo, meninos como Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma. No entanto, se Hugo colecionou duas passagens memoráveis pelos Leões, também encontrou enormes dificuldades para se firmar no exterior, fosse por não conseguir impor seu jogo em ligas mais exigentes, ou por lesões, como no caso de sua triste aventura na Espanha.

Estourando no Leão

Natural de Barcelos, o meio-campista iniciou-se nas categorias de base do Gil Vicente, mas, em 1998, aos 15 anos, deixou a proximidade da família de lado para chegar ao Sporting. Em pouco tempo, assumiu o setor de criação da equipe juvenil leonina e não tardou a chamar atenção do romeno Laszlo Bölöni, contratado como treinador sportinguista para a temporada 2001/02 e que revolucionou a equipe, investindo em apostas da base e jovens contratações. E um dos pratas da casa seria Hugo Viana.

A chegada ao time principal não foi tão instantânea como a de Quaresma, que encantou Bölöni com sua habilidade. Tanto que logo foi lançado na equipe principal, ocupando espaço fundamental ao longo da temporada. Hugo Viana, por sua vez, apenas treinava junto da equipe, mas já sabia que a estreia não estaria distante. Se Quaresma era mais “artístico”, Viana era mais cerebral. Canhoto, destacava-se desde aquela época por uma interessante visão de jogo. Algo que, aos poucos, também conquistou o romeno.

E não esteve distante mesmo. Logo na 12ª rodada, o meia foi titular e um dos destaques da importante vitória leonina sobre o Boavista, atual campeão e concorrente direto pelo título. Foi entrar na equipe para não deixá-la mais. Ao lado de Quaresma, Hugo Viana era um dos símbolos do renascimento do Sporting, que não revelava nomes de relevância há algum tempo — mais precisamente, desde Figo —, e que estava disposto a arrebatar seu segundo troféu nacional em três anos. E conseguiu.

O título português e as belas exibições renderam-lhe naturais comparações, como as feitas com Rui Costa, ídolo do arqui-rival leonino, o Benfica. Desde aquela época, não era simples jogadores tão jovens arrebatarem convocações para a seleção. Mas Hugo Viana, mais uma vez, não demorou a ganhar sua primeira chance com treinador Antonio Oliveira ainda em 2001, conquistando, inclusive, uma vaga na Copa de 2002, em substituição ao lateral Kenedy, suspenso após cair no exame antidoping.

Derrocada europeia

Atleta internacional, jovem e promissor. Era difícil crer que o futuro de Hugo Viana não seria em ligas maiores da Europa. O Sporting, que se especializou, nos últimos anos, em pouco segurar seus principais jogadores, não demorou a negociá-lo: por 12 milhões de euros, o meia foi para o Newcastle United. Porém, começou aí a derrocada do jovem português. Apesar de conhecido por sua humildade, o luso estava visivelmente insatisfeito com as poucas oportunidades que vinha recebendo, e, quando lançado, não conseguia render.

A paciência dos ingleses com a dificuldade de Viana em se adaptar ao estilo e à realidade da Premier League durou duas temporadas, esgotando-se em 2005, logo depois do meia, com a limitada seleção portuguesa sub-23 de 2004, naufragar nas Olimpíadas. Eis que ninguém menos que o Sporting, clube que o revelou, deu-lhe a chance de se reabilitar futebolisticamente, ao adquiri-lo por empréstimo. E voltou bem: foi o comandante da equipe que alcançou a decisão da Copa da UEFA em 2005.

O retorno da boa fase não foi suficiente para voltar com moral ao Newcastle, mas conseguiu levá-lo a uma nova força do futebol europeu, o Valencia, que inicialmente contratou-o por empréstimo. Mesmo sem empolgar, o clube espanhol decidiu comprá-lo por “apenas” 1,5 milhões de euros — 12,5% do valor pago pelos ingleses ao Sporting por sua contratação, em 2002. Ainda assim, Hugo Viana fracassou ao tentar conquistar a confiança de Quique Flores.

Em 2007, emprestado ao Osasuna, o jogador viveu seu momento mais complicado na carreira: uma grave lesão no pé direito, ocorrida logo no primeiro treino com o novo clube, tirou-o quatro meses dos campos. Quando voltou às atividades normais, já estava sem espaço no time que brigava para não cair. Não surpreendeu, portanto, o Valencia afirmar que não contaria com seu futebol para a temporada 2008/09. Mais uma vez, porém, Portugal o veio resgatar.

Oportunidade derradeira


Dessa vez, o Sporting interessado não foi o de Lisboa, mas o Braga, que fazia boa campanha no certame. Com Hugo Viana na equipe, o time conseguiu encerrar a Liga Sagres em quinto lugar, garantindo posto na Liga Europa, e iniciou, de maneira arrebatadora, a temporada 2009/10, com o jogador, ao lado de Mossoró e Vandinho no meio de campo, formando um dos tridentes centrais mais elogiados das últimas ligas. Em alta, o meia teve até seu nome cogitado para retornar à seleção.

Hugo Viana ainda está no “auge” da idade futebolística, e tem pelo menos mais seis, sete anos de carreira. O bom momento no Braga, dependendo de como os arsenalistas encerrarem a temporada, pode ser altamente positivo para o jogador, que ainda busca convencer o Valencia de que pode ser útil. Os sinais indicam que esta pode ter sido a última oportunidade do atleta mostrar que, mesmo molhado, ainda é um foguete com alguma perspectiva de subir, ao menos o suficiente para estabilizar a carreira.

Ficha Técnica

Nome Completo: Hugo Miguel Ferreira Viana

Data de nascimento: 15/01/1983

Local de nascimento: Barcelos (Portugal)

Clubes: Sporting, Newcastle United, Valencia, Osasuna, Braga

Seleção de base: Portugal sub-21



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