Marcus Alves e Mozart Maragno - 14/01/2008
O Olheiros encerra a cobertura da primeira fase da Copa São Paulo destrinchando o que de melhor e de pior aconteceu até aqui. Não faltaram goleadas, grandes partidas, decepções, revelações e, claro, surpresas. Todos esses pontos serão abordados mais abaixo. Apresentamos, ainda, uma seleção com as promessas que mais se destacaram nas três primeiras rodadas da competição. Entre os escolhidos, estão o volante Lucas Vieira, do Rio Branco-SP, e o meia Bruno Chocolate, do Marília-MA, como prova da atenção da nossa equipe para com os times menos tradicionais também.
Obviamente, não foi possível seguir a tudo transcorrido nesses nove primeiros dias de torneio, mas, dentro do que esteve ao nosso alcance, temos a certeza de que oferecemos a melhor cobertura da imprensa nacional. Mas não pára por aí. Continuaremos com o acompanhamento diário da Copinha e a produção de matérias especiais, com a mesma qualidade que você se acostumou a encontrar no Olheiros.
Confira, então, por que o São Paulo, embora não tenha se apresentado bem em suas duas últimas partidas, ainda prossegue como um dos favoritos ao título da competição, ao lado do Grêmio, que realizou a melhor campanha da primeira fase. E como o Atlético Mineiro, que fez uma preparação das mais cuidadosas para tentar responder às conquistas do arqui-rival Cruzeiro em 2007, esteve longe de correponder às expectativas. Esses e outros detalhes a partir de agora.(Marcus Alves)
Grandes que confirmaram o poderio
Diante de um espectro limitado de partidas assistidas, quatro equipes protagonizaram em relação aos talentos apresentados. Ainda que claudicantes, Santos, o mais regular, Grêmio, Flamengo e São Paulo mostraram muito talento individual. Para ganhar o torneio, terão que evoluir coletivamente, embora, historicamente, seja normal tropeçar em algum momento da primeira fase.
O Peixe, finalmente, dignificou sua tradição reveladora, “esquecida” desde 2002. Márcio Fernandes reuniu um grupo mais qualificado que o campeão paulista sub-20 e ainda nos brindou com a cereja do bolo: o garoto Neymar. Porém, não será pelo menino que o Santos levará a taça. Existe material humano suficiente no time titular para isso. O meia Paulo Henrique, sem dúvida, foi a maior surpresa. Após grave lesão no joelho, suas atuações foram acima da expectativa. Cadência e enorme categoria na perna esquerda são marcas registradas. Por outro lado, não se furta em aplicar seus dribles. A segurança de Diego Monar, o líbero no esquema com três zagueiros, os canhões de Thiago Carleto, assim como a dupla de ataque Tiago Luís e Alemão, também serão armas fundamentais daqui para frente.
Com a melhor campanha da primeira fase, o Grêmio desfilou seu futebol no gramado sintético de São Bernardo. Logo de início causou impacto pelos 12 a 1 e os sete gols de Rafael Martins. Até aí, golear o frágil Ypiranga/PE não seria um feito extraordinário. Porém, a equipe de Julinho Carmargo continuou numa toada de consistência e apresentou outros bons valores. Rafael Carioca confirma a cada dia sua imponência como o volante técnico que é. Thiago foi a revelação da lateral-direita e Maylson o nome na armação do tricolor gaúcho. Coletivamente é forte e dará trabalho na seqüência do torneio. Teve azar no adversário: o Atlético/PR será uma parada indigesta.
Esquecer a última partida da primeira fase é “condição sine qua non” para o Flamengo avançar na competição. Quem sabe, ao menos, tirar lições dessa derrota diante do XV de Piracicaba. A equipe produziu instantes de brilhantismo e deixou péssima impressão na derradeira peleja. A única fragilidade individual encontra-se no gol. Marcelo não é seguro. Do lateral-direito Michel até o ataque formado por Paulo Sérgio e Pedro Beda, o “Batigol da Gávea”, o futebol apresentado pode ser espetacular, como aconteceu em espasmos. Erick Flores e Renan são meias que brincam de jogar bola. Wellington Peka demonstra muita semelhança com Ibson. Na campanha vitoriosa de 1990, o Flamengo também perdeu. Bom presságio?
A infeliz declaração de Vizolli após a partida contra o Piauí ficou como a marca do São Paulo na primeira fase. Nem por isso, deixamos de avaliar positivamente a equipe do Morumbi (ou de Cotia?). Precisa mostrar mais? Claro. Era a mais badalada antes do torneio, com jogadores ultra-vitoriosos em 2007. Alguns são muito especiais. Sérgio Mota todos conhecem. Eric melhora a cada dia. O lateral-esquerdo Diogo é envolvente demais. Bruno Formigoni e Juninho formam a melhor dupla de volantes das que vimos até agora. Um alerta: achar o companheiro de Mota na meia é o desafio do técnico tricolor. Léo Gonçalves, Flávio ou Wellington? O menino Oscar teria chance? O São Paulo pode e precisa evoluir. Sobra qualidade. Só que o São Bernardo merece atenção.(Mozart Maragno)
Atlético Mineiro decepcionou
Se há um time que pode ser apontado como a decepção dessa primeira fase, esse time é o Atlético-MG, que optou por não participar do último Brasileiro Sub-20 para se preparar para a Copa São Paulo. Tri-campeão da competição, o Galinho não foi capaz de superar adversários acessíveis como Barueri, Fluminense-BA e Marília-MA. Em sua estréia, ele deu mostras de que encontraria dificuldades para se impor no grupo. O decepcionante empate em 2x2 com o Marília precedeu a goleada por 6x0 sobre o representante de Feira de Santana. Quando se pensava que nomes como o armador Chiquinho e o atacante Renan Vieira iriam deslanchar, veio a derrota para o Barueri.
Faltou ao Atlético maior criatividade, o que nem o próprio Chiquinho, nem Yuri, responsáveis por ditar o ritmo da equipe, conseguiram demonstrar. Renan ainda cumpriu sua parte ao marcar quatro gols, que, embora o tenham colocado entre os artilheiros da Copinha, não foram suficientes para assegurar a classificação do alvinegro mineiro. Ele, agora, segue para o plantel profissional, enquanto que o técnico Leonardo Condé terá que esperar, por mais um ano, para responder aos títulos do Cruzeiro na base.
Outro desclassificado prematuramente é o Mirassol-SP. Depois da derrota para o Cruzeiro na primeira partida, o time, uma das principais forças da base paulista, venceu o SEV/Hortolândia, mas teve suas esperanças de passagem de fase encerradas pelo Iraty, do habilidoso Eduardo. Ainda assim, ele apresentou excelentes valores, como o meia-atacante Nicão, que, aos quinze anos, conseguiu, contra a Raposa, marcar um gol e dar uma assistência. Ele vaga pelo caminho percorrido por outras revelações do Mirassol, como Marcelo Mattos e Danilinho.
Com postos garantidos na segunda fase, Fluminense e, especialmente, Vasco e Palmeiras, estiveram longe de empolgar. Os cruzmaltinos terminaram a primeira fase com 100% de aproveitamento, mas, nem mesmo contra o frágil Vila Aurora-MT, conseguiram uma apresentação à altura de sua tradição. O lateral-esquerdo Edu e os meio-campistas Sousa e Miguel despontam como as principais armas da equipe. Para seguir adiante, será preciso mais do que isto, porém.
Depois dos fracos resultados em 2007, o Palmeiras demonstrou que, a despeito do que pensam seus dirigentes, essa é, sim, uma geração pouco promissora. O alviverde paulista carece, sobretudo, de maior qualidade na armação de seus ataques. Com três volantes no meio-de-campo - com destaque para David, compete a Bruno Garrido acionar os atacantes palmeirenses, o que ele, por sua vez, não faz com eficiência. Restando, então, ao principal nome desse time, Daniel Lovinho, tentar resolver sozinho.
Pentacampeão da Copinha, o Fluminense chegou para o torneio cotado como um dos favoritos. A retaguarda tricolor, apoiada no talento do zagueiro Dalton, não foi vazada na fase de grupos e agradou, claro. O que, porém, não pode ser dito a respeito dos outros setores, que, com diversas alternativas conhecidas do grande público, não foram capazes de exibir o futebol esperado. Entre as grandes decepções, estão o volante Mayaro, o meia Tartá e o atacante Léo Itaperuna - estes dois últimos com passagens entre os profissionais. A entrada de promessas como Maurício e Maicon pode, no entanto, reverter essa situação.(Marcus Alves)
Pequenos brilhantes
Muito se falou sobre as goleadas sofridas por algumas modestas equipes na Copinha. O desnível, de fato, é até natural, dada a diferença na estrutura entre os gigantes do futebol brasileiro e as abnegadas agremiações do interior. Não será por isso que deveremos abraçar o discurso da segregação dos pequenos. Não será principalmente, porque vimos o Marília-MA – que virou uma espécie de símbolo nesse sentido – provocar a grande zebra do torneio.
No grupo de Barueri, até o Fluminense de Feira era apontado com chances de classificação. O Marília ficou no “fundo da caixa”. A resposta dos maranhenses foram bolas no fundo das redes adversárias. Além disso, muita aplicação tática, disposição e um maestro que entrou na seleção da primeira fase: Bruno Chocolate. O Atlético-MG sofreu na primeira partida. Empatou agonicamente. O bom time do Barueri foi atropelado. O Flu baiano apenas fez número. Salve a Copinha! Pois permite que essa bonita história de uma modesta equipe seja construída nos laureados gramados paulistas. Contra outra surpresa, o Taboão da Serra, certamente o Marília-MA fará uma bela partida. Será o “clássico da democracia”.
Destacamos, também, algumas outras equipes que merecem referência. O Nacional, do Amazonas, que goleou o Ypiranga-AP por 12 a 0 e irá enfrentar o Fluminense-RJ. Saiu do grupo do Flamengo. O interior paulista não estava débil e capenga? São Carlos, Ferroviária, São Bernardo, Rio Branco, União São João não devem concordar muito com isso.(Mozart Maragno)
Artilharia pesada
Com nove gols, Rafinha e Luiz Henrique conquistaram a artilharia da Copa São Paulo em 2007 e 2006 por São Bernardo e Paulista, respectivamente. O primeiro ainda não conseguiu se estabelecer depois do feito e assinou contrato com o Corinthians recentemente, enquanto que o segundo passou, sem sucesso, por um período de testes no Santos e, agora, se desvinculou do Galo da Japi. Exemplos de promessas que ganharam notoriedade na competição e que alcançaram uma marca que, na corrente década, nenhum outro conseguiu. Até esse ano, ao que tudo indica.
O grande número de goleadas nessa edição da Copinha cooperou para que nomes como Rafael Martins, do Grêmio, Paulo Sérgio e Pedro Beda, ambos do Flamengo, fossem alçados ao topo da artilharia. O atacante gremista marcou, até aqui, oito vezes, sete delas, aliás, na estréia contra o Ypiranga-PE. Embora não possua uma técnica das mais apuradas, que encante os torcedores, não há como negar seu faro de gol, que esteve à prova outra vez diante do São Bernardo, e ele não decepcionou, contribuindo para a vitória que permitiu ao tricolor gaúcho assegurar a melhor campanha da primeira fase.
Paulo Sérgio e Pedro Beda também aproveitaram a fragilidade dos adversários do Flamengo para galgarem algum destaque. Em sua estréia, Beda fez três gols contra o Nacional-AM e ainda deixou outro frente o Ypiranga-PE, quando o rubro-negro venceu por 11x1 e Paulo Sérgio, que tem passagem relativamente conhecida entre os profissionais, marcou cinco vezes. A fraqueza dessas duas equipes, assim como no caso de Rafael Martins, contribuiu para que eles assinalassem tantos tentos.
Não se pode desmerecer, contudo, a qualidade desse trio, que é seguido de perto por outros como Ederson, do Atlético Paranaense, Tiago Luís, do Santos, Vinícius, do Taboão da Serra, e Marcelinho, do Corinthians - este, um pouco mais distante, porém, com credencias para alcançar os maiores marcadores. Em suas três partidas nesta Copinha, o atacante do alvinegro paulista apresentou grande destreza nos chutes com as pernas direita e esquerda, não considerando a distância que o separa da meta adversária.(Marcus Alves)
Seleção da 1ª fase
O Olheiros chegou a um consenso sobre a seleção das três primeiras rodadas do torneio. Reitera-se que injustiças acontecerão. Muita gente boa foi esquecida em virtude da pouca visibilidade midiática que tiveram e a dificuldade do site em mandar seus representantes às sedes. De qualquer forma, vale a pena o exercício.
Agenor (Internacional/RS) – O goleiro nascido no interior gaúcho foi o mais seguro dentre os avaliados. Não sofreu gols e não produziu falha alguma. Confirmou a qualidade já apresentada durante o Brasileiro sub-20.
Thiago (Grêmio/RS) – O lateral gremista foi muito consistente e preciso nos cruzamentos. Se o jovem Felipe Mattioni poderá ser uma boa opção para Wagner Mancini no grupo principal, Thiago vai pelo mesmo bom trilho.
Diego Monar (Santos/SP) – Elegância, técnica e vigor quando necessita. Diego tem todas qualidades para vingar. Inclusive, o capitão da seleção sub-18 compensa as constantes falhas dos seus colegas de zaga com bom posicionamento e tranqüilidade.
Dalton (Fluminense/RJ) – O Flu oscilou, não fluiu, teve dificuldades nas partidas. Dalton, pelo contrário, comandou o setor defensivo com muita autoridade, arriscando algumas subidas. Personalidade parece não faltar.
Thiago Carleto (Santos/SP) – O “homem bomba” da baixada. O canhão na perna esquerda sempre resulta em problemas para os adversários nas bolas paradas. Leão, novo técnico do time de cima, precisa ficar de olho no garoto.
Lucas Vieira (Rio Branco/SP) - Conhecido em Americana como o "novo Mineiro" (também revelado no Rio Branco), o volante de 1,86m sobe muito bem ao ataque - fez um gol nos 8 a 0 sobre o Náutico-RR - e destaca-se pela excelente visão de jogo.
Juninho (São Paulo/SP) – Quem sabe um Josué melhorado? Chuta muito de fora da área e é incansável. Jogador "formiguinha" e com qualidade técnica. Precisa, porém, botar o pé na forma.
Erick Flores (Flamengo/RJ) – Esse prodígio rubro-negro tem tudo o que um meia precisa. Se não vingar não será por falta de qualidades. Talvez, precise estar mais centrado e não ter “ataques” quando é substituído. Fica muito feio.
Bruno Chocolate (Marília/MA) – A grande surpresa da lista. Alguém esperava alguma coisa do Marília-MA? Pois Bruno Chocolate deitou e rolou. Camisa dez da estirpe mais genuína. A canhota serve os companheiros com leveza; ao mesmo tempo não se furta em soltar petardos que fuzilam os pobres goleiros.
Marcelinho (Corinthians/SP) – O rápido atacante mosqueteiro entra naquela relação dos salvadores da pátria. Por ele, o Corinthians escapou de um fiasco. Fez gols de todos os jeitos e, ironicamente, quase não foi inscrito. Coisas do futebol. Vamos ver se continua com seus milagres.
Rafael Martins (Grêmio/RS) – Os sete gols na estréia gremista o colocaram nas manchetes. Todavia, o gol da última partida foi o mais importante. Depois de passagens por Pão de Açúcar e Internacional, o Grêmio pode ser a redenção para o oportunista centroavante.(Mozart Maragno)
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