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Superando a distância

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Gustavo Vargas - 30/06/2010

Longe de casa, longe da família. Longe das pessoas que os amam. Essa é a realidade dos 40 garotos alojados no Centro de Treinamento do Ernestina Futebol Clube. Uma realidade penosa para jovens recém admitidos pela adolescência e que, desde já, precisam demonstrar maturidade e personalidade dentro e fora de campo. Alguns, rodados, há anos pelejando por um lugar ao sol no mundo do futebol. Outros, mais inexperientes, lutando dia a dia contra a distância e a saudade.

Eleandro Zeferino da Silva, o Índio, 14 anos e um gol no Gauchão Sub-15, é um exemplo de persistência. Deixou Romelândia, em Santa Catarina, aos 11, e desde então já rodou por várias cidades do sul brasileiro. Foi o primeiro a chegar em Ernestina, distante 330 quilômetros, ainda antes do CT ser inaugurado. Morou com este que vos escreve durante quase um mês. Do pai, Argeu, e da mãe, Nair, guarda lembranças e sente saudades. Ainda mais para quem, desde agosto de 2009, os viu apenas nas festas de final de ano.

Titulares do time juvenil, sétimo colocado na Copa FGF Sub-17, o lateral direito Gabriel e o volante João Felipe também fazem parte do grupo dos rodados. Naturais de Veranópolis e Santo Augusto, respectivamente, ambos estão no sexto clube de suas carreiras. Líderes de grupo, incentivam os demais a participar de atividades extracampo – eventos escolares, missas e cultos, por exemplo. Entre idas e vindas, um único objetivo em mente: fazer carreira como jogador profissional.

Do lado dos mais inexperientes, Andrei Ceolin tem história para contar. Sem nunca antes ter saído de casa, o camisa nove dos juvenis queria voltar a Seberi, sua cidade natal, apenas dois dias depois de desembarcar no CT. Chegou até mesmo a arrumar as malas e despedir-se dos companheiros. Convencido a ficar, segurou a barra, superando a saudade dos pais, Nei e Neusa, e da namorada Patrícia. Nove meses mais tarde, contabiliza 15 gols marcados, cinco na Copa FGF.

Outro caso que merece registro é o de Bruno Campagnolo. Aos 13 anos, o meia da equipe mirim viu seus pais deixarem o município de Cerro Grande para acompanhá-lo em Ernestina. Sem a presença deles, Bruninho, como é chamado por todos, dificilmente seguraria o rojão, até pelo fato de ser o mais novo entre os atletas alojados. Sem o filho caçula por perto, Antoninho e Evalice certamente não dormiriam tranquilos. Um caso no qual a saudade falou mais alto, mas não impediu com que o sonho do garoto fosse interrompido.

Lidar com situações desse tipo, principalmente quando estamos falando de adolescentes, é algo bastante delicado. No futuro, quando as “vacas engordarem”, o Ernestina Futebol Clube pretende ter uma psicóloga ou assistente social no quadro de funcionários – atualmente as visitas são esporádicas. Enquanto esse dia não chega, a saída é tratar os atletas como filhos, fazendo do Centro de Treinamento um lugar de ambiente acolhedor. Um lugar de ambiente familiar.

Quentinhas

Dentro de campo, o Ernestina se prepara para a disputa do estadual de juvenis, que terá início em agosto. A parceria com o Sport Club Gaúcho, de Passo Fundo, deve ser mantida, e a expectativa é por uma campanha que possa superar a sétima colocação da Copa FGF. Já as equipes mirim e infantil enfrentam o Ipiranga, de Sarandi, pela quinta rodada do Gauchão, no domingo (4). Será o último compromisso do clube antes das férias de inverno, tema da próxima coluna.



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