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Não mais será

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Gabriel Dudziak - 07/07/2010

Trinta e dois anos depois, os holandeses estão de volta a uma final de Copa do Mundo. O feito, conseguido com muito menos brilho e vistosidade do que em 74 e 78, foi alcançado por um time e um treinador pragmáticos, que jogam sempre pelo resultado e que não estão nem aí para espetáculos. É também uma geração que alia na medida certa força, técnica e consciência tática e que tem sua maior parte formada no Ajax.

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Dos 23 atletas levados por Bert van Marwijk para a África do Sul, oito se profissionalizaram na equipe de Amsterdã; o goleiro Stekelenburg, o lateral-direito van der Wiel, os zagueiros Heitinga e Ooijer, o volante De Jong e os meias Sneijder, Van der Vaart e Babel.

Eles seguem a tradição do clube de revelar grandes jogadores da história da seleção holandesa. Para citar alguns, Rijkaard, Van Basten, Seedorf, Bergkamp, Kluivert, Cruyff e outros são frutos do clube. No entanto, a queda do Ajax, primeiro no cenário europeu, e agora dentro do próprio país, tem refletido também na formação de jogadores em sua base, o que faz com que os prognósticos para novos talentos holandeses surgidos na Amsterdam Arena sejam pouco animadores.

Por questões financeiras e estratégicas, hoje o Ajax tem dividido seu foco de formação com a captação de jovens promessas de outras nacionalidades. O motivo é claro; com uma grande rede de olheiros espalhada pelo mundo e um regulamento que permite a inscrição de extra-comunitários em larga escala, o clube se transforma em entreposto para atletas vindos de regiões periféricas da Europa ou mesmo de África, Ásia e América do Sul.

O reflexo desse fenômeno, somado ao fato de que a Holanda é cada vez mais exportadora de atletas jovens - e cada vez mais jovens - acaba por criar um cenário em que o clube não responde mais pela formação dos grandes jogadores que devem pintar na seleção holandesa nos próximos anos, os chamados hot prospects.

Hoje os mais badalados da Holanda são formados em clubes muito distantes da tradição que o Ajax tem nesse processo. Mesmo assim, nenhum dos atletas tem uma qualidade inquestionável ou que encha os olhos, como foram Robben, Van der Vaart, Sneijder e Van Persie em seus surgimentos. É nessa categoria que estão Jonathan De Guzmán, 22 anos, Georgino Wijnaldum, 19 anos, Royston Drenthe, 23 anos, e Luc Castaignos, 17 anos, todos da base do Feyenoord, e Dirk Marcellis, zagueiro formado no VVV-Venlo e hoje com 22 anos. Entre os formados no Ajax, Babel e Emmanuelson já são tratados com certa descrença, enquanto o meia Siem de Jong e o zagueiro Vurnon Anita, ambos de 21 anos, ainda são incógnitas. 

Já fora do país, para onde cada vez mais holandeses estão partindo antes da profissionalização, dois nomes surgem como promessas a serem observadas; Jeffrey Bruma, zagueiro de 19 anos do Chelsea, e Oguzhan Ozyakup, meia central que aos 17 anos já defende o Arsenal.

Mais do que a redução em termos quantitativos e qualitativos dos jogadores formados no Ajax, chama a atenção a mudança da ordem dentro do futebol holandês. Se antes os grandes craques e jogadores acima da média vinham de Ajax e PSV, hoje eles vêm de Feyenoord, AZ Alkmaar, Twente e outros clubes menores ou até mesmo de fora do país, algo inimaginável em outros tempos. A esperança do futebol holandês é que essa constatação fique apenas para curiosidade e que não signifique uma queda no talento individual dos futuros selecionáveis holandeses.

Do contrário, o pragmatismo terá que superar o bom futebol para a Holanda seguir com bons resultados, o que, convenhamos, ninguém quer...  Cruyff, Bergkamp, Van Basten e companhia certamente torcerão para que isso não aconteça e para o futebol holandês alcançar sua maior glória no próximo domingo.



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