Equipe Olheiros.net - 07/07/2010
Só três seleções ainda possuem permissão para sonhar com o título da Copa do Mundo. Em poucas horas, serão duas. Enquanto isso, já há outras 29 pensando no que fazer para 2014. Umas trocam os treinadores, outras mudam mecanismos legais e quase todas já conclamam jovens jogadores para reformular seus quadros. Como não poderia deixar de ser, o Olheiros se inclui nesse processo.
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Em uma série de dois especiais (nesta quarta-feira e na próxima), analisamos as oito grandes seleções: o que acertaram, o que têm errado e o que precisarão fazer em 2014. Há muito em comum entre as quatro primeiras desta semana: todas ficaram abaixo do que esperavam, pedem jovens jogadores para os próximos anos e também trocaram seus treinadores, com exceção da Inglaterra que segue com Capello. (Dassler Marques)
Abaixo, leia mais sobre o amanhã das grandes.
BRASIL
Um dia essa bolha ia estourar e quem fez questão de deixar bem claro foi o próprio Ricardo Teixeira. As seleções de base do Brasil funcionam muito abaixo do que podem. Não trabalham conectadas entre si e com o time profissional. Não têm respaldo da CBF e estão em quarto ou quinto plano na ordem de prioridades da Confederação. Tudo isso, junto a uma mentalidade conservadora de Dunga, fizeram de Ramires o único sub-23 na Copa do Mundo.
Após a eliminação no Mundial, Teixeira surpreendeu ao dizer coisas como "o time sub-20 de 2011 tem tudo para ser a base para a Copa de 2014" e "precisaremos de paciência com tantos jogadores novos". Por mais que o plano de renovar a equipe seja nítido, resta saber até onde as seleções de base estarão inclusas. Se serão contratados os melhores profissionais e se haverá respaldo quando, por exemplo, a seleção júnior precisar desfalcar um clube.
Com todas as dificuldades, já há muito talento à disposição, casos do trio Giuliano, Paulo Henrique e Neymar. Tolói, Mário Fernandes e David Luiz despontam como opções para a zaga. Rafael pode crescer para se juntar a Maicon e Daniel Alves, Marcelo, se amadurecer com Mourinho, vira o lateral esquerdo ideal. Tudo isso sem contar a grande quantidade de volantes de qualidade. Para dizer que nem tudo são flores, as camisas 1 e 9 ainda parecem interrogações.
Independente disso, o que o Brasil precisa é potencializar sua quantidade inesgotável e incomparável de produzir jogadores. Hoje, se trabalha muito abaixo do possível e refém do que os clubes fazem. (Dassler Marques)
Nota da seleção: 7,5
Necessidade de renovar: 5
Cinco promessas: Rafael Tolói, Mário Fernandes, Giuliano, Paulo Henrique Ganso e Neymar
Retrospecto recente: Copa (caiu nas quartas), Mundial Sub-20 (vice), Sul-Americano Sub-20 (campeão), Mundial Sub-17 (caiu na 1ª fase) e Sul-Americano Sub-17 (campeão)
O que deve melhorar: Respaldo às comissões técnicas e melhor organização das seleções de base, atualmente longe de ser prioridade na CBF
FRANÇA
Após o fiasco na Copa do Mundo 2010, alguns jogadores franceses devem se aposentar da seleção e abrir um espaço ainda maior para uma renovação que já se iniciou no ciclo 2006-2010 com a entrada de nomes como Gourcuff, Lloris e Diaby no time. O que não se sabe, porém, é se essa geração que pede passagem terá a qualidade necessária para se impor.
Atualmente, há uma grande expectativa sobre o aproveitamento de Yann M´Vila, volante do Rennes que foi lembrado para a pré-lista de Raymond Domenech. Além dele, surgem também Gaël Kakuta e Paul Pogba, protagonistas de transferências controversas para Chelsea e Manchester United, respectivamente. Na defesa, Mamadou Sakho, do Paris Saint-Germain, é outro que certamente terá chances.
No ataque, porém, o cenário é um pouco mais preocupante. Com as saídas de Henry e Anelka, abrem-se espaços, mas, exceção feita a Karin Benzema, não parece haver outros jogadores capazes de substituí-los à altura. Cabe a jovens como Jonathan Biabiany, Emanuel Riviere, Yaya Sanogo e Karim Aït-Fana a tarefa de mudar essa impressão nos próximos anos. (Pedro Venancio)
Nota da seleção: 6
Necessidade de renovar: 3
Cinco promessas: Yann M´Vila, Gaël Kakuta, Mamadou Sakho, Paul Pogba e Yaya Sanogo
O que deve melhorar na base: Treinamento com os atacantes. Desde Djibril Cissé, os franceses não revelam um homem-gol eficiente
Retrospecto recente: Copa do Mundo (caiu na 1ª fase), Europeu Sub-21 (caiu na 2ª fase de classificação), Mundial Sub-20 (não classificou), Europeu Sub-19 (semifinalista) Mundial Sub-17 (não se classificou), Europeu Sub-17 (semifinalista).
INGLATERRA
Mais que a eliminação precoce, a goleada sofrida diante dos alemães na Copa do Mundo contrastou a juventude do Nationalelf com a falta de vitalidade do English Team. Com média de idade de 28,7 anos, a equipe teve seu elenco mais velho na história dos Mundiais e poucos são os jogadores que devem permanecer até 2014.
Apesar dos resultados positivos nos últimos campeonatos europeus de base, como o título no Europeu Sub-17 de 2010, falta um projeto que integre estas seleções menores à equipe principal. Além disso, a abertura do futebol inglês aos jogadores estrangeiros faz com que muitos destes garotos acabem sufocados em seus clubes. Não à toa, há propostas de aumento no número mínimo de jogadores formados no país que devem ser inscritos em uma partida da Premier League. Até o momento, porém, apenas a construção de um centro nacional de futebol, previsto para 2012, é concreta.
Em entrevistas após a eliminação, o técnico Fabio Capello tem comentado a necessidade de renovação do English Team. De imediato, o grupo vice-campeão europeu sub-21 em 2009 se apresenta como uma boa base para tal mudança, com destaques para Walcott, Milner, Hart e Rodwell. Mais jovem, Jack Wilshere também aparece como opção de valor, enquanto Andy Carroll pode ser o centroavante que falta ao time. Já o elenco campeão no sub-17 pode fazer parte de um planejamento de mais longo prazo. (Leandro Stein)
Nota da seleção: 6
Necessidade de renovar: 5
Cinco promessas: Jack Wilshere, Jack Rodwell, Nathan Delfouneso, Andy Carroll e Chris Smalling
O que deve melhorar: Faltam oportunidades aos garotos nos clubes, dada a invasão estrangeira, além de um projeto que aproveite melhor as seleções de base do país.
Retrospecto recente: Copa (caiu nas oitavas), Europeu Sub-21 (vice), Mundial Sub-20 (caiu na 1ª fase), Europeu Sub-19 (vice), Mundial Sub-17 (caiu na 1ª fase) e Europeu Sub-17 (campeão)
ITÁLIA
Não é de hoje que as jovens promessas do futebol italiano encontram dificuldades para se estabelecerem no elenco principal das equipes pelas quais atuam. Em janeiro de 2009, já comentávamos no Quattro Tratti que não adianta ter boas gerações de jovens se os clubes - e, consequentemente, a seleção - não rompam com a desconfiança com suas promessas e permitam que as promessas do país ganhem alguma rodagem. Anunciávamos que isto poderia trazer problemas para a Azzurra.
Deu no que deu: vexame na Copa do Mundo, com um grupo envelhecido, no qual apenas três jogadores que participaram do Europeu sub-21 em 2009 foram convocados por Marcello Lippi, enquanto um bom número de jovens e talentosos ficaram de fora. Na Itália, carência de qualidade técnica nos jovens que são formados não é um problema, apesar de muitos alegarem que o fato de 15% dos jovens contratados pelas equipes de base do país sejam estrangeiros.
As últimas gerações reveladas pelos clubes do país disputaram campeonatos bastante parelhos, nos quais Atalanta, Sampdoria, Inter, Milan, Juventus, Roma, Palermo e Genoa tem ganhado destaque, com a construção frequente de boas equipes, que formam a base das seleções sub-21, sub-19 e sub-17. A Itália também é sede da Copa Viareggio, torneio internacional em que participam jogadores de até 20 anos (e mais dois de 21) e no qual existe supremacia dos clubes italianos.
Desta forma, o que falta é a ousadia dos clubes de optarem por assumir o risco de apostar em promessas, em lugar de apostarem em peças tão experientes. Quando este obstáculo foi rompido, os clubes colheram bons frutos: caso de Andrea Poli, muito bem na Sampdoria, e Mario Balotelli, que apesar das polêmicas já marcou mais gols na carreira do que Alessandro Del Piero e Francesco Totti marcaram quando tinham sua idade.
A confirmação de Cesare Prandelli como técnico da seleção principal até 2014 favorece a utilização de jogadores mais novos, já que o ex-Fiorentina não tem o mesmo receio de apostar na juventude como outros treinadores. Porém, a renovação não deve ter como base principal jogadores sub-23: deverão formar o cerne da nova Itália os mais jovens do grupo que Lippi levou à África do Sul - como Giorgio Chiellini, Claudio Marchisio, Domenico Criscito e Riccardo Montolivo. Também devem ser inseridos outros jogadores com idade entre 23 e 30 anos - como Salvatore Sirigu, Andrea Lazzari, Marco Biagianti, Alessandro Matri e Antonio Cassano -, pincelada com outros menos rodados, como Davide Santon, Poli e Balotelli.(Nelson Oliveira - do Quattro Tratti)
Nota da seleção: 7,5
Necessidade de renovar: 5
Cinco promessas: Andrea Poli, Mario Balotelli, Davide Santon, Alberto Paloschi e Ezequiel Schelotto
O que deve melhorar: A desconfiança dos clubes do país quanto aos jovens e sua pouca utilização faz com que muitos cheguem "verdes" ao elenco principal. Outro problema é o fato de comunicação entre as divisões inferiores e a seleção principal, que raramente alça os melhores da base ao time principal.
Retrospecto recente: Copa (caiu na 1ª fase), Europeu Sub-21 (semifinalista), Mundial Sub-20 (caiu nas quartas), Europeu Sub-19 (caiu na 1ª fase de classificação), Mundial Sub-17 (caiu nas quartas) e Europeu Sub-17 (semifinalista)
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