Gustavo Vargas - 14/07/2010
Férias. Hora de descansar e espairecer, certo? Exato. E, para os atletas do Ernestina Futebol Clube, a folga de 9 a 26 de julho servirá, também, como um momento de reflexão após um semestre recheado. Afinal, ao longo da primeira metade de 2010, foram oito amistosos e 28 partidas oficiais somando todas as categorias (sub-13, sub-15, sub-17) e competições, desde a Taça Saudades até o Campeonato Gaúcho da SULIGAFI, no qual cinco rodadas já foram transcorridas.
Para a comissão técnica, no entanto, as férias não passam de ilusão. No dia 17 deste mês, sob comando dos técnicos Pocho e Rafael de Oliveira, o clube estará realizando uma avaliação de atletas no município de Seberi, terra natal de quatro dos 40 garotos alojados no Centro de Treinamento, distante 180 quilômetros de Ernestina. Será o quarto “peneirão” desde junho do ano passado, com o objetivo de buscar nomes que venham a preencher as lacunas vigentes nos três elencos, visando, desde já, o segundo semestre.
Embora não seja a maneira mais justa de avaliar jogadores, visto que muitos fatores podem influenciar negativamente na observação dos mesmos – um atleta qualificado pode não estar no seu melhor dia, por exemplo, e vice-versa –, o “peneirão” continua na moda, notabilizando-se como um mal necessário de nossa cultura futebolística. Trata-se, acima de tudo, de algo simples e prático, que consegue reunir o maior número de atletas possível num curto espaço de tempo.
Em Seberi, a expectativa é pela presença de 200 garotos, de 10 a 17 anos. Eles serão avaliados através de mini-coletivos, a única saída para que todos possam ser observados no mesmo dia. Na teoria, o ideal seria avaliá-los rigorosamente sob dois aspectos: o técnico, priorizando fundamentos – cruzamentos para laterais, cabeceio para zagueiros, etc –, e o tático, elemento cada mais importante no futebol moderno. Sonho, todavia, que ainda não faz parte da realidade atual do Ernestina.
Convém destacar, ainda, que, dos 40 jovens alojados no CT, 19 são oriundos de “peneirões”. O goleiro Guilherme Schmidtt, titular da equipe juvenil, foi observado em Santo Augusto, há sete meses, a exemplo de Leonardo Werle, camisa 1 dos infantis. Já os primos Bruno e Francis Campagnolo, naturais de Cerro Grande – Bruno foi citado na coluna da semana retrasada –, chamaram a atenção na distante Novo Tiradentes. Os quatro, sem exceção, confirmaram as expectativas, o que nem sempre acontece após a chegada a um clube.
Se o “peneirão” de Seberi renderá frutos ninguém pode afirmar. Às vezes, em meio a centenas de atletas, nenhum pode fazer parte dos planos. Porém, mesmo diante de uma avaliação muitas vezes injusta, algo surge como consenso: sempre haverá espaço para o garoto que é bom, predestinado e perseverante. Cafu, reprovado inúmeras vezes pelo São Paulo, está aí para provar. Carlos Eduardo (Hoffenheim), descoberto por Pocho em Ajuricaba, no início da década, também.
Mais quentinhas
Passadas cinco rodadas do Campeonato Gaúcho de Futebol Infantil da SULIGAFI, a equipe sub-13 do Ernestina Futebol Clube lidera a Chave B, com 13 pontos, um a mais que o vice-líder Juventude, enquanto a sub-15 aparece na quarta colocação, com dez. Os juvenis, por sua vez, já conhecem extraoficialmente seus adversários no Gauchão, cujo início está marcado para 7 de agosto: Passo Fundo, Ypiranga de Erechim, São Luiz, Três Passos, Panambi e Guarany de Espumoso.
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