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Corinthians 50/51: reviravolta positiva

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Olavo Soares - 18/07/2010

As coisas não foram boas para o Corinthians nos anos 1940. O alvinegro via sua até então inabalável hegemonia no estado ser detonada pelo arquirrival Palmeiras e pelos novatos do São Paulo Futebol Clube. Em toda a década conquistara apenas um Campeonato Estadual, em 1941 - todos os outros pararam nas mãos dos adversários verdes e tricolores. Mais: em 1949, o clube obteve um medíocre sexto lugar no Paulistão, ficando atrás do Ypiranga e apenas um ponto à frente da Portuguesa Santista.

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Era necessária uma renovação. O Corinthians precisava voltar a ser o clube mais poderoso do Estado. Os desafios se impunham: além do tradicional Paulistão, disputado a cada ano, em 1950 aconteceria o relançamento do Rio-São Paulo (sem disputa desde 1940) e, em 1954, por conta dos 400 anos da cidade de São Paulo, o Campeonato Estadual seria indubitavelmente histórico.

Todos esses elementos foram os impulsionadores de uma transformação que acabou gerando um dos times mais vitoriosos da história do Corinthians. Após a péssima década de 1940, o Alvinegro renovou seu quadro de jogadores, investiu em nomes formados na base do próprio clube – como Luizinho e Cabeção - e, assim, tornou a ser forte e fazer história em São Paulo.

Nomes na história


São basicamente quatro os atletas que, vindos das categorias de base, modificaram o curso da história corintiana. Um é o goleiro Cabeção. Durante os primeiros anos da década de 1950, ele e Gylmar (dos Santos Neves, bicampeão mundial pela seleção brasileira e pelo Santos) se revezavam na meta alvinegra. O ápice da titularidade de Cabeção se deu em 1951, quando Gylmar, após um massacre por 7x3 que a Portuguesa impôs ao Corinthians, foi tachado como o principal responsável pela derrota.

Outro jogador puxado do time de aspirantes foi o defensor Idário. Segundo a história conta, seu futebol esteve longe de ser dos mais refinados – “carniceiro” e “sangre”, dois apelidos que ficaram para a posteridade, não chegam a ser indicadores de sutileza no trato com a bola. Mas Idário tinha a raça, a tão falada raça corintiana, e assim virou um ídolo da Fiel nos 10 anos que defendeu o clube. Seu início no time profissional se deu em 1949 – não à toa, no tempo em que a virada começou a se consumar.

Roberto Belangero é, até hoje, tido como um dos jogadores mais técnicos que vestiu a camisa corintiana. Foi puxado para a equipe profissional em 1947, e no início dos anos 1950 ganhou a condição de titular.

Por fim, o quarto nome-chave é o de um dos maiores ídolos da história do Corinthians – ou até mesmo o maior de todos: Luizinho, o Pequeno Polegar. Ele estreou no time principal do Alvinegro em 1948, em um amistoso; antes, já se destacava nas divisões inferiores. O chavão “a torcida chegava mais cedo para vê-lo jogar pelos aspirantes” decerto se aplicou a ele. Fez 603 jogos pelo clube.

Além de quem estava em campo, um outro personagem essencial para a virada na história corintiana é o técnico Rato. Ele assumiu o clube em outubro de 1951, substituindo Newton Senra, e oficializou a mentalidade de se investir nos garotos formados no clube.

Grandes resultados

Os números traduzem o que representou, para o clube, a modificação da filosofia: o Corinthians foi campeão paulista em 1951, 1952 e 1954 e faturou o Rio-São Paulo em 1950, 1953 e 1954.

Parte dessa geração também esteve presente na seleção brasileira. Cabeção foi o terceiro goleiro do time na Copa de 1954 e Roberto Belangero participou de toda a preparação para o Mundial de 1958 – uma série de contusões o tirou a chance de ser campeão na Suécia. Já Luizinho não teve tantas chances. A boa concorrência e uma fama de “bad boy” o impediram de ter mais sucesso com a camisa amarela.

Ficha técnica

Clube/Seleção: Corinthians

Treinadores: Newton Senra e Rato

Competições: Campeonato Paulista e Torneio Rio-São Paulo

Ano: 1950/51

Escalação: Cabeção, Homero e Murilo; Idário, Tonguinha (Lorena) e Julião (Roberto Belangero); Cláudio, Luizinho, Baltazar (Nardo), Carbone (Jackson) e Nelsinho



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