Lincoln Chaves - 19/07/2010
Montar um time jovem, com boa parte dos jogadores formados na base do próprio clube, é normalmente fruto da insuficiência financeira da equipe ou da dificuldade em se encontrar peças de reposição no mercado. Os times atual e de 2002 do Santos são exemplos claros dessas realidades. Até por isso, a decisão do técnico Dorival Júnior em permanecer, até o fim da temporada, com os três jovens goleiros que possui no elenco.
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Os detalhes ficam pelo fato de o mais velho e "experiente", Felipe, ter somente 22 anos, e todos serem pratas da Vila Belmiro. Uma juventude bastante elevada em um posto considerado crítico, onde privilegia-se, via de regra, atletas com mais bagagem de campo. Além de Felipe, disputam a camisa 1 do Peixe o jovem Rafael - que atualmente vem sendo usado como titular por Dorival -, de 20 anos; e Vladimir, de 21, hoje terceiro na luta pela posição.
Em comum, além da juventude e de terem sido formados no Santos, estão uma já conhecida irregularidade e uma constatação de que, no fundo, ainda não demonstraram ter o "algo mais" que marcou a ascensão de goleiros mais jovens em clubes de ponta. Uma realidade que, tendo em vista a final da Copa do Brasil e a necessidade de a equipe engrenar no Brasileirão, para não perder pontos que podem fazer falta nas rodadas finais, pode ser perigosa.
O trio não é fraco. Ao mesmo tempo, porém, ninguém ainda demonstrou ser espetacular. Felipe viveu bons momentos no ano passado quando, com a lesão de Fábio Costa, chegou à titularidade. Começou até bem a temporada, parecendo confirmar uma bela volta por cima na carreira, após fracassar nos empréstimos a Paraná e Portuguesa Santista.
No entanto, conforme o semestre foi correndo, intercalou boas partidas com falhas decisivas. Ainda não se encontra nas saídas de gol, especialmente na bola aérea, e não raro já sofreu gols por, mesmo com seu 1,93 metro - sem contar com as maõs esticadas, perder as disputas no ar para jogadores rivais.
A irregularidade de Felipe levou Dorival Júnior a arriscar Rafael. O garoto não decepcionou, e até agora não comprometeu no gol santista, mesmo com as derrotas para Palmeiras e Fluminense. Da mesma forma, porém, ainda não teve uma apresentação memorável - e em que pese a alternância de momentos de Felipe, o antigo titular já chegou a ter momentos de grande segurança.
Caso semelhante ao de Vladimir, que até somou passagens nas seleções de base e não seria uma surpresa vê-lo no Sul-Americano Sub-20 do ano passado. É um bom arqueiro, como Rafael, mas ainda precisa de cancha entre os profissionais, já que acabou desprezado em seu empréstimo ao Fortaleza.
Dorival Júnior não vai dizer em público que não considera seus três goleiros ainda totalmente preparados. Mas a constante procura santista por goleiros evidencia a própria incerteza que há entre os garotos. Diego Cavalieri, Dida, Renan e até Edson Bastos foram citados, mas não houve sucesso.
E a preocupação não se dá somente pelo necessidade atual de se ter um goleiro teoricamente diferenciado para a meta, mas porque da mesma forma que a fase boa pode elevar o status de uma jovem promessa, a fase ruim proporciona um cenário complicado, onde o garoto corre sério risco de ser queimado e pressionado. Imaginem se a Copa do Brasil vai embora com uma saída ruim de um goleiro de 20 anos como Rafael?
"E Fábio Costa?", perguntarão alguns. O goleiro, além de já ter deixado o clube por empréstimo ao Atlético-MG, dificilmente voltaria à equipe, mais por ordens superiores do que efetivamente a questão técnica. Para a situação decisiva na qual se encontra o Peixe, um arqueiro experiente e de qualidade, como já mostrou algumas tantas vezes o baiano, seria importante.
No entanto, Fábio não era lá muito querido no elenco. Entrou em rota de colisão com alguns dos meninos da equipe e, de quebra, possuía um bom relacionamento com o ex-presidente santista Marcelo Teixeira. Algo que pesou bastante para seu afastamento pela atual diretoria do Peixe.
O sucesso de um sistema defensivo não passa apenas por um ataque efetivo, como muito pregou o atual time santista. Quando seus homens de frente foram mais bem marcados, o time não só encontrou dificuldades como viu claras as limitações de seus zagueiros, Edu Dracena e Durval. Enquanto o ataque alvinegro se garantia completamente, não havia problema. Agora, a marcação aumentou, a defesa está sendo mais exigida e, por tabela, a baliza.
E aí vem a necessidade de um goleiro que não reúna apenas qualidade técnica, mas experiência, liderança e que passe plena confiança à zaga. Felipe, Rafael e Vladimir podem precisar amadurecer essas características mais rápido do que o esperado. Pode até se mostrar uma estratégia muito acertada, tecnica e economicamente, mas é um risco.
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