Dassler Marques - 20/07/2010
Quantas vezes você já ouviu um comentarista dizer que um jogador jovem está nervoso em campo? Qualquer movimento errado em campo irá redundar nesse tipo de comentário, altamente previsível e, principalmente, subjetivo. É apenas um dos pontos em uma situação que já se tornou comum por aqui: a valorização dada aos pratas da casa é muito abaixo do que poderia ser, especialmente dentro dos próprios clubes.
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Quem levantou a bola para o tema recentemente foi o gremista Maylson. Um dos principais artilheiros do clube na temporada, ele já se cansou de ser barrado por alguém que veio de fora. “Quando um jogador tem nome, pode jogar bem um jogo e outro não que a cobrança não acontece. Mas o mais novo, que vem da base, tem essa obrigação e se for mal já não serve mais”.
O choro de Maylson é justificado. O mesmo também acontece no São Paulo, onde Oscar bateu o pé até conseguir sua liberação para assinar com o Internacional recentemente. Considerado o jogador mais promissor do clube desde Kaká, ele ganhou concorrentes como Carlinhos Paraíba e Léo Lima no início da temporada. É claro que questões econômicas pesaram para o litígio, mas estava claro que o jovem era desvalorizado nas escolhas do treinador e da direção.
Ignorar ou não valorizar o jogador da casa é uma grande burrice por vários aspectos. Inicialmente, o econômico, afinal o investimento que quase todos os grandes clubes do Brasil dedicam às categorias de base é enorme. A falta de programas de aproveitamento desses jogadores faz com que a perspectiva de lucro fique bem abaixo das possibilidades reais e o modelo de negócio seja deficitário.
A questão esportiva também perde com a desvalorização de pratas da casa, pois os jogadores que vêm das categorias de base já conhecem a torcida com mais profundidade e como as coisas funcionam dentro do próprio clube. A identificação com a camisa normalmente é grande, algo que se reflete dentro de campo e não pode ser desprezado.
Mais uma vez, o modelo espanhol deve ser lembrado. Na última temporada, Pep Guardiola teve coragem suficiente para barrar ninguém menos que Ibrahimovic, por quem o clube havia investido algo próximo de 40 milhões de euros. Em seu lugar, entrava Pedro Rodríguez, que um ano antes atuava pelo time C do Barcelona. O tempo deu razão ao treinador.
Como em quase tudo nessa vida, o povo é sábio em relação a jovens formados no próprio clube. Não há uma só torcida no futebol brasileiro que seja contrária e se furte a apoiar pratas da casa de forma incondicional. Um clamor que precisa partir das arquibancadas para o campo.
Firula
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