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Talento não tem idade

Negócio de ocasião

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Pedro Venancio - 23/07/2010

Em meio a tantas especulações, sondagens, propostas e negócios não concretizados, a transferência do meia Dan Gosling, que trocou o Everton pelo Newcastle causou um grande impacto na Inglaterra, e certamente ainda recuperará nos próximos dias. O meia, de 20 anos, se recupera de uma lesão do joelho e já não estava mais sob contrato com os Toffees, o que possibilitou sua saída sem custos. A FA, porém, ainda pode estipular uma indenização a ser paga, apesar de ter aprovado a transação sem custos no primeiro julgamento.

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A alegação é de que o Everton, que pretendia dobrar o salário de Gosling, não apresentou um contrato por escrito até o prazo limite, na metade de maio. O que, mesmo com a lesão do meia, trata-se de um vacilo imperdoável, pois indicava que não havia o interesse em mantê-lo na equipe. Em contrapartida, há o precedente da transferência de Daniel Sturridge, que trocou o Manchester City pelo Chelsea em condições semelhantes. Na ocasião, o clube londrino teve de desembolsar 3.5 milhões de libras para encerrar o assunto e ficar com atacante.

Imbróglios à parte, o fato é que Gosling tomou uma decisão ousada. Afinal de contas, quem, em sã consciência, deixaria um clube organizado que figura na metade de cima da tabela da Premier League por outro que nos últimos anos foi até rebaixado em função da desorganização interna? O próprio jogador afirma que a tradição dos Magpies e o fanatismo da torcida, que quase sempre lota St.James Park, pesaram muito na decisão. Além, é claro, do dinheiro oferecido e do contrato de quatro anos.

Tecnicamente, ele se encaixa bem na equipe, podendo atuar como meio-campista pelo centro, se Chris Hughton precisar de uma opção mais ofensiva do que os já manjados Kevin Nolan e Joey Barton. Outro concorrente é Alan Smith, que até agora luta sem sucesso para reencontrar o bom futebol dos tempos de Leeds United e Manchester United. No lado direito, a disputa pela posição seria com Jonas Gutierrez, mais defensivo, e Wayne Routledge, que atua como winger.

Além da expectativa sobre a posição em que o meia irá atuar e o desempenho dele – essa resposta só será dada após ele se recuperar da lesão no joelho -, fica também uma pergunta: será que a vinda de Gosling significa uma nova tendência na política de contratações em St.James Park? ou é apenas uma oportunidade de ocasião que não poderia ser desperdiçada? Novamente, só o tempo poderá esclarecer essa dúvida, que certamente passa pela cabeça daqueles que acompanham o clube.

De qualquer forma, se ainda não há a certeza de uma renovação, já existe pelo menos a esperança em dias melhores e mais organizados, sem conviver novamente com a ameaça da degola. A promoção, por si só, trouxe um novo gás, e, a rigor, a equipe não é das piores no papel, embora alguns de seus principais jogadores já não apresentem o mesmo vigor físico de anos anteriores. A motivação, para eles, deve ser a de “limpar o nome”, manchado após a desastrosa temporada 2008/09.

O rejuvenescimento do time parece ser, portanto, um passo necessário para suportar a temporada, ou mesmo preparar a equipe para os anos seguintes e vender bem, ao invés de gastar fortunas com jogadores que não vingam em equipes mais ricas. Essa mudança de mentalidade é, talvez, a única alternativa para que os Magpies possam crescer novamente e fazer frente aos gigantes ingleses, como já o fizeram num passado recente.



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